A necessidade da coalização nacional ficou ainda mais latente quando foram apresentados dados do estudo clínico realizado pelo Instituto Butantan, relacionados à vacina denominada Coronavac. Dados estes, inclusive, cujos índices estariam sendo tecnicamente descontextualizados e indevidamente utilizados em comparação a vacinas de outros titulares, numa espécie de ranking contraproducente.
Para que o Brasil e países de todo o mundo sejam bem-sucedidos na desafiadora missão de extirpar o novo coronavírus do protagonismo do nosso dia a dia, sem ainda maiores percalços, repercussões e reflexos multissetoriais, as vacinas — sejam elas quais forem — não podem ser politizadas, muito menos pinçadas a um cenário de polarização. Isso em nada irá ajudar.
Poderia ser qualquer outra vacina ou fornecedor (e que venham mais), mas a Coronavac está ao alcance do Brasil em quantidades alvissareiras, maiores que a oferta disponível internacionalmente — ou passível de produção — até o momento. Não se pode fechar os olhos para o fato de que a demanda é global: todos os países estão na corrida pelo imunizante.
Atribuir uma suposta nacionalidade à vacina e, a partir da sua origem produtiva, polarizá-la ideologicamente, ou mesmo politizar sua importância, seria desvirtuar seu propósito. Não importa se a vacina é chinesa, inglesa, americana, russa, ou mesmo híbrida, em coprodução brasileira. A implementação no Brasil da vacinação com a Coronavac, em conjunto ou não com outras tantas vacinas, como a Pfizer, a Moderna, a Sputnik V, e a AstraZeneca, tem um único e comum objetivo: salvar a vida de milhões de brasileiros no menor prazo possível.
A vacinação no Brasil carece de imparcialidade e harmonia entre os poderes da República, os Estados-membros e a União, órgãos e entidades diversas, e a sociedade em geral.
Justamente por isso, e não por qualquer preferência ou interesse, é importante propiciar clara compreensão acerca de determinados dados técnicos da Coronavac — a vacina que está no “olho do furacão”, neste momento crucial.
O mundo está fazendo história também ao criar uma vacina num prazo recorde de tempo, para enfrentar aquela que é uma das maiores crises pandêmicas da história. E esse esforço deve ser valorizado e replicado em outros casos de doenças ainda mais graves.
A existência hoje de vacinas contra a Covid-19 é uma verdadeira lição de que nada é impossível e nada supera a união e o intercâmbio de esforços. Por isso o Brasil carece de uma coalização nacional harmônica, interpoderes e federativa, para o enfrentamento de um inimigo comum: a Covid-19. Tudo num contexto de imparcialidade e comunhão de esforços, não só entre o poder público, mas também com a adesão de órgãos e entidades diversas, e principalmente da sociedade em geral.






