Um modal para Manaus andar

Em: 1 de junho de 2026
Manaus quer usar rios como transporte urbano e aposta em integração entre ônibus, barcos e tecnologia.
A ideia é criar um sistema que combine ônibus, transporte aquaviário, bicicletas, carros e tecnologia numa cidade cercada por rios.
A ideia é criar um sistema que combine ônibus, transporte aquaviário, bicicletas, carros e tecnologia numa cidade cercada por rios.

Manaus começou a discutir uma mudança histórica na forma como se movimenta: transformar os rios da cidade em parte real do transporte urbano. A proposta está no centro do projeto “Mobilidade 360”, lançado nesta semana pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas, o Sinetram, que defende um modelo de mobilidade integrado à geografia amazônica.

A ideia é criar um sistema que combine ônibus, transporte aquaviário, bicicletas, carros e tecnologia numa cidade cercada por rios, mas que ainda depende quase exclusivamente do transporte terrestre.

“Nós temos esse rio circundando toda a cidade e praticamente não transportamos passageiros por ele. Somos uma cidade que bate no rio e volta”, afirmou o diretor-presidente do Sinetram, César Tadeu Teixeira, durante o lançamento do projeto.

A declaração resume o diagnóstico apresentado pelo setor: Manaus cresceu ignorando uma das suas maiores características naturais — a presença dos rios — e agora busca recuperar esse potencial como alternativa para reduzir congestionamentos, ampliar conexões urbanas e melhorar a qualidade de vida.

Mobilidade amazônica

O projeto Mobilidade 360 foi apresentado como uma plataforma permanente de discussão e planejamento urbano, envolvendo empresários, entidades civis, especialistas e representantes do poder público.

Além da proposta de integrar hidrovias ao sistema urbano, o plano também aposta em tecnologia e integração tarifária. Uma das ideias já apresentadas é ampliar as funcionalidades do cartão PassaFácil, transformando-o numa plataforma de serviços urbanos, com integração entre modais, cashback e parcerias com o comércio.

O projeto também prevê uso de inteligência artificial para cruzamento de dados e elaboração de diagnósticos sobre o trânsito e o transporte coletivo.

“O objetivo é tornar Manaus uma referência em qualidade na prestação de serviço público, com menos congestionamento, menos carros nas ruas, menos poluição e mais qualidade de vida”, afirmou César Tadeu.

O evento reuniu representantes da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus, Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, Associação Comercial do Amazonas e lideranças comunitárias, numa articulação considerada incomum no debate sobre transporte urbano.

Metrô ainda é realidade distante

Durante entrevista, representantes do setor também comentaram propostas frequentemente defendidas para Manaus, como metrô subterrâneo ou metrô de superfície. A avaliação apresentada é que esses modelos ainda estão distantes da realidade financeira e estrutural da capital amazonense.

“Temos que trabalhar com a nossa realidade. Nossa realidade é utilizar os rios como parte de um modal ideal, combinando bicicleta, carro, transporte coletivo e barcos”, afirmou César Tadeu.

Segundo ele, a prioridade neste momento é construir soluções viáveis e compatíveis com as características geográficas da Amazônia, em vez de importar modelos prontos de grandes centros urbanos brasileiros.

O desafio agora será transformar o debate em infraestrutura prática e permanente. O próprio Sinetram reconhece que a continuidade do projeto dependerá de articulação política, financiamento e adesão da sociedade.

“Agora precisamos trabalhar para que isso tenha continuidade”, disse César Tadeu.

Lílian Araújo

É Jornalista, Artista, Gestora de TI, colunista do JC e editora do Jornal do Commercio
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