Vilarejo de Porto Seguro é lugar disputado nas férias para descanso

Em: 3 de abril de 2008
Quadrado continua lindo, mas em seu entorno… quanta diferença. Lixão a céu aberto, obras clandestinas e derrubada da mata ameaçam o vilarejo
Quadrado continua lindo, mas em seu entorno... quanta diferença. Lixão a céu aberto, obras clandestinas e derrubada da mata ameaçam o vilarejo

Trancoso é desses lugares a que é preciso ir. O vilarejo de Porto Seguro é, na definição do Guia Brasil, “um local que muda todo ano. E não muda nunca”. Não mudam as falésias, o mar, as casinhas coloridas e os habitantes do Quadrado, sua praça principal, um morro com vista para o mar pontuado por uma linda igreja caiada do século 17. Tudo isso ajuda a preservar o ar easygoing do lugar, a despeito das levas de publicitários, anfetaminas, helicópteros, grifes do Sudeste e modelos internacionais que “embelezam” a vila no verão.
Mas a vida real não vai bem na “área de serviço” de Trancoso. No lado B do Quadrado, o bairro da Invasão e mais além, a paisagem se transforma para pior. Obras clandestinas pipocam. Surgiu um lixão a céu aberto, e esgotos são despejados nos rios. Isso se vê, por exemplo, em Maria Viúva e no Condomínio 2000, a 1 quilômetro do Quadrado, em que a desordem urbana é a regra. Bairros como Trancosinho e Mirante do Rio Verde crescem à custa do desmatamento de porções consideráveis do que ainda resta de Mata Atlântica, que em Trancoso está em estágio secundário, mas, mesmo assim, não pode ser derrubada, já que a vila está em Área de Proteção Ambiental. “Cansei de ver destinos turísticos acabarem pelos mesmos problemas de lá. Tudo começa com o desmatamento criminoso”, diz Mario Mantovani, diretor da Fundação SOS Mata Atlântica.
“Existe um plano diretor que regulamenta o crescimento de Trancoso, mas quem disse que alguém respeita?”, pergunta o empresário Randolfo Calenda, membro da SAT (Sociedade Amigos de Trancoso), formada recentemente por empresários e moradores preocupados com a preservação da vila. Por seu lado, a Secretaria de Obras de Porto Seguro afirma que fiscaliza e multa os infratores. “Obras sem alvará são notificadas e paralisadas”, disse o secretário Odenir Barni. “Infelizmente, como em qualquer lugar do mundo, sempre há quem prefira ficar na ilegalidade, e em Trancoso não é diferente.” Barni alega que muitas infrações não são denunciadas, o que dificulta sua fiscalização. “Quando ligam para a secretaria, é para reclamar de problemas de iluminação e esgoto.” Em 2007, a secretaria contabilizou apenas 15 reclamações relativas a Trancoso, entre obras irregulares, problemas de iluminação e esgoto.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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