VIOTÓRIA RÉGIA

Em: 30 de janeiro de 2014
GUGUTA – a lenda viva do samba – Uma das mais antigas foliãs do Carnaval manauara agita ala das baianas da verde e rosa
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GUGUTA - a lenda viva do samba - Uma das mais antigas foliãs do Carnaval manauara agita ala das baianas da verde e rosa

O bairro da Praça 14 de Janeiro foi formado principalmente por negros maranhenses vindos para Manaus a pedido do governador Eduardo Ribeiro (1892/1896), para trabalhar nas obras existentes na cidade. Esses negros trouxeram consigo uma rica cultura folclórica, tanto que a Praça 14 acabou por se tornar um dos bairros mais folclóricos de Manaus com as famosas tribos dos Andirás e Manaú e o bumbá Caprichoso, além de outros grupos menores. Conta a lenda que o boi Caprichoso, fundado por Raimundo Nascimento Fonseca, teria dado origem ao homônimo de Parintins, levado para a ilha Tupinambarana pelo amo do bumbá daqui.
Mas o que vem se destacando no bairro há décadas é o samba, iniciado com a pioneira Escola de Samba Mista da Praça 14, fundada em 1946, e continuado até hoje com a Vitória Régia. Nossa personagem, neta de Raimundo Fonseca, iniciou na Mista, em 1949, com apenas 13 anos de idade, e até hoje ganha a passarela a cada Carnaval, na Vitória Régia, que nasceu após o fim da Mista.
Edna Lago Rodrigues, a Guguta, 77, conta que a Mista, então única escola de samba de Manaus, saía pelas ruas da Praça 14 rumo ao centro, para a av. Eduardo Ribeiro, onde o Carnaval acontecia com os blocos, além de automóveis e caminhões subindo e descendo a avenida. “A cada ano o Zé Ruindade, o fundador da escola, fazia um samba, que todo mundo aprendia e ia cantando daqui até a Eduardo Ribeiro. A casa dele ficava na Visconde de Porto Alegre e lá acontecia a reunião da escola. Dali seguíamos pela Ramos Ferreira, sambando, acompanhados por tambores. Saíam daqui umas cem pessoas, mas à medida que passávamos, outras pessoas se misturavam a nós”, lembrou.

Na passarela do samba, mais uma vez
Guguta tem até hoje na memória o samba do Carnaval de 1950. Naquele ano, a lei nº 247, de 15 de junho, renomeou o bairro como Praça 14 de Janeiro. Desde 1917 o local se chamava oficialmente Praça Portugal, coisa que os negros maranhenses nunca engoliram. Por isso, já no Carnaval, comemoravam sambando o retorno do antigo nome.
“Naquela época eu já desfilava vestida de baiana. Minha mãe, que era amazonense, descendente de maranhenses, não gostava de brincar Carnaval, mas não me impedia, ao contrário, fazia questão que eu fosse muito bem vestida, como as outras meninas”, recordou.
Guguta só parou de desfilar fantasiada de baiana quando casou e passou a acompanhar o marido na harmonia, “mas assim que ele morreu, eu voltei a brincar de baiana, agora na Vitória Régia”, lembrou, bem humorada.
“Comigo não tem tempo ruim. Não tenho reumatismo, pressão alta, diabetes, essas doenças de velho”, riu. “Gosto é de ir na rua, sambando, vestida de baiana, agitando os braços, como toda baiana deve fazer. Acho que é a cerveja que me mantém em forma. Sem cerveja não tem Carnaval. Bebo cerveja sempre. É a minha fiel companheira de diversão”, brincou.
Guguta mora até hoje na casa onde nasceu, em 1936. As casas vizinhas são todas ocupadas por parentes. “Nem sei quantos são, mas todo mundo participa dos desfiles da Vitória Régia. Fui uma vez num carro. Esse ano querem que eu vá, de novo. Dizem que é pra eu não me cansar. Que nada. Quero ir é no chão mesmo, como sempre, na ala das baianas”, garantiu.
Católica, devota de São Benedito, Guguta participa religiosamente de todos os ensaios da verde e rosa, cuja quadra fica a poucos metros de sua casa. “Toda noite estou lá. Devemos aproveitar todos os momentos felizes que Deus nos oferece”, ensinou.
Este ano a Vitória Régia será a última escola a entrar na passarela do sambódromo, às 5h20 horas do dia 3 março, com o enredo “Da África ao Amazonas, da Escravidão à Liberdade – 130 Anos da Abolição da Escravatura”, e Guguta promete estar lá, acenando para os seus admiradores como a mais antiga, senão uma das mais antigas foliãs do Carnaval manauara.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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