Universidades de ensino

Em: 14 de fevereiro de 2008
O mercado do saber, mais que um normal espaço de oferta de produtos e de serviços, é uma fatia empresarial repleta de características idiossincráticas especiais nesta “fase de patamar”, de estabilização das suas curvas da oferta e da procura.
O mercado do saber, mais que um normal espaço de oferta de produtos e de serviços, é uma fatia empresarial repleta de características idiossincráticas especiais nesta “fase de patamar”, de estabilização das suas curvas da oferta e da procura.

O mercado do saber, mais que um normal espaço de oferta de produtos e de serviços, é uma fatia empresarial repleta de características idiossincráticas especiais nesta “fase de patamar”, de estabilização das suas curvas da oferta e da procura.
Muito se fala na absorção de centros universitários privados uns pelos outros, numa já há algum tempo previsível crise da educação superior privada em Manaus, porquanto não teriam sido algumas mantenedoras capazes de pensar a Universidade como um todo para além do Ensino, alcançando a Pesquisa e a Extensão, atraindo um público mais dotado de tempo complexo para o estudo que de vontade simples para possuir o título de graduação.
Parece redundante mas não é: quando ouvirmos alguém dizer “Universidade de Ensino” estará o nosso interlocutor interessado em se referir a apenas uma das diversas funções dessa instituição, pois o ensino não teria, hoje, motivo para ser a sua mais notória atividade, afinal a universidade-instituição somente pode ensinar aquilo que, antes, tenha sido localizado por alguma pesquisa que ela mesma, instituição, haja efetuado.
Portanto, que fique claro: Se primeiro foi o Verbo, hoje em dia vem, antes, a pesquisa, só depois o ensino. Não se pode impunemente abandonar uma das pernas por muito tempo; sobrevirá a queda, como assistimos em Manaus. A indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão é destinada a reiterar o compromisso maior de uma instituição rara no nosso país: que possua o tripé da construção, do repasse e da difusão do saber.
Claro que existem no Brasil quase 2400 IES (Instituições de Ensino Superior), sendo 105 federais, 79 estaduais, 60 municipais e mais de duas mil particulares –porém apenas 177 são universidades: mais de duas mil são simples agrupamentos de cursos, menos do que “centros universitários”, dois degraus antes de serem “universidades mesmo”, isto é com mais escopo que apenas ensino.
Existem afinal, no Brasil, menos de duzentas boas universidades, isto é, menos de uma instituição para cada grupo de um milhão de brasileiros! É pouquíssimo! Somente duzentas delas, em quase estas 2.400, possuem efetivo caráter universitário para além do ensino.

O temor é que o ensino se torne o
único fator de remuneração nas universidades

A ênfase emprestada a essas tarefas de ensino derivam, no nosso imaginário popular, da própria falta de tradição universitária no Brasil –andando a idéia de ensino superior meio que à reboque do que seria o Ensino Médio ou mesmo o Ensino Fundamental, o que é um contra-senso evidente, o mundo de cabeça pra baixo.
O temor que existe no âmbito das lutas sindicais dos docentes e a tendência entrevista pelos intelectuais do saber é que o ensino se torne o único fator de remuneração nas universidades, que assim “decairiam” para o estágio de “centros universitários”, em vez da normalidade de estes virem a ascender à condição de Universidade. O mundo do educação privada alcançando a excelência do mundo da educação pública é o que se deveria esperar; não o contrário.
Com as possibilidades de Ensino a Distância angariando as atenções dos centros acadêmicos, mais cedo que tardiamente teremos a excelência universitária somente em espaços totais de conhecimento que lograrem ser universidades plenas –afinal ainda não existe “pesquisa a distância” nem “extensão a distância”.

Acreditando nos institutos de ensino

Se é certo que podemos ainda acreditar nas IES que se dedicam majoritariamente ao ensino, com pesquisa incipiente e extensão nula ou simulada, somente aquelas que apresentarem um projeto institucional direcionado a buscar uma complementação totalizada das suas atividades, orientadas a converter-se em universidades de ensino lastreado por pesquisas de fato, com projetos extensionistas, é que sobrevierão no mundo do mercado do conhecimento.
Se o mercado, qualquer mercado, é inexorável com a falta de inovação e de criatividade, obviamente o mercado do saber é intolerável com a ignorância acerca d

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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