No Amazonas, representantes do comércio descartam queda no nível de pedidos do setor para a indústria e dizem acreditar em resultado ‘razoável’ para este ano.
A dúvida na relação compra e venda entre comércio e indústria foi levantada em matéria publicada ontem, 24, no jornal O Estado de S. Paulo, quando o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, declarou que as encomendas para o Natal nas indústrias do PIM estão a ‘conta-gotas’ e o volume de pedidos pode recuar, no caso de produtos como condicionadores de ar do tipo split e aparelhos de som, além de cair até 25% em relação ao ano passado, no caso das motocicletas. O texto apontou os estoques elevados do comércio como um dos motivos que deixaram o ritmo de encomenda mais lento este ano.
O presidente da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag, discorda do dirigente. “Os pedidos não vão se modificar. O estoque da indústria é que ainda está sendo ajustado e por isso elas -as fábricas- têm pressa em vender, mas nós do comércio só iremos intensificar os pedidos a partir do próximo mês”, defendeu.
O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra, também disse não acreditar em excesso de estoque e no esfriamento das encomendas como consequência.
“Vamos continuar vendendo. O que estamos verificando e que deve ser uma tendência é a cautela. Ninguém fará pedidos absurdos porque comerciante nenhum quer se arriscar. Mas, isso não vai comprometer o Natal de nenhum dos dois setores”, apostou.
Já o economista e vice-presidente da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, lembra que este ano já houve um momento em que o nível de estoque estava bem acima da média e que a indústria e o comércio não conseguiam ‘desencalhar’ produtos de praticamente nenhum segmento, em especial motocicletas e automóveis.
“Tudo estava ligado à crise de consumo, com os índices elevados de inadimplência e endividamento familiar, e o trabalhador sem crédito para novas compras”, explanou.
Análise
O presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Ailson Rezende, explica que, em se tratando de estoque, os produtos comprados antes das desonerações na folha de pagamento imprimidas pelo governo federal não podem ser vendidos pelo mesmo valor dos desonerados.
“Ou seja, se uma fábrica gastou menos para produzir determinado item, ela tem que passá-lo para o comércio por um preço menor. O que ocorre é que ainda existem nas fábricas e nas lojas produtos encarecidos pelos tributos anteriores e que precisam ser escoados. E são esses itens especificamente que têm atrasado os pedidos, mas não podemos generalizar”, complementou.
Segundo ele, as medidas de estímulo ao financiamento ainda devem surtir efeito a tempo do Natal. “Mesmo abaixo do ano passado, a indústria deve reagir em breve e puxar junto com ela, o varejo especialmente de motocicletas”, encerrou.
Controvérsia
Questionado pelo Jornal do Commercio, Périco reafirmou acreditar na queda das encomendas, mas acrescentou que os níveis de pedidos devem variar de acordo com o produto “acréscimo de 8% a 10% no volume de pedidos de televisores LCD e telefones e redução de 20% a 25% nas motocicletas”, projetou.
Ele se apoia em dados dos indicadores da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), que apontam para faturamento de US$ 20,74 bilhões nos sete primeiros meses do ano, 10,62% a menos em relação ao mesmo intervalo do ano passado.
Périco faz coro com outros representantes do segmento que dizem não ser possível atingir a marca de US$ 41 bilhões em faturamento conquistada pelo PIM em 2011.






