Após um quadrimestre de recordes nas vendas –que elevaram a mais de 12,5% o faturamento no comércio local em relação ao ano anterior–, dados da pesquisa de intenção de compras do consumidor divulgados ontem pelo Ifpeam (Instituto Fecomercio de Pesquisas Empresariais do Amazonas) indicam que esse volume de negócios ampliou para 13,4% em maio, podendo alcançar 13,8% até o fim deste mês.
A pesquisa aponta ainda que a média de crescimento mensal do varejo amazonense apresentou pequena oscilação positiva saltando dos 4,21% até abril para 4,24% registrados em maio. Os setores de calçados (19%), utilidades domésticas (16%) e de material de construção (15%) encabeçaram o ranking dos mais procurados durante o período analisado.
O assessor econômico da Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), José Fernando Pereira da Silva, afirmou que a oferta de crédito foi uma vez mais o fator responsável pelo acesso dos consumidores a produtos de maior valor agregado, servindo como catalisadora para o aumento na projeção de vendas para o primeiro semestre. O economista frisou que a perspectiva de aumento do juro básico continua não afetando o desejo de compra do consumidor local, mas não afastou o possível impacto em médio ou longo prazo no volume de gastos. “O comércio amazonense passa por uma fase de expansão de investimentos, por isso esse desempenho espetacular nos números. Foi justamente essa média de crescimento mensal de 4,2% que nos levou a estimar, para a primeira metade do ano, o percentual de 13,8% em crescimento nas vendas”, admitiu.
Presente desde o início do ano entre os itens mais procurados, a venda de materiais de construção vem descrevendo uma curva crescente nos negócios.
De acordo a Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção), o setor de materiais de construção apresentou aumento de 6,49% nas vendas em maio em comparação ao mês anterior. Os grandes responsáveis por este resultado positivo, segundo a entidade, foram os materiais de base, como tijolo, areia e cimento.
Renda
mensal
O diretor de relações institucionais da Aceb (Associação Comercial e Empresarial do Brasil), Irineu de Ascenção, atribui a alta das vendas de materiais de construção ao melhor poder aquisitivo das pessoas, situação que vem se consolidando desde o ano passado. “A renda mensal da população brasileira viveu um importante momento de ascensão em 2007. Podendo contar com um dinheiro a mais no fim de cada mês, após suprir as necessidades básicas da família, grande parte das pessoas pensam em reformas necessárias para garantir a comodidade de todos. No Amazonas, essa realidade não é diferente”, ressaltou o empresário.
Material de construção tem boa performance em maio
Para o consultor econômico Wastony Bittencourt, entretanto, além da reforma da casa, outro fator contribuiu com o aumento nas vendas de materiais de construção: o incentivo à construção civil, através do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), lançado pelo governo federal em 2007. No entendimento do especialista, enquanto ferramenta que aumentou o volume de crédito habitacional, ajudou o trabalhador amazonense a financiar a compra ou a construção da casa própria. “Com o incentivo ao crédito, o aumento do salário mínimo e a diminuição do desemprego, muitas pessoas estão conseguindo o financiamento, aumentando a procura por residências e, consequentemente, as construções de casas e edifícios”, explicou.
Mas, apesar dos bons ventos para o comércio local, a carga tributária elevada que influencia no valor final do produto ao consumidor foi a reclamação da maioria dos lojistas entrevistados. Segundo o empresário Álvaro Catanhede, não há como não repassar esse volume de tributos para o consumidor sem sofrer prejuízos. “Os clientes fogem de preços altos e, com a concorrência dos importados paraguaios, fica impossível obtermos lucros”, reclamou.
Carga
tributária
A reclamação do empresário é respaldad






