Um festival que movimenta milhões, gera empregos e fortalece pequenos negócios

Em: 22 de junho de 2026
Durante o Festival de Parintins, milhares de profissionais encontram oportunidades de renda. (Foto: Reprodução/Secretaria de Estado da Cultura)

Um dos maiores eventos a céu aberto no mundo, o Festival de Folclórico de Parintins é o principal motor econômico do município e responde por parte significativa da renda gerada na cidade. A AmazonasTur (Empresa Estadual de Turismo do Amazonas) projeta a chegada de 120 mil turistas, superando o recorde do ano anterior. A expectativa é que a chegada dos amantes dos bois Caprichoso e Garantido, assim como de visitantes encantados com a festa, injete mais de R$ 220 milhões na economia local, movimentando desde restaurantes e hotelaria até vendedores ambulantes.

Números da AmazonasTur fornecidos à reportagem informam que, entre 2019 e 2025, o Festival Folclórico de Parintins recebeu aproximadamente 525 mil turistas e movimentou cerca de R$ 706 milhões em receita direta para o município. O grande afluxo de visitantes fomenta a economia criativa, por meio da venda de produtos por ambulantes e pequenos comerciantes. Também transforma a dinâmica da cidade, que dobra de população durante os dias de festa. Durante esse período, os visitantes movimentam valores significativos na compra de ingressos para o Bumbódromo, pacotes de viagens e diversos serviços – principalmente bares, restaurantes e hotéis.

Como consequência é esperado também um salto nas oportunidades profissionais, com a geração de milhares de postos de trabalho diretos e indiretos. De acordo com a AmazonasTur, nos últimos oito anos, o Festival Folclórico de Parintins gerou 7.600 empregos diretos, indiretos e temporários na cidade, em virtude de iniciativas ligadas à realização da festa, que sempre ocorre nos três últimos dias de junho. A lista incluiu desde o atendimento ao turista até o trabalho altamente especializado dos artistas que constroem as grandiosas alegorias dos bois Caprichoso e Garantido.

“Mês de ouro”

Estudo conduzido pelo administrador e pesquisador da Ufam, Egilson da Silva Rocha, desenvolvido em 2024, confirma que, para além da tradicional disputa azul e vermelha, junho é o “mês de ouro” para os artesãos parintinenses. É a época ideal para escoar a produção gerando sustento de comunidades periféricas, ribeirinhas e indígenas da região. Nada menos do que 76,4% dos artesãos concentram suas vendas e faturamento quase que exclusivamente no mês da festa dos bumbás, gerando renda mensal de R$ 1.500 e R$ 2.000. Em contrapartida, apenas 11,8%, consegue complementar os ganhos ao longo do ano aproveitando as paradas de embarcações no porto da cidade, durante a temporada dos cruzeiros.

Outra pesquisa, conduzida pela Serasa Experian e pelo instituto Opinion Box, revela que 46% dos participantes do Festival Folclórico de Parintins pretendem trabalhar durante o evento para complementar renda e reorganizar as finanças. Dentro desse grupo, 53% apostam em aumento superior a 40% na renda, e 56% estimam ganhos acima de R$ 1.000. Quatro entre dez entrevistados afirmam que, sem essa renda extra, teriam contas básicas e despesas essenciais comprometidas no dia a dia. Os principais objetivos são complementar renda (36%), limpar o nome na praça (34%), construir reserva financeira (28%) e quitar dívidas (28%). 

Para 66%, esta é a primeira experiência profissional no evento. O impacto econômico pode ser visto nas diferentes oportunidades de trabalho temporário. As principais atividades escolhidas para complementar o orçamento incluem venda de alimentos (31%), trabalho temporário em hotéis, lojas e restaurantes (25%) e funções ligadas diretamente à estrutura do evento, como montagem, segurança, limpeza e atendimento (23%). A quase unanimidade dos entrevistados (97%) enfatiza que o evento alavanca a economia local nos segmentos de hospedagem (53%), alimentação e bebidas (48%), turismo e passeios locais (41%), transporte (41%) e comércio informal (38%). 

Artesanato, gastronomia, hotelaria, serviços em geral, gera renda e trabalho para o povo da Ilha (Foto: Reprodução/Secretaria de Estado da Cultura)

Qualificação e empreendedorismo

Matéria veiculada pelo site da Prefeitura de Parintins informa que o aquecimento do mercado de trabalho está abrindo oportunidades para as formandas das oficinas do Centro de Costura Dona Cota, uma iniciativa da gestão municipal. No período que antecede a festa, a procura por costureiras aumenta, para a confecção de peças que compõem as alegorias, além de indumentárias destinadas aos itens individuais e coletivos. Há cursos de costura, artesanato e “acessórios bovinos”, entre outros, que ajudam as participantes a desenvolver suas habilidades e empreender.

A participante das oficinas de corte e costura, Carliene Azevedo, comemorou a oportunidade de trabalhar no galpão do Boi Caprichoso, viabilizada pelo treinamento. Para ela, essa foi a união perfeita entre a profissão e a paixão pelo bumbá azul e branco. “Quando apareceu a vaga no Caprichoso, eu não podia perder. É pelo meu amor ao meu boi e também pela costura. Para mim está sendo maravilhoso”, celebrou. “A costura está me ajudando muito no financeiro. Hoje eu consigo contribuir em casa e isso faz toda a diferença”, emendou.

Festival é o principal motor econômico do município e responde por parte significativa da renda gerada na cidade (Foto: Reprodução/Reuters)

“Semana do boi”

O presidente da Fecomercio-AM, Aderson Frota, ressalta o impacto econômico do Festival. “Tem um evento muito grande, muito mobilizador. Tem apelo cultural muito forte e capaz de mobilizar multidões. Segundo a Prefeitura de Parintins, mobiliza mais ou menos o dobro da população. Ou seja, mais de 100 mil pessoas acessam a cidade no período, entre visitantes do Brasil e do exterior. E isso tende a aquecer as vendas de diversos segmentos de comércio e serviços”, enalteceu, lamentando que o município não disponha de outras festas com atrativo turístico no decorrer do ano.  

O presidente da Associação Comercial do Amazonas, Bruno Loureiro Pinheiro, também considera que a contribuição econômica da festa dos bumbás é forte. “O festival movimenta comércio, serviços, alimentação, transporte, hospedagem, artesanato, comunicação, beleza, vestuário e pequenos empreendedores. Não é só o Bumbódromo. A cidade inteira trabalha, incluindo o moto taxi, o ambulante, o restaurante, o mercadinho, a costureira, o barqueiro, o dono da casa alugada. É renda circulando diretamente na base da economia. A ACA defende esse desenvolvimento com responsabilidade e fortalecimento do comércio e dos serviços”, enfatizou.

O presidente da FCDL-AM, Ezra Azury, vai na mesma linha. “A população quase dobra de tamanho na cidade. Então, você imagina que tudo vai vender o dobro. Vai ser muito mais comida e muito mais bebida comercializadas nos bares e restaurantes do município. E o comércio de confecções também acaba se aquecendo nesse período. Acredito que, para a economia de Parintins, essa semana do boi representa o faturamento de uns dois, três meses normais da cidade”, finalizou

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Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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