No sábado, 16, às 16h, o escritor, pedagogo e ativista do livro e leitura, Jorge Klein irá lançar a terceira edição de seu livro ‘E a mata virou baladeira’, agora com o título simplificado para ‘Amazônia’. O evento acontecerá na Valer Teatro, no Largo de São Sebastião, e será aberto ao público amante da boa leitura.
“É um livro com muitas figuras coloridas e pouco texto, indicado para crianças e adolescentes, mas também para os adultos, pois contém inúmeras informações interessantes e curiosas sobre a Amazônia”, falou Klein.
A primeira edição do livro saiu em 2000 e a segunda, no ano seguinte.
“Um dia olhei dentro de uma caixa, em casa, e ainda existiam dezenas de exemplares do livro, guardados. Resolvi vendê-los na Feira de Livros do Sesc, de 2022, e acabou a edição. Agora me animei e mandei rodar mais uma tiragem, ampliada com novas informações e curiosidades”, adiantou.
‘Amazônia’ tem apenas 32 páginas, mas é rico em conteúdos amazônicos. Começa com a história dos três irmãos Saimã, Sarawi e Moriá com reflexões sobre a existência e a convivência humana como ‘a violência não leva a nada’, ‘assim teríamos centenas de novas árvores com sombras e alimentos’, e ‘vocês deveriam conversar um pouco com as flores. Com certeza brigariam menos’. O antigo nome do livro é uma alusão ao conteúdo central da história: a briga dos três irmãos por uma baladeira feita com o galho da mangueira de sua mãe, que não gostou nem um pouco de saber que ‘alguém’ tinha praticamente matado sua pequena árvore ao cortar o galho.
‘Amazônia’ é ricamente ilustrado com desenhos de Palheta, falecido em agosto de 2015. De acordo com o historiador José Rocha, Palheta era tão bom no que fazia, que trabalhou como ilustrador botânico para o Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e fazendo ‘retratos falados’ para a Polícia Civil.
Exortação aos jovens
O livro traz ainda um glossário; ensina técnicas de produção de composto orgânico; lista, com números, várias curiosidades sobre a Amazônia; e apresenta informações científicas sobre animais e frutos amazônicos, ou que fazem parte do nosso dia-a-dia.
“Na parte final do livro é onde está um dos seus conteúdos mais importantes: a ‘Exortação aos jovens’, onde, em apenas seis passos eu explico para os jovens estudantes a como tomarem gosto pela leitura e se darem bem nos estudos”, revelou.
Outro livro lançado por Jorge Klein, este um romance indígena, foi ‘Acaraéçoot’, agora denominado ‘Canoas de guerra’. O livro já está em sua segunda edição, esgotada. Trata de uma aventura fictícia, passada em tempos remotos, que mostra as constantes batalhas entre os povos sateré-mawé e munduruku, tendo como protagonista o adolescente Ramaw-Wato.
‘O livro chega como o canto do uirapuru, que quando canta, faz os outros pássaros silenciarem. Desperta nos praticantes da boa luta, a consciência em favor do ambiente saudável, da convivência pacífica, do respeito às tradições e costumes do nosso povo. O livro do humanista e criativo Jorge Klein, é um romance nativo universal’, escreveu o poeta e escritor Walfredo Rego.

Projetos inusitados
Jorge Klein é figura conhecida no meio literário amazonense. Em 2007 ele lançou o projeto ‘Navegando e lendo’, que consistia em colocar pequenas estantes em embarcações recreio repletas de dezenas de livros, para que os passageiros enfrentassem as longas e estressantes horas, e muitas vezes dias, de viagens pelos rios amazônicos, passando o tempo com a leitura numa época em que a internet estava incipiente e ninguém imaginava o que seria um iPhone, repleto de recursos, e muito menos as antenas da Starlink.
“Cheguei a colocar estantes em 15 embarcações. O Rotary Club, inclusive, me doou dez estantes, porém, com o tempo o projeto foi arrefecendo. Hoje apenas o Voyager 5 continua com a estante e o proprietário da embarcação gostou tanto da ideia que até mandou fazer outra estante”, disse.
Em 2017, Klein ‘voltou a atacar’ com mais um projeto inusitado, o ‘Biblioteca de Incentivo à Leitura Tenório Telles’, que se tratava de várias estantes adaptadas dentro de um container instalado numa área dentro do conjunto João Bosco, na av. Torquato Tapajós. O container foi doado a Jorge Klein pela Aliança Navegação, além de ser totalmente higienizado e adequado pelo Grupo Chibatão podendo ser acessado sem perigo algum. Enquanto esteve sob a direção do escritor/pedagogo, o projeto perdurou por mais de cinco anos.
“Depois o repassei para a administração de outras pessoas e hoje não sei se continua, mas enquanto estive à frente, era bem visitado pelos moradores do conjunto”, afirmou.
O próximo projeto de Jorge Klein é adquirir uma van e sair pelas cidades do Brasil vendendo seus livros. Acostumado a concretizar ideias inusitadas, é provável que consiga.







