A revenda de veículos automotores no Amazonas desacelerou na passagem de maio para junho, mas se manteve em alta em relação aos resultados do ano passado, conforme dados divulgados nesta quarta-feira (3), pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).
O total de veículos vendidos no Estado em junho (4.560 unidades) ficou 7,28% abaixo do quantitativo apresentado em maio de 2019 (4.918) e 19,65% acima do número registrado no mesmo mês do ano passado (3.811). No semestre, as concessionárias do Amazonas passaram de 22.489 (2018) para 25.356 (2019), e acumulam alta de 12,75% em relação ao mesmo período do ano passado.
As vendas levam em conta automóveis convencionais, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas. A desaceleração mensal do Amazonas foi menos intensa do que a registrada na média nacional (-11,71%) e o percentual de crescimento em relação a junho do ano passado também foi maior do que o resultado brasileiro (+10%). Mas, o Estado ficou levemente abaixo dos números do país no acumulado do semestre (+13,45%).
Todas as sete categorias registraram retração entre maio e junho. Os piores resultados vieram de implementos rodoviários (-13,21%) e “outros” (13,33%), e o melhor, de motos (-4,94%). No confronto com junho de 2018, apenas ônibus (-44,74%) e “outros” (-27,78%) venderam menos, enquanto implementos rodoviários (+360%) e caminhões (+127,03%) colheram os melhores números. No acumulado, todos os segmentos se mantêm no azul, com destaque para implementos rodoviários (+180,30%) e caminhões (+99,02%).
A categoria de automóveis convencionais teve o maior número absoluto (2.271) das vendas de junho, embora sua fatia no bolo tenha recuado entre um ano e outro – foram 47,73% (2019) contra 50,14% (2018). As motocicletas (1.618) vieram em segundo lugar, tendo aumentado sua participação de 34,72% (2018) para 37,15% (2019). Ônibus estiveram entre os menores números (21 unidades) de junho, respondendo por apenas 0,46% do total.
Dias uteis
O conselheiro fiscal Sincodiv-AM (Sindicato das Concessionárias e Distribuidoras de Veículos do Amazonas), Ramses Leão, reforçou que a queda sazonal dos números de junho em relação a maio já era esperada pela entidade, dado o menor número de dias uteis e o fato de o Festival de Parintins contribuir para o esvaziamento das vendas do varejo de Manaus.
“Teremos um desempenho melhor em julho, que conta com 25 dias uteis, levando o número das vendas de volta à casa dos 3.000. E, no caso das motocicletas, os números serão melhores, dado aumento de disponibilidade de crédito e a entrada de novos bancos nesse segmento, embora a inadimplência se mantenha elevada”, analisou.
O dirigente, que também é diretor do grupo Braga Veículos, estima que as vendas devam se manter em alta ao longo do semestre, levando as concessionarias de veículos do Amazonas a encerrarem o ano com alta de 8% a 10%. O otimismo é baseado principalmente na decisão do Banco Central de reduzir alíquotas dos compulsórios para liberar crédito bancário, medida anunciada na semana passada.
Leão salienta também que o mercado regional tem um componente de vantagem em relação ao seu similar nacional, que ajuda a alavancar as vendas, apesar de o percentual de operações a crédito ser um pouco mais elevado proporcionalmente – 85% contra 80%, em média, respectivamente.
“Localmente, temos uma situação atípica, dados os incentivos da ZFM para a venda direta, principalmente para empresas ‘suframadas’. Essa fatia corresponde a 15% 20% do total dos números do Amazonas e é significativa para compensar oscilações nos resultados do showroom”, explicou.
Revisão pessimista
O presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, concorda que o desempenho negativo em junho, em nível nacional, também se deve aos dias úteis a menos. “Tivemos 19 dias úteis em junho, contra 22 dias úteis em maio. Foram três dias úteis a menos. No mesmo mês, porém, as vendas diárias cresceram 2,23%”, ponderou o dirigente, em texto postado no site da entidade.
Já o resultado positivo no semestre, conforme o presidente da Fenabrave, está relacionado ao período sem eventos adversos. “No primeiro semestre do ano passado, fomos afetados pela greve dos caminhoneiros e pela Copa, que impactaram as vendas do setor”, ressaltou.
Apesar dos resultados positivos do semestre, as projeções de crescimento foram revistas para baixo, de 10,7% para 9,17%. “Eu levaria em conta a queda de confiança do consumidor e a expectativa com as reformas. Quando fizemos a última expectativa, estávamos em um cenário mais positivo”, arrematou.






