A CDL-Manaus projeta crescimento de 3% para as vendas de Páscoa. A receita bruta aguardada é de R$ 63 milhões, com ticket médio de R$ 170. A taxa de expansão é inferior à do ano passado (+4%), embora a comparação com o dado do valor médio das vendas (R$ 160) mostre elevação. Mesmo diante do aumento do custo de vida e das taxas de crédito, 78% dos manauaras ouvidos na pesquisa de intenção de compras da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus garantem que vão comprar algum produto para presentear. É um percentual já maior do que o verificado em 2025, quando 73% declaravam o mesmo.
Em síntese, o manauara espera comprar principalmente ovos de chocolate (58%), preferencialmente em hipermercados (43%) e pagando à vista. Diante da expansão da demanda potencial, o varejo aumentou o volume de compras em 5,71%. No ano passado, a oferta não passou de 35 mil toneladas de chocolate em produtos diversos para a data comemorativa, configurando queda em relação ao exercício anterior. Neste, os comerciantes adquiram 37 mil toneladas. Em paralelo, a despeito do desarranjo macroeconômico e da maior dificuldade de encontrar mão de obra disponível, a oferta de empregos temporários cresceu 8%, na comparação de 2026 (270) com 2025 (250).
Manaus segue a tendência do país. Segundo a CNDL, 106,8 milhões de brasileiros devem ir às compras, 4,09% a mais do que em 2025. O texto da pesquisa da CDL-Manaus destaca, no entanto, que o cenário é de elevação nos preços dos chocolates e redução na oferta, refletindo a alta no custo do cacau – impactado por adversidades climáticas – e da demanda por produtos com certificação sustentável. Medido pelo IBGE, o IPCA-15 mostra que o chocolate para a Pascoa ficou 24,9% mais caro no Brasil em 2026. Os motivos para tanto estão no reflexo defasado da crise de safra (2024-2025) e dos custos logísticos, forçando a indústria a reduzir o tamanho dos produtos.
Preferências do consumidor
Quase oito em cada dez entrevistados da CDL-Manaus confirmaram intenção de compras para esta Páscoa. Diferente do ocorrido nos anos anteriores, não foram apontados os principais motivos para essa escolha. A fatia dos consumidores que a avisam que vão passar longe do comércio durante a Páscoa também cresceu, pontuando 22% (2026) contra 18% (2025), em uma lista sem indecisos. As principais justificativas para evitar os gastos são os “preços elevados” (53%) e a falta de dinheiro (37%). Foram citadas ainda “outras prioridades” (29%), “alta de costume (12%), decisão de confeccionar os próprios produtos (3%), e desinteresse em presentear (2%).
Filhos e filhas (49%), pais/mães (46%) e cônjuges (37%) encabeçam a lista de presenteados. Na sequência estão irmãos e irmãs (28%), namorados e namoradas (17%), sobrinhos e sobrinhas (14%), amigos e amigas (6%), netos e netas (5%), “outros” (4%), “colegas” (3%), professores e professoras (2%), afilhados e afilhadas (2%), enteados e enteadas (1%). Uma fatia significativa de 20% dos consumidores diz que a compra será para o próprio consumo. Diminuiu a proporção de manauaras que escolhem comemorar na própria casa (42%), em sentido contrário ao verificado nos grupos que escolhem casas de parentes (30%), casa dos pais (19%), e “em viagem” (7%).
Mesmo tradicionalmente mais caros, os ovos de chocolate (58%) ainda lideram a preferência do público, embora tenham perdido musculatura em relação à Pascoa de 2025 (61%). Caixas de bombons (52%), ovos caseiros (45%), barras de chocolate (39%) também são bem votados. Cestas personalizadas (26%), colomba pascal (15%) e “outros” itens não destalhados (9%) completam a lista. A CDL-Manaus informa que as respostas deste, assim como de outros quesitos da sondagem, não “fecha em 100%”, porque a pergunta foi de múltipla escolha. As faixas de gastos prioritárias são as que vão de R$ 101 a R$ 200 (45%) e até R$ 100 (33%). Mas há também quem pretende aumentar seus dispêndios para $ 201 a R$ 400 (13%) e 9% ainda estão indecisos.
As formas de pagamento à vista, como Pix (45%) e dinheiro (34%) e cartão de débito (31%) são as prediletas dos entrevistados, para fugir dos juros e do risco de engordar as listas de endividados e cair na inadimplência. O cartão de crédito, à vista (18%) e parcelado (27%), vem em seguida e a cota de indecisos não passa dos 4%. Os locais de compras preferenciais são hipermercados (43%), shoppings (28%), confeitarias (25%), comércios de bairros (18%), redes sociais e internet (12%) e o tradicional varejo do Centro (11%), além de “outros” locais não especificados (2%).
Desejo e restrição
Em depoimentos anteriores, o presidente da CDL Manaus, Ralph Assayag, já havia mencionado que o varejo da capital amazonense vem se adaptando às dificuldades macroeconômicas para continuar a oferecer produtos para época, mediante valores acessíveis à clientela. O dirigente confirmou esse entendimento, reforçando a importância da Páscoa para o setor, mas não deixou de enfatizar também que o significado da data comemorativa, assim como ocorrido no Natal, está na oportunidade de confraternização entre amigos e familiares.
Em texto distribuído por sua assessoria de imprensa, o presidente da CNDL, José César da Costa, avalia que, justamente por isso, o cenário para a Páscoa de 2026 apresenta um “paradoxo” na atual conjuntura econômica. “Embora haja um desejo latente de celebrar e presentear, o componente de restrição financeira está mais forte do que nunca. Para quem vai às compras, a cautela deve ser a palavra de ordem, é fundamental que o consumidor faça um planejamento rigoroso e utilize a pesquisa de preços para evitar que a celebração de hoje se torne uma inadimplência prolongada amanhã”, orientou.
Ao mencionar os dados da pesquisa nacional para a data, o dirigente disse que a Páscoa reafirma posição como uma das datas mais vitais do calendário comercial. “O impacto é multissetorial: do varejo de alimentos ao setor de pescados, impulsionado por 49% da população que mantém a tradição de pratos típicos como bacalhau e salmão. O grande desafio para o lojista este ano é a ‘janela de última hora’, já que 45% dos consumidores pretendem comprar apenas na semana do evento. Estratégias de estoque e promoções agressivas nesse período final serão determinantes para capturar clientes”, concluiu.
Boxe ou coordenada: Saiba mais sobre a pesquisa
A pesquisa foi realizada via Google Formulários, por meio de aplicativo de mensagens instantâneas, entrevistas pessoais e ligações, entre 9 e 20 de março de 2026. Foram ouvidas 1.565 pessoas, entre homens (42%) e mulheres (58%), nas faixas etárias de 33 a 40 anos (32%), entre 26 e 32 anos (29%), de 18 a 25 anos (19%), entre 41 e 50 anos (12%) e acima dos 50 anos (8%). A maioria tem renda familiar de R$ 1.801 a R$ 2.500 (27%). Em seguida estão os que ganham entre R$ 2.501 e R$ 4.000 (25%), de R$ 1.412,01 a R$ 1.800 (22%), até R$ 1.412 (16%) e mais de R$ 4.000 (10%). Os entrevistados residem nas zonas Norte (25%), Leste (23%), Oeste (19%), Centro-Oeste (16%), Centro-Sul (9%) e Sul (8%) da cidade.







