Se o mês das mães é considerado o segundo Natal do ano pelos comerciantes de Manaus, então eles não devem ter sido muito ‘bonzinhos’. Embora a perspectiva da CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus), quanto à festividade, aponte um faturamento de cerca de R$ 134 milhões para o setor, os lojistas do Centro estão desanimados com o movimento.
A três dias do ‘evento materno’, o volume de vendas ainda não havia superado as projeções dos anos anteriores, principalmente dentre as preferências dos consumidores para presentes, como perfumes, vestuário e calçados, entre outros.
Na loja O Boticário, a gerente Miele Souza declara que a circulação estava fraca na quinta, 5, embora contem com o mesmo preço de 2010, entre kits de R$ 150 até mais de R$ 200.
A vendedora do estabelecimento, Gisele Vieira, afirma que este não é o ritmo natural para a festa do dia 8. Segundo ela, no mesmo período, em anos antecessores, a agitação iniciava logo no primeiro domingo. Além disso, cada funcionário chegava a vender R$ 10 mil em produtos por dia. Gisele comenta que, atualmente, essa quantia é de apenas R$ 2.000.
Na Granada Beach, a gerente Silvana Oliveira fala que a circunstância é igual. De acordo com ela, apesar de ser normal não vender muito para a data, em virtude da loja ser destinada ao público jovem, era esperado um crescimento de 30%, devido a itens como bolsa e sandália. Entretanto, até quinta, a média alcançada pelas vendas era de uma elevação de apenas 2%.
Transferida da loja da marca localizada no Amazonas Shopping, na última segunda-feira, 2, Silvana responde que a situação do empreendimento também não era ‘das melhores’. “Fizemos uma reunião e muitos lojistas disseram que as vendas não estavam boas”, ressaltou.
Na Utilar, os resultados de 2011 também têm desagradado. A gerente Paula Magalhães salienta que este tem sido um ano fraco para a loja. Anteriormente, a clientela já saía às ruas no final de abril. “Nesta última semana [o movimento] melhorou, mas ainda não atinge as expectativas”, avaliou.
Mesmo assim, o subgerente da Shop do Pé, Wenderson Carvalho, aposta que, na ‘rodada final’, as vendas devam avançar, permitindo a alta de 60% em comparação a mesma época de 2010.
O mais contraditório é que a possível lista de presentes para a data registrou uma variação inferior à inflação entre maio do ano anterior e abril de 2011, de acordo com pesquisa recente da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Na média, o preço dos 22 produtos analisados avançou 5,93% no período, enquanto o IPC-FGV (Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Getúlio Vargas) dos últimos 12 meses ficou em 6,05%.
Além do mais, os próprios lojistas amazonenses realizaram promoções para baratear as mercadorias.
Francisco Alves, gerente da Ramsons, diz que alguns produtos tiveram preços 20% reduzidos em relação aos do ano passado. No caso da Di Santinni, destinada a calçados, o gerente Eduardo Lima explica que 50% dos itens foram comercializados a preços mais baixos. “Como é uma fábrica própria, com 120 lojas pelo Brasil, facilita a redução nos preços. E fazemos de tudo para os valores ficarem compatíveis ao da concorrência”, analisou o lojista.
O gerente da City Lar, Danilo Rocha, fala que toda linha de som e imagem, alvo para o Dia das Mães, tem sofrido quedas no preço. Por sinal, segundo a FGV, os televisores ficaram 11,68% mais baratos, enquanto o aparelho celular teve redução de 9,53% e a máquina de lavar roupas, de 4,33%.
Sinais favoráveis
Os próprios consumidores pensam desta forma. Suzana Nascimento, 23 anos, a procura de presentes para a sua mãe, exclama que os preços este ano estão mais acessíveis para o bolso do manauense.
A secretária Jane Barroncas, 29 anos, e sua irmã, Gely Barroncas, 26, também foram às compras. Jane esclarece que, depois de muitas pesquisas, o preço acaba saindo em conta. Porém, ela destaca que, mesmo na primeira loja, o custo dos produtos já apresentava sinais favoráveis para o consumidor.
Rocha, representante da City Lar, argumenta que o barateamento é uma estratégia de vendas da empresa, tendo em vista que, com 800 lojas da mesma marca, há condições para vender a um preço menor. Entretanto, ele ressalta que ainda há possibilidades de que haja um aumento nos meses subsequentes.






