Em novembro, as vendas de motocicletas nas concessionárias voltaram a crescer, registrando alta de 9,2% em relação a outubro, de acordo com dados da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares).
A produção também teve um acréscimo, aumento de 6,5% frente a outubro. No acumulado, este dado aumentou 17,9%, gerando 1.719.073 unidades, contra 1.458.438 de mesmo período do ano anterior.
No décimo mês do ano, o setor havia obtido, depois de cinco meses, a primeira queda nos números de venda e produção, percentual 6,8% e 7,1% inferior, respectivamente, em confronto ao mês imediatamente anterior.
Mas agora, segundo a entidade, o mercado de motocicletas deve fechar o ano com números de 1.818.000 unidades em produção, ante os 1.539.473 de 2009. Para as vendas, este saldo deve ser de 1.827.000, diferença de 247.803 frente ao do ano passado (1.579.197 unidades).
No caso da região Norte, o diretor executivo da Associação, Moacyr Paes, fala que as vendas cresceram gradativamente. Enquanto em 2008 as vendas no mercado chegavam a 9,8%, em 2009 este percentual passou para a faixa de 10% e, em 2010, a alta foi de 10,36%. Paes comenta que já existem cidades na região onde a frota de motos é superior a de caminhões e carros. “É um meio excessivamente barato, de baixo custo”, detalhou.
Mesmo com a queda do dólar, as importações representam hoje menos de 1% no mercado, segundo o diretor.
Ele diz que a ZFM (Zona Franca de Manaus), de certa forma, supre esta necessidade, produzindo motocicletas de baixa, média e alta cilindrada. “Além do mais, quando você importa a carga tributária é muito alta”, destacou.
Previsões apontam crescimento
Para 2011, Paes conta que deve haver um crescimento de 9,5% no segmento, resultando em um número total de 2 milhões de unidades vendidas no mercado interno. Enquanto isso, a produção deve aumentar 13,13%, o que equivale a 2,60 milhões de unidades. Por outro lado, as exportações, que tiveram um aumento de 24,15% no mês em comparação a igual período do ano anterior, com 7.127 unidades contra 5.729, devem sofrer uma queda de 14,3% no ano de 2011.
“Você tem alguns fatores que influenciam como a taxa cambial, que não sabemos como vai se comportar. Além da concorrência e dos problemas de logística”, enfatizou. Após anúncio realizado no dia 03 de dezembro pelo Banco Central, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu que as taxas de juros de empréstimos vão subir por causa do aumento do compulsório e da exigência de capital dos bancos em relação ao risco dos financiamentos. Segundo o diretor, esta ainda é uma notícia muita nova para avaliar o choque.
“Não há elementos para dizer se vai refletir negativamente, é prematuro fazer qualquer comentário pra tentar definir o impacto”, frisou.
De acordo com o consultor e economista, Alex Del Giglio, com menos crédito disponível, os agentes econômicos irão consumir menos, fazendo com que a pressão inflacionária diminua. No entanto, todos os setores que dependem de crédito para as vendas podem ser afetados.
“O PIM deve ser prejudicado, pois produtos como motocicletas, além de televisores e aparelhos de celular, por exemplo, dependem de crédito”, finalizou.






