Eles estavam parados, talvez acomodados, há uns 20 anos, mas pelo terceiro ano consecutivo voltam ao tatame no Jungle Classic, evento de jiu jitsu que reúne os feras de quando essa luta esteve no auge, em Manaus, entre as décadas de 1970, 80 e 90.
“Quando acontecia um torneio nossos fãs iam às lutas para nos ver. Se nos encontravam na rua, era uma alegria só”, lembrou Alessandro Guimarães, faixa preta 5º grau de jiu jitsu e um dos organizadores do evento, que acontecerá no final do mês, no Centro de Convenções do Manaus Plaza.
O jiu jitsu começou em Manaus no início de 1970 quando pioneiros, como Ale Almeida, começaram a difundir a modalidade para garotos e adolescentes, no caso de Ale, no Olímpico Clube. Muitos daqueles garotos são agora os contendores do Jungle Classic. Alessandro foi um deles. Ele começou a aprender a luta há 33 anos, então com 12 anos. Hoje é professor na Academia Valois.
“Na década de 1980 o jiu jitsu se tornou muito popular, com os garotos então transformados em verdadeiros lutadores. Isso persistiu até a década seguinte quando, devido ao sucesso que a luta fazia, começaram a surgir muitas academias na cidade, algumas com pessoas que se diziam professores, sem ser, banalizando a atividade”, lembrou.

jiu jitsu e um dos organizadores do evento
“Essa época também coincidiu com os primeiros alunos já estarem homens, se tornado profissionais, casado, tido filhos, e abandonado os treinos e a prática da luta. Os ídolos da década de 1980 sumiram na década seguinte e não surgiram outros”, lamentou.
“Um fator importante resultado das muitas academias que foram abertas é que a maioria dos professores tinha boas intenções e ajudaram a colocar adolescentes rebeldes no caminho certo. Pode notar que as galeras, surgidas a partir de 1990, desapareceram na década seguinte. O aluno aprende que o jiu jitsu jamais deve ser usado para ele sair brigando por aí”, ensinou.
“Nesse caso posso citar dois grandes professores: Nonato Machado e Ulisses Paixão. Eles retiraram meninos ociosos das ruas e os transformaram em grandes homens”, falou.
“No jiu jitsu aprendemos que ser vencedor não é só ganhar no tatame. É vencedor quem aprende a seguir metas, ter uma profissão, casar, ser alguém na vida”, afirmou.
16 lutas, 32 lutadores

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Por volta de 2016, alguns dos ídolos do passado, que até hoje treinam juntos, pensaram em organizar um torneio só para eles. Seria um torneio, lógico, competitivo, mas principalmente comemorativo, para marcar o retorno e o reencontro de todos eles.
“Começamos a fazer o convite, mas uma boa parte relutou porque já estavam parados há anos, sem treinar, fora de forma. Demos tempo ao tempo”, contou.
“Porém, a luz das vitórias reacendeu nesses companheiros e eles pouco a pouco foram aceitando a idéia do torneio. Passaram a treinar e marcamos o primeiro Jungle Classic para 2017, quando todos já estivessem no ponto. E assim foi”, recordou.
O Jungle Classic de 2017 reuniu 24 lutadores, número que se repetiu no ano seguinte. Este ano serão 16 lutas, com 32 lutadores sobre o tatame. As lutas são casadas, ou seja, de cada dupla sai um vencedor e a disputa dessa dupla acaba ali.
“É jiu jitsu puro. Quem conseguir executar o golpe final de submissão do adversário, é o campeão daquela luta, mas nada de inimizade. Somos todos amigos, mas é certo que no tatame, nenhum vai querer deixar o outro ganhar e quem vencer será por mérito, por conseguir aplicar a técnica corretamente”, ensinou.
Uma filosofia de vida
“No jiu jitsu não usamos a força. Usamos a técnica. O jeito, como se diz. No Jungle Classic os mais novos já passaram dos 40 anos e os mais velhos estão acima dos 50, como o Paulinho Peixe, que se vangloria de nunca ter perdido um único campeonato que disputou, desde garoto; e o Luiz Pinto”, informou.
“Nessa edição não vou poder lutar porque estou com um problema de saúde, mas no próximo ano estarei de volta, afinal de contas, nas duas edições anteriores, venci minhas duas lutas”, concluiu.
Entre outros grandes nomes, o amazonense Willian Couto se destaca neste Jungle Classic por ter sido o primeiro campeão brasileiro de jiu jitsu, campeonato que disputou quando ainda era jovem, há mais de 30 anos.
“Não tem idade limite para lutar jiu jitsu. Enquanto você dominar a técnica para aplicar os golpes, pode lutar com um oponente de qualquer idade”, destacou.
“Para mim o jiu jitsu é uma filosofia de vida. Quando você aprende a lutá-lo, evita brigas. Jamais vai procurar brigas na rua ou usar drogas, porque você passa a se gostar, a gostar do seu corpo saudável. Se alimenta melhor. Não aceita ofensas. Evita problemas. Busca qualidade de vida. Você é educado inconscientemente”, definiu.
O Jungle Classic 3 vai acontecer no dia 31 de maio, sexta-feira, às 19h, no Centro de Convenções do Manaus Plaza. O ingresso custa R$ 60, e já pode ser solicitado através do 9 8823-4840.







