Acompanhando o cenário nacional, as vendas no comércio varejista do Amazonas se manteve em queda e recuaram 11,9% no mês de setembro, em relação a igual mês de 2015. Com mais um resultado ruim para as vendas, o comércio amazonense chegou a vigésima segunda taxa negativa seguida para este indicador e a maior desde junho. Já na comparação com agosto, o volume de queda foi de -2,1%. A receita nominal de vendas no comércio varejista também caiu em setembro. A variação negativa foi de 0,6%. Os dados são da PMC (Pesquisa Mensal do Comércio) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgados ontem (10).
De acordo com o presidente da assembleia geral e do conselho superior da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra, a queda no volume de vendas é reflexo da retração do consumo no Estado. Bicharra comenta que mesmo com datas comemorativas, como o Dia das Mães e Dia dos Pais houve piora no setor.
“O comércio amazonense teve um ano difícil para as vendas, inclusive atingindo datas importantes para o setor, como o Dia das Mães considerado o segundo Natal devido a movimentação em vendas e faturamento que praticamente inexistiu este ano”, disse. A queda no mês de maio atingiu 15,1%. Já em julho, a retração chegou a 7,1% e agosto 9,7%.
Segundo o levantamento, o acumulado em 2016 alcançou -11,6% e -11,1% nos últimos doze meses. Em setembro de 2015 o acumulado era -6,3% e em doze meses registrou -4,8%. A receita nominal de vendas no comércio varejista caiu 0,6% em relação a setembro do ano anterior. Assim, o acumulado no ano e dos últimos doze meses ficaram iguais em -1%. “Este indicador demonstra que a inflação também impacta no indicador de desempenho do comércio, uma vez que sem considerar a variação inflacionária, a queda do indicador é bem menor”, informou o IBGE.
Na avaliação do representante da ACA, mesmo com indicadores negativos, após a entrada do novo presidente criou-se credibilidade aos empresários e consumidores. Para Bicharra, ao que tudo indica haverá melhora nos três últimos meses do ano. “O Dia das Crianças ainda que as vendas tenham sido menores que 2015, a data foi melhor que os meses anteriores e a tendência é positiva para os meses restantes. Novembro, por exemplo, tem Black Friday e o comércio está empenhado em promover diferenças e o consumidor já acredita na data”, analisa. Ele ainda comenta que, normalmente o décimo mês do ano despeja na economia mais de R$200 milhões com pagamentos de 13°salário e abonos. “Estamos confiantes nesse movimento entre novembro e dezembro, esperamos que o comércio reaja e a indústria volte a produzir”, finaliza Bicharra.
Conforme os números do IBGE, o volume de vendas no comércio varejista ampliado, que inclui o comércio normal, vendas de veículos, motos, parte e peças e material de construção, apresentou recuou -13,5% em setembro, na comparação com o mesmo mês do ano passado. O último resultado positivo registrado foi em novembro de 2014, quando houve crescimento de 4%. Ainda segundo os dados, o comércio ampliado no ano alcançou -13,2% e nos últimos doze meses chegou -14,1%. Já a receita nominal de vendas no comércio varejista ampliado retraiu 5,9% em setembro, em relação ao mesmo mês de 2015.
Varejo ainda não dá sinais de que o fundo do poço ficou para trás
O varejo ainda não dá sinais de que o fundo do poço já ficou para trás, confirmou Isabella Nunes, gerente na Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
“Ainda não tem um quadro que possa observar recuperação, nem na margem (comparação com o mês anterior) nem na comparação com (o mesmo mês de) 2015”, ressaltou Isabella.
As vendas recuaram 1,0% em setembro ante agosto. Na comparação com setembro de 2015, a queda foi de 5,9%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgados pelo IBGE.
A pesquisadora do IBGE acredita que a recuperação das vendas só virá quando houver expansão da renda, redução no custo do crédito e inflação sob controle.
No terceiro trimestre, as vendas no varejo recuaram 5,7% em relação ao mesmo trimestre de 2015. No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, a queda alcançou 9,0% no mesmo período.
“As taxas trimestrais recuam há sete trimestres consecutivos, tanto na comparação com o trimestre imediatamente anterior quanto na comparação com o mesmo período do ano anterior”, ressaltou Isabella.
Veículos
O avanço de 2,9% na produção de veículos e motos, partes e peças na passagem de agosto para setembro amenizou a queda no varejo ampliado no período. A redução foi de apenas 0,1%, apesar dos recuos disseminados entre a maioria das atividades pesquisadas. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE.
“O que aparece de melhora são vendas de carros usados, não de carros novos”, ressaltou Isabella Nunes.
Isabella ressalta ainda que, apesar do avanço em setembro, o segmento de veículos vinha de três meses consecutivos de perdas, período em que acumulou uma retração de 7,4%. “(O avanço) Sequer compensa a perda passada de 7,4% em três meses de quedas”, reforçou a pesquisadora.
Na passagem de agosto para setembro, a atividade de material de construção encolheu 3,1%; hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo caíram 1,4%; móveis e eletrodomésticos, -2,1%; livros, jornais, revistas e papelaria, -2,0%; tecidos, vestuário e calçados, -0,7%; combustíveis e lubrificantes, -0,5%; e outros artigos de uso pessoal e doméstico, -0,3%.
Os setores que escaparam do vermelho foram artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com avanço de 1,0% em relação a agosto, equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que ficou estável (0,0%).







