A demanda nas concessionárias amazonenses de veículos zero prosseguiu perto do ponto morto, em outubro. Sustentado pelas vendas de comerciais leves, ônibus e motocicletas, o setor somou 9.070 unidades comercializadas no mês, resultado apenas 1,92% melhor do que o de setembro (8.889), que teve um dia útil a menos. O confronto com outubro de 2024 (7.566), por outro lado, apontou praticamente um empate (-0,18%), em mês negativo para o segmento de automóveis. Ainda assim, o acumulado do ano (79.815) fechou com 6,90% de elevação sobre igual intervalo do ano passado (74.663), com resultados positivos em praticamente todos os segmentos – com exceção dos ônibus.
Manaus concentrou 79,76% (7.234) das vendas do Estado durante o mês passado e 78,20% de participação nos seus resultados parciais do ano (62.417). Os números são da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), que se amparou nos emplacamentos do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores) de automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas. Os dados locais devem ser levados sob a perspectiva do transit time (tempo de trânsito) entre faturamento e emplacamento – que pode durar 30 dias, em virtude da logística de translado.
A média nacional apresentou números melhores. Outubro registrou licenciamento de 493.343 veículos em todo o país, desempenho 4,84% superior ao de setembro (470.563) e 8,96% acima do patamar de 12 meses atrás (452.785). No ano (4.193.555), o acréscimo nas vendas foi de 7,63%. Em comunicado à imprensa, a Fenabrave destacou que o acumulado até outubro já mostrou resultados “bastante próximos” à meta para 2025, “na maior parte dos segmentos”. O resultado geral até supera a projeção (+7,20%), puxado pelo segmento de motocicletas, mas a entidade não divulgou correções em suas metas.
Automóveis x motocicletas
Quatro das sete categorias venderam mais, em relação a setembro. O melhor desempenho proporcional veio dos ônibus, que alavancaram o volume comercializado em 42,11%, com a saída de 27 unidades. Comerciais leves/utilitários (+16,02% e 1.130), “outros veículos” como tratores, máquinas agrícolas e carretas (+15,38% e 60) e motocicletas (+1,43% e 5.329) vieram logo em seguida. Na outra ponta, implementos rodoviários (-23,44% e 49), caminhões (-8,40% e 109 unidades) e automóveis (-2,11% e 2.366) amargaram quedas.
Os desempenhos positivos vieram na mesma quantidade, na comparação com setembro do ano passado, incluindo caminhões (+32,93%), “outros veículos” (+17,65%), comerciais leves (+8,03%) e motocicletas (+4,22%). Em sentido inverso, estão os ônibus (-61,97%), implementos rodoviários (-22,22%) e automóveis (+11,05%). Em contrapartida, o aglutinado do ano foi positivo para quase todas as categorias, principalmente os comerciais leves/utilitários (+23,28% e 9.925), e incluindo os majoritários automóveis (+10,04% e 21.069) e motos (+2,26% e 46.391). A única exceção veio dos ônibus (-15,95% e 369).
Os veículos de quatro rodas voltaram a diminuir a diferença em relação às motocicletas no ranking das categorias veiculares mais comercializadas no Amazonas. A participação das motos no bolo de vendas do Amazonas continuou predominante no aglutinado do ano, mas caiu de 60,76% (2024) para 58,12% (2025) no confronto com igual intervalo do exercício anterior. Em paralelo, pelo 21º mês consecutivo, a soma dos automóveis e comerciais leves aumentou sua fatia na mesma comparação, com 38,83% (2025) contra 36,43% (2024).
De acordo com a base de dados da Fenabrave, os cinco modelos de veículos mais comercializados no Amazonas, nos primeiros dias deste mês, são motocicletas. A lista inclui Honda CG 160 (289 unidades), Honda Biz (155), Honda Pop 110i (123), Honda NXR160 (66) e Yamaha YBR 150 (58). O ranking do ‘top ten’ amazonense se completa com o utilitário Chevrolet S10 (51), as motocicletas Yamaha Fazer 150 (49), Honda XRE 190 (42), e os automóveis Chevrolet Onix (33) e Volkswagen Saveiro (32).
Banco próprio
O maior obstáculo ao crescimento continua sendo o acesso e o custo do crédito. Em um ambiente econômico de Selic a 15% ao ano, a taxa média dos financiamentos de veículos é de 28% a 29,5% ao ano, conforme o Banco Central. Concessionárias que trabalham com banco próprio e clientela de maior poder aquisitivo vêm enfrentando menos dificuldades. “Nosso índice de aprovação de crédito é bem elevado: de 85%. A montadora tem banco próprio e tem oferecido condições bem vantajosas, com taxas reduzidas de até 0%, dependendo da entrada, que pode ser de 50% ou mais”, relatou a diretora geral da loja Garcia Veículos, Silvana Semen, em entrevista recente à reportagem.
Segundo a executiva, em torno de 90% das vendas envolvem trocas de seminovos, de dois a três anos de uso, por um zero-quilômetro. “E o cliente geralmente acaba trocando um Chevrolet por outro Chevrolet”, acrescentou.
A situação é semelhante no nicho de veículos híbridos e elétricos, onde a demanda é ainda mais selecionada. “Trabalhamos com taxa de 0%, em até 36 vezes, sendo que o mercado oferece 1,6% por mês. A entrada é de 60% do valor do veículo, embora os bancos exijam mínimo de 20%. A maioria do nosso público tem ticket médio de R$ 200 mil, o que foge da média do varejo, além de contar com nível de avaliação de crédito muito melhor. As perspectivas para os próximos meses são positivas. O último trimestre do ano é mais atrativo e devemos fechar 2025 com alta de 15%”, frisou a gerente comercial da GWM Revemar, Ariane Carvalho, também em entrevista recente à reportagem.
“Carro Sustentável”
Em comunicado à imprensa, o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, ressaltou que outubro teve um dia útil a mais do que em setembro, e isso fez diferença, entre outros fatores. “Observamos também o crédito operando de forma mais funcional, o que tem ajudado a converter intenção em venda. E um ambiente de políticas públicas que favorece eficiência e competitividade no tíquete de entrada, como o Programa Carro Sustentável, que reduziu ou zerou o IPI para compactos nacionais de maior eficiência”, avaliou.
Segundo o dirigente, os emplacamentos de automóveis e comerciais leves poderiam ser melhores, não fossem “as altas taxas de juros”. “Apesar desses entraves, notamos que o Programa Carro Sustentável tem sido positivo para os segmentos, alavancando as vendas dos veículos contemplados, e aumentando o fluxo de loja das concessionárias. Desde o início do programa, tivemos um crescimento acumulado de 26,10% nos veículos participantes, comprovando o sucesso da iniciativa”, salientou.
Arcelio Junior reiterou também que as motocicletas ainda mantêm “ritmo forte” de crescimento, devendo bater recorde histórico em 2025, com 2.157.288 unidades emplacadas e expansão de 15%. Na análise do presidente da Fenabrave, 80% são de veículos de até 160 cilindradas. “O subsetor segue em patamar historicamente elevado, impulsionado pelos serviços de entrega, muito demandados desde a pandemia. Isso, além do custo de posse competitivo em relação ao transporte coletivo. Atualmente, as motos têm sido o segundo veículo em muitas famílias”, encerrou.






