Se ainda não aconteceu com você, provavelmente conhece alguém que tenha já sido vítima de roubo de celular. Recém-lançada pelo Governo Federal, a plataforma “Celular Seguro” visa unificar e integralizar através de uma ação dentro do seu sistema bloquear o uso do celular do após perda ou roubo. A ferramenta dispara uma comunicação simultaneamente às instituições parceiras sejam elas públicas ou privadas, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e as operadoras de telefonia.
A medida traz alívio para a estudante de fisioterapia, que tem 24 anos e prefere não se identificar. Ela faz parte das estatísticas assustadoras do número de roubo e furtos de aparelho celular. “Eu fui assaltada três vezes e todas elas levaram o meu celular. Em uma delas dois rapazes que estavam armados me renderam e obrigaram que eu entregasse o aparelho. Infelizmente esse tipo de crime não tem hora e nem local. Até em rua movimentada, saindo da faculdade há essa prática. Que boa notícia a chegada desse app que bloqueia o aparelho. É um avanço tecnológico significativo, especialmente para quem já foi vítima deste tipo de ocorrência. Eu nem sei onde os meus celulares foram parar, poque mesmo bloqueados, muitos destes que são roubados são comercilizados no mercado ilegal”, comentou a estudante que logo que a plataforma foi libearda efetuou o cadastro. “É uma segurança, pois ativar esse bloqueio de acesso nos tranquiliza um pouco mais”.
Quem também aderiu ao aplicativo foi o comerciário Wilson Oliveira, 55. Além do trauma após ter uma arma apontada para a cabeça, a sensação de impotência diante da situação é algo assustadora. “Desejo que ninguém passe por isso. Infelizmente é um crime cada vez mais comum. Eu conheço várias pessoas que já foram assaltadas e tiveram o celular levado. Aqueles que o seu celular não tem bloqueio de tela, o prejuízo é ainda maior. Eu espero que a partir desta plataforma, embora não consiga recuperar o telefone em caso de roubo, a gente utilize comando para travar e de fato bloquear todos os dados”, disse.
De acordo com o especialista em Direito Digital, Aldo Evangelista, por meio do app Gov.br o usuário aciona o sistema e todos os serviços online são notificados e bloqueio do acesso. Segundo ele, a medida traz uma garantia de segurança para a população num momento em que ocorrências de furtos e roubos de celular apresentam números recordes.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública informou que cerca de um milhão de aparelhos celulares foram roubados ou furtados ao longo de 2022, com uma média de 2.738 aparelhos levados por dia. O número representa um aumento de 16,6% em comparação com 2021.
“Através de única ação o usuário estará integrado aos aplicativos das instituições credenciadas. Até o momento, não são todos os bancos e operadoras que estão no sistema, mas está havendo uma adesão bem considerável e o número com certeza aumentará”.
Segundo ele, da mesma forma como o PIX virou algo usual e prático no Brasil, seguro e desde o seu lançamento sofre atualizações e mudanças para manter a segurança ainda mais eficiente, assim é a ferramenta “Celular Seguro”. “Conforme a evolução da tecnologia e dos crimes cibernéticos o sistema vai inovando e ficando cada vez mais apto para proteger o usuario”, frisou.
Embora o serviço facilite o registro de ocorrência e bloqueio do aparelho após furto ou roubo, o especialista orienta que a população continue realizando os boletins de ocorrência para registrar o crime. “Eu acredito que possamos conseguir diminuir a criminalidade em relação ao roubo e furtos de celulares no país.
Balanço
Mais de 276 mil usuários fizeram cadastro na plataforma Celular Seguro em um prazo de 24 horas, conforme dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Lançado no último dia 19 pelo governo federal, a plataforma permite bloquear o aparelho, a linha telefônica e os aplicativos bancários em caso de perda, roubo ou furto de aparelhos.
O acesso é feito pelo gov.br. De acordo com balanço, até as 15h30 de quarta-feira (20), 182.645 celulares foram registrados pelo site ou aplicativo e 169.843 pessoas foram incluídas como de confiança. No mesmo período, foram realizados 1.213 bloqueios em razão de perda, roubo e furto de celulares após alertas de usuários.
Programa
Desenvolvido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, em parceria com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e com a Anatel, o aplicativo, liberado desde o dia 20, está disponível para smartphones Android e também para iPhones, por meio das plataformas Google Play e App Store.
Em material divulgado pela Febraban, o presidente informou que o objetivo do app é impedir que criminosos façam uso de dados e informações pessoais da vítima que estejam nos smartphones. Em um processo simples, o cidadão poderá acionar os bancos e sua operadora telefônica para o bloqueio do acesso remoto às contas e o sinal do aparelho. O usuário poderá cadastrar previamente seu número de celular e de pessoas de sua confiança, para que se tenha maior agilidade em comunicações no caso de alguma ocorrência com o aparelho celular.
Após o registro de perda, roubo ou extravio do celular, os bancos que aderiram ao projeto farão o bloqueio das contas. O bloqueio dos aparelhos celulares (IMEIs) será feito a partir de agora e o bloqueio das linhas telefônicas entrará em vigor até fevereiro.
“A Febraban trabalhou desde o início de julho junto ao Ministério da Justiça para a integração dos bancos a essa importante iniciativa, que permitirá que um celular perdido, furtado ou roubado seja bloqueado de maneira rápida”, afirma Isaac Sidney, presidente da Febraban.
Isaac também lembra que a Febraban participa do Projeto Tentáculos, parceria criada em 2007 entre a Federação e a Polícia Federal para centralizar todas as notícias-crime de fraudes em um repositório único de dados, acordo que passou a ser ao longo dos anos uma referência interna e externa de cooperação público/privada no combate às fraudes bancárias eletrônicas. Nos últimos cinco anos, foram deflagradas cerca de 200 operações e cumpridos 445 mandados de busca e apreensão, além de 81 prisões.
Segundo informações do portal Terra, vinculado à conta gov.br, o Celular Seguro também tem uma versão para computador. A recomendação, claro, é que o app seja instalado tanto no próprio aparelho do usuário quanto em outros dispositivos (seus ou de seus familiares, por exemplo), que são usados para realizar o bloqueio em caso de roubo. O software também tem um sistema de pessoas de confiança, que devem ser registradas para bloqueio dos dispositivos.
De acordo com o secretário-executivo do MJSP, Ricardo Cappelli, aplicativos bancários e os próprios aparelhos, através do IMEI, serão os primeiros bloqueados no lançamento do Celular Seguro. Na sequência, atualizações do software vão permitir também a suspensão de linhas telefônicas, mensagens de texto e outros apps.
Além da Anatel, instituições como o Banco do Brasil, Bradesco, Uber, Caixa, Inter, Sicoob e Sicredi fazem parte dessa etapa inicial. Ainda, o aplicativo do governo federal conta com o apoio da ABR Telecom (Associação Brasileira de Recursos em Telecomunicações), que é responsável pela portabilidade de números.
Saiba
Informações de como usar o Celular Seguro podem ser adquirads por meio do link https://www.gov.br/gestao/pt-br/assuntos/noticias/2023/dezembro/celular-seguro-ja-esta-disponivel-no-gov.br






