Uso de microcâmeras abre caminho a infecções

Em: 13 de agosto de 2008
Em 72% dos casos, a bactéria se desenvolveu após cirurgias abdominais, videolaparoscopia, redução de duodeno e retirada de lipomas
Em 72% dos casos, a bactéria se desenvolveu após cirurgias abdominais, videolaparoscopia, redução de duodeno e retirada de lipomas

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) quer limitar o número de equipamentos e de procedimentos cirúrgicos diários, especialmente os que usam pequenas câmeras de vídeo que são introduzidas no paciente. A medida deve ser adotada em todos os serviços de saúde do país para reduzir o número de infecções pós-cirúrgicas por MCR (microbactéria de crescimento rápido).
Segundo laudos periciais, “esse tipo de bactéria está relacionada a problemas na limpeza dos instrumentos e aparelhos utilizados em cirurgias”. A Anvisa informa que, ao fiscalizar os serviços de saúde, descobriu que essa aparelhagem vinha sendo apenas desinfetada, procedimento que dura em torno de 30 minutos e não esterilizada, procedimento recomendado e que dura cerca de dez horas.

Esterilizar dá garantia

“O que percebemos é que onde tem sido aplicado procedimentos de esterilização, de forma correta e completa, não há problemas. E onde ocorreram casos e o serviço de saúde passou a adotar os procedimentos de esterilização não houve reincidência”, explicou a diretora-adjunta da Anvisa, Beatriz Macdowell Soares.

Menos cirurgias

Com a limitação do número de cirurgias e de aparelhos adquiridos pelo serviço de saúde, a agência espera acabar com a falta de tempo para a esterilização.
Desde 2003, já ocorreram 2.025 casos de infecções por MCR (existem mais três em investigação atualmente). Em 72% dos casos, a bactéria se desenvolveu após cirurgias abdominais, videolaparoscopia, redução de duodeno e retirada de lipomas. Sempre em procedimentos que utilizam câmeras de vídeo ou aparelhagem similar, mas não há registro de casos provocados por exames e procedimentos de diagnóstico.

Proibição governamental

Recentemente, o governo do Espírito Santo proibiu temporariamente que as clínicas e hospitais do Estado realizassem cirurgias de lipoaspiração. A medida foi tomada, porque ocorreram os primeiros casos de infecção por esse tipo de bactéria naquele Estado a partir deste tipo de procedimento. Mas as lipoaspirações foram responsáveis até hoje por apenas 3% dos casos de infecção por MCR. (Com informações da Agência Brasil).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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