Venda de carros novos tem leve alta no Amazonas

Em: 7 de dezembro de 2022

As vendas de veículos novos no Amazonas recuperaram velocidade em novembro, mas se sustentaram quase que exclusivamente em motocicletas e caminhões. Os emplacamentos somaram 6.500 unidades em todas as categorias, sendo que 75,65% do total veio de Manaus (4.917). O resultado superou em 7,99% a marca do mesmo mês de 2021 (6.019), em performance 9,87% melhor do que a de outubro de 2022 (5.916). Foi suficiente para segurar o acumulado do ano com alta de 23,50% e 60.261 unidades comercializadas –em que pese o impacto da segunda onda de Covid-19 na base de comparação.

Os números são da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), que se amparou nos emplacamentos do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), que levam em conta todos os tipos e veículos, incluindo automóveis convencionais, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas. Vale notar que os dados locais devem ser levados também sob a perspectiva do transit time (tempo de trânsito) entre faturamento e emplacamento, um hiato que pode durar 30 dias, em virtude da logística de translado entre as fábricas do Centro-Sul e as concessionárias no Estado.

Conforme o levantamento, o desempenho do Amazonas foi melhor do que o da média nacional nas variações mensal e acumulada, embora o comparativo com o mesmo mês do ano passado tenha apresentado alta mais robusta para o restante do país. Novembro teve 342.888 unidades licenciadas, o que representou um progresso de 8,22% na comparação com outubro (316.843). Mas, o resultado foi 15,79% superior ao dado de 12 meses atrás (296.140), carreando o acumulado dos 11 meses iniciais do ano (3.300.512) para uma elevação de 4,47%. A Fenabrave comemorou o resultado e manteve suas projeções para este ano –que indicam crescimento de até 4% ante 2021. 

Automóveis x motocicletas

Quatro das sete categorias listadas pela Fenabrave registraram melhora de vendas no Amazonas, na variação mensal de novembro. O melhor desempenho proporcional veio dos implementos rodoviários, segmento minoritário que teve elevação de 166,67%, com 32 unidades comercializadas. Na sequência vieram motocicletas (+19,23% e 4.414), comerciais leves (+13,37% e 424) e caminhões (+8,57% e 114). Em contraste, ônibus (-38,46% e 16) e automóveis (-11,87% e 1.462) amargaram quedas, enquanto o subsetor de “outros veículos” –que inclui tratores e máquinas agrícolas –estacionou. 

O número de categorias com expansão de vendas é o mesmo, quando se leva em consideração o confronto com novembro do ano passado. Implementos rodoviários (+146,15%), motos (+32,31%), “outros veículos” (+26,67%) e caminhões (+20%) aparecem no azul, ao passo que ônibus (-69,23%), comerciais leves (-33,33%) e automóveis (-21,27%) despontaram no extremo oposto. Em 11 meses, a expansão ainda é uma realidade apenas para veículos de duas rodas (+58,60%) e carros (+1,54%). 

A confirmação de mais um mês de crescimento nas vendas apenas para as motocicletas garantiu que estas voltassem a suplantar os veículos de quatro rodas no ranking das categorias veiculares mais comercializadas no Amazonas. A participação das motos no bolo de vendas do Amazonas continuou predominante, avançando de 46,91% para 60,25%, entre novembro de 2021 e o mês passado. Em sentido contrário, a soma dos automóveis e comerciais leves voltou a reduzir sua fatia na mesma comparação, com 36,23% (2022) contra 47,36% (2021).

Dados fornecidos pela Fenabrave indicam que as motocicletas Honda CG-160 e Honda Biz e o automóvel Renault Kwid estão entre os tipos de veículos mais procurados no Amazonas, sendo responsáveis por fatias de 47%, de 21% e de 31%, em suas respectivas categorias. Foram seguidos pelo carro Chevrolet Onix Plus (16%), e pelas motos Honda Pop 110i (13%) e Yamaha Fazer 250 (7%), entre outros modelos de duas e quatro rodas.  

Zerando estoques

O gerente geral da Cometa Motocenter, Agno da Silva Montalvão, ressaltou que o arrefecimento da pandemia ajudou a aquecer as vendas na loja de Manaus, em uma demanda crescente –e uma fila constante de consumidores dispostos a adquirir motocicletas, durante a maior parte do ano. O dirigente, mencionou que os descontos no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) ajudaram a inflar ainda mais a procura, assim como a relativa melhora na economia durante o terceiro trimestre. 

“Neste mês, a tendência é desacelerar um pouco, em função da quantidade de jogos do Brasil na Copa do Mundo, e menos dias úteis. Também teremos as férias coletivas da fábrica da Honda, mas acredito que será  oportuno para a gente zerar nosso estoque e começarmos o ano aptos a receber os modelos 2023. A empresa tem uma expectativa de crescimento de 10%, no próximo ano. É claro que cada cidade vai ter seu número específico, mas Manaus é uma praça que está no radar da Honda, então é natural que cresça um pouco”, ponderou. 

Em entrevista anterior à reportagem do Jornal do Commercio, o sócio diretor da Kodó Veículos, Diogo Augusto Maia da Silva, informou que as vendas estacionaram a partir de setembro. O empresário ressaltou que, mesmo com incentivo tributário sobre o preço do combustível e desconto de IPI no preço dos carros, o movimento deu “uma paradinha”. O empresário atribuiu a estagnação principalmente às incertezas inerentes às eleições e seu resultado, mas confirmou que a oferta praticamente normalizou. Ele acrescentou que a alta dos preços, a escalada dos juros e as restrições bancárias ainda são gargalos que inibem as vendas, especialmente de “carros populares”.

Desabastecimento e juros

Em comunicado à imprensa, o presidente da Fenabrave, José Maurício Andreta Júnior, salientou que todo o setor de revenda de veículos tem tido “resultados consistentes”, e em linha com as condições de mercado e a disponibilidade de produtos. O dirigente, no entanto, não deixou de destacar que o segmento de motocicletas já superou 1,2 milhão de emplacamentos no ano, e tem tido o melhor do que as demais categorias automotivas. 

“As motos estão com demanda aquecida também para os próximos meses. No geral, o setor, como um todo, está caminhando para fechar com o resultado que prevíamos”, amenizou. “O resultado de dezembro é excelente, especialmente ao levarmos em conta o contexto de todo o ano, que apresentou desafios decorrentes da crise de abastecimento, juros mais altos e seletividade no crédito”, finalizou.

Por Marco Dassori

Twitter: @marco.dassori

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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