Uma máfia a caminho do fim

Em: 15 de fevereiro de 2013
Um dos mais antigos monopólios do País está com os dias contados
Um dos mais antigos monopólios do País está com os dias contados

Um dos mais antigos monopólios do País está com os dias contados. É o regime mais do que especial em que estão enquadrados os carregadores dos Portos –os chamados estivadores. De tão exclusivo, este setor chega a render polpudos salários a uma elite formada por profissionais que nunca fizeram concurso público, não têm, via de regra, nenhuma formação específica, mas faturam até R$ 20 mil por mês. O Governo Federal quer votar em regime de urgência projeto de Lei que muda a organização portuária no país e acaba com privilégios como este. Ontem, uma comitiva formada por trabalhadores procurou a ministra Glacy Hoffman para tentar demover a presidente Dilma Rousseff da ideia, mas a pressão do empresariado é forte na direção contrária.

História

A legislação que ampara estes trabalhadores dos portos foi criada para protegê-los, quando da elaboração da Constituição de 1988. Ocorre que, desde então, vários outros carregadores entraram na “organização”, por meio de “cursos” criados específicamente para preencher vagas deixadas pelos que se aposentaram ou morreram. O que era para ser um benefício temporário transformou-se numa máfia de privilegiados, que detém o monopólio sobre a carga e descarga nos portos, inclusive os privados, onerando os custos de operação.

Pepino

Para se ter uma ideia do empenho da presidente na aprovação da nova legislação dos portos, ela escalou seu líder no Senado, Eduardo Braga (PMDB), para relatar a matéria. O senador do Amazonas terá um pepino nas mãos, porque pode desagradar uma turma barulhenta, que inclui estivadores de Manaus. Tudo indica, entretanto, que ele não vai se intimidar e fará o que o Planalto pede, de olho na melhoria da logística em todo país, inclusive no Pólo Industrial local, que reclama muito dessa máfia de privilegiados existente nos Portos da cidade. O Sindicato da categoria no Amazonas, entretanto, não tem grande liderança.

Regressiva

Contagem regressiva para o vereador Plínio Valério (PMDB). Se ele não se definir até o final do mês sobre a posse no mandato de deputado federal, vai sofrer não apenas uma enxurrada de críticas, mas também ações de partidos e do Ministério Público, já que há duas importantes vagas em aberto: a da Câmara Federal, onde o Estado já dispõe de uma bancada diminuta, e a da Câmara Municipal, já que ele se licenciou por 120 dias.

Folião

O presidente da Câmara Municipal de Manaus, Bosco Saraiva (PSDB), passou o Carnaval no Rio de Janeiro, junto com amigos sambistas. Aproveitou para rever velhos conhecidos da época em que comandava a escola de samba Reino Unido da Liberdade. Tudo indica que a viagem faz parte de uma estratégia que ele montou para retomar a frente da agremiação. Ele estaria montando um programa de trabalho, que será apresentado aos sócios na próxima eleição para a diretoria reinounidense.

Licitação

O próximo lance de Bosco à frente da Câmara Municipal será a licitação aberta que ele pretende realizar na tarde de segunda-feira (18). O objeto é adquirir computadores para a Casa. Resta saber se as velhas raposas deste tipo de certame vão aceitar “mostrar a cara” dessa vez, já que costumam agir apenas nas sombras.

Largada

A secretária de Governo, Rebecca Garcia, e o vice-governador José Melo têm levado a efeito uma ação coordenada no Governo. Ora uma aparece mais na mídia, ora o outro. Isso reforça a convicção de aliados do governador Omar Aziz, de que foi ele próprio quem traçou a estratégia, como forma de dar visibilidade aos dois nomes que pretende ver disputando o Governo do Estado em 2014.

A marca

A marca que a Prefeitura de Manaus começou a usar –duas alianças, uma verde e outra amarela se entrelaçando –não foi bem aceita pelos publicitários, que a consideram difícil de aplicar e pouco destacada. Elaborada de início pela empresa Mene&Money, ela foi alterada por um designer de confiança do prefeito Arthur Neto. Quem já a viu percebe que ela não combina com a personalidade marcante do mandatário.

Pisando em ovos

Caladinho, caladinho, o vice-prefeito Hissa Abraão vem trabalhando com desenvoltura na operação tapa-buracos da cidade. Os trabalhadores da Secretaria Municipal de Meio Ambiente podem ser vistos por toda a cidade e têm efetivamente conseguido reverter situações caóticas, mesmo com toda chuva que desaba sobre a capital nos últimos dias. Para não milindrar o titular, Hissa vem evitando aparecer muito nestes canteiros de obra. Onde não puder comparecer com Arthur Neto, ele prefere não ir, para evitar a ciumeira.

Sintonia

Aliás, quem apostava que os dois brigariam em 30 dias, como diziam línguas bifurcadas depois da eleição do ano passado, se deu mal. Hissa tem se controlado ao máximo, o que possibilita uma sintonia fina entre os dois. Além disso, o vice detalha cada passo que dá ao prefeito, o que alimenta a relação de confiança. Ainda assim, rusgas surgem daqui e dali, alimentadas principalmente pela turma que quer ocupar mais espaço na prefeitura.

Licitação

A Secretaria Municipal de Administração já encaminhou ofício à Comissão Geral de Licitação da prefeitura solicitando a elaboração do edital para a realização de certame visando a contratação de quatro empresas de publicidade, que administrarão as contas da Secretaria Municipal de Comunicação. Curiosamente, alguns donos de agência já alardeiam aos quatro ventos que conquistarão uma destas contas. Se todos estiverem certos, quatro cotas apenas não serão suficientes.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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