A concessionárias amazonenses de veículos zero quilômetro perderam velocidade na virada do ano, em sintonia com a sazonalidade. Mas, registraram o melhor número para janeiro, em nove anos. O volume comercializado pelas empresas despencou 18,08% entre dezembro e janeiro, de 6.683 para 5.475 unidades. A queda foi puxada pelos veículos pesados e motocicletas, em um cenário positivo apenas para implementos rodoviários. A comparação com janeiro do ano passado confirmou alta de 2,15%, sustentada por automóveis e comerciais leves, entre outros.
Os números são da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), que se amparou nos emplacamentos do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores) e levou em conta todos os tipos de veículos – incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas. Vale notar que os dados locais devem ser levados também sob a perspectiva do transit time (tempo de trânsito) entre faturamento e emplacamento, um hiato que pode durar 30 dias, em virtude da logística de translado entre as fábricas do Centro-Sul e as concessionárias no Estado.
O Estado seguiu a média nacional. Janeiro registrou licenciamento de 322.505 veículos em todo o país, com recuo de 19,38% frente ao mês anterior (400.007), e uma escalada de 20,16% sobre o mesmo mês de 2023 (268.405). A Fenabrave destaca que, a despeito do mergulho sazonal, esse foi o melhor número para o mês desde 2015. Nos últimos anos, janeiro vinha registrando volumes médios de pouco mais de 266 mil unidades. Diante disso, a entidade reforçou sua projeção de crescimento de 13,54% nas vendas acumuladas ao final de 2024.
Automóveis x motocicletas
Em janeiro, seis das sete categorias listadas pela Fenabrave amargaram retrações de vendas no Amazonas, na variação mensal. O pior desempenho veio dos caminhões, que desabou 66,67%, com apenas 38 unidades comercializadas. Na sequência estão os ônibus (-49,98% e 25), implementos rodoviários (+34,04% e 31), motocicletas (-21,90% e 3.306), automóveis (-9,01% e 1.505) e comerciais leves (-3,58% e 538). O único dado positivo nesse tipo de comparação veio da divisão de “outros veículos”, como tratores, máquinas agrícolas e carreta (+14,29% e 32).
Os desempenhos foram bem melhores na comparação com o mesmo mês do ano passado, com os crescimentos se estendendo a quatro categorias: ônibus (+31,58%), comerciais leves (+28,40%), automóveis (+15,15%) e implementos rodoviários (+10,71%). Nesse cenário, no entanto, as motocicletas, que carrearam as vendas nos últimos vezes, declinaram 5,35%. Foram acompanhadas por caminhões (-19,15%) e “outros veículos” (-31,91%).
Com isso, as motocicletas diminuíram a diferença em relação aos veículos de quatro rodas no ranking das categorias veiculares mais comercializadas no Amazonas, após anos em trajetória contrária. A participação das motos no bolo de vendas do Amazonas continuou predominante, mas caiu de 65,17% (2023) para 60,38% (2024). A soma dos automóveis e comerciais leves também trocou de sinal e, desta vez, aumento sua fatia na mesma comparação, com 37,32% (2024) contra 32,20% (2023).
Crédito e vazante
Em entrevista recente à reportagem do Jornal do Commercio, o sócio diretor da Kodó Veiculos, Diogo Augusto Maia da Silva, reforça que o setor atravessa vem atravessando momento positivo, desde o lançamento do meteórico programa de incentivo federal, e ganho mais força com as quedas graduais da Selic. “Nosso crescimento foi de 6% a 10% nas vendas, em 2023, comparando com o ano anterior. Já estamos vendo que 2024 está aquecendo, com as taxas mais baixas”, comemorou.
O empresário assinalou que o mercado de pessoas jurídicas segue aquecido e dominante no Amazonas e que, diante do atual cenário, a expectativa é de um crescimento de 10% nas vendas da empresa, neste ano. “As locadoras que sustentam grande parte do mercado, assim como as fábricas. Elas compram o ano inteiro. Estou muito otimista com o que estou vendo, e acho que o ano vai ser excelente. Se tiver flexibilidade no crédito o crescimento é certo e, pelo que se diz, isso vai acontecer. A queda nos juros e no crédito são essenciais para o nosso mercado”, afiançou.
Diogo Augusto Maia da Silva aponta, por outro lado, que a crise da vazante pode ter deixado uma bomba relógio para o mercado, em caso de uma ascensão mais forte na demanda. “As lojas estão cheias, mas muitos modelos específicos já faltam ou demoram. Passamos agora pelo problema da seca: todos os carros ficaram parados no Porto de Belém e travados nas fábricas, sem poder embarcar, já que foi dada prioridade a perecíveis, como remédios e alimentos. Além disso, as férias coletivas das fábricas aumentaram os prazos de entrega”, alertou.
“Melhora no ambiente”
Em comunicado à imprensa, a Fenabrave considerou que o desempenho de vendas foi positivo. “Apesar de estarmos distantes do nosso pico histórico para janeiro, que foi em 2014, quando emplacamos 446 mil unidades, este é um bom resultado, ainda mais ao considerarmos os números dos últimos anos”, ponderou o presidente da entidade, José Maurício Andreta Júnior. “Há uma melhora no ambiente do varejo da distribuição de veículos, com evolução dos índices de emprego, quedas seguidas nos juros oficiais e, principalmente, por conta de um fluxo maior de crédito em diversos segmentos”, emendou.
Andreta Júnior reforça que já seria esperado alguma queda na virada do ano em função da sazonalidade, uma vez que dezembro costuma registrar maior índice de emplacamentos, e reforçou que o ano deve ser de crescimento. “Os primeiros meses do ano concentram algumas despesas que afetam a decisão de compra dos consumidores, como as aquisições de material escolar, pagamentos de IPVA, IPTU e matrículas escolares, entre outros gastos sazonais. Mas, acreditamos, conforme divulgado em nossa projeção, em uma expansão de 13,5% para este ano”, afirma.
Com expectativa de crescer 12% em 2024, os segmentos de automóveis e comerciais leves sofreram influência positiva da maior liberação de crédito no mercado. “O custo e o acesso melhoraram, a partir do último trimestre de 2023. Isso, aliado à expectativa de redução dos juros oficiais ao longo de 2024, tem aumentado a disponibilidade e diminuído a restrição ao crédito, por parte dos agentes financeiros”, apontou o presidente da Fenabrave, acrescentando que a chegada de novos modelos ajudou a consolidar marcas e o aumento exponencial nas categorias de carros eletrificados e híbridos.
Andreta Júnior salienta também que a divisão de motocicletas vem sendo beneficiado por diversos fatores. “Houve a retomada da produção, que enfrentou desafios por conta da seca no Norte do país, ao mesmo tempo em que o crédito para o segmento começou a ter mais fluidez na aprovação dos cadastros. Hoje, o índice de aprovação já está em 40%. Na maior parte de 2023, menos de 30% dos pedidos eram liberados”, concluiu.






