“Vivemos em uma sociedade doente”

Em: 23 de agosto de 2016
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Não se sabe ao certo a origem do Vedanta, um estudo milenar de autoconhecimento que tem por objetivo ajudar o ser humano na busca interior por paz e felicidade. Dizem que o Vedanta surgiu junto com a humanidade e, desde então, vem sobrevivendo às mudanças do mundo. As provas mais contundentes de sua origem são descobertas arqueológicas de alguns textos da tradição Védica (o Rik-Veda), que datam de 3.000 a.C.
Para repassar aos seus leitores um pouco mais sobre esse estudo, o Jornal do Commercio entrevistou o engenheiro mecânico Jonas Masetti, mestre em Vedanta formado na Índia, discípulo de Swami Dayananda Saraswati, considerado o maior mestre de Vedanta da atualidade.
Masetti é o primeiro professor a trazer ao Brasil a metodologia de ensino estruturada do ensino de Vedanta, encontrada até então somente na Índia. Esta jornada começa com o curso de introdução, com duração de 18 meses, que inclui alguns encontros presenciais e retiros de aprofundamento. Posterior a esta etapa, vem o curso de aprofundamento com duração de dois anos e meio. Por fim, outros três anos em regime de estudo integral.
Durante o mês de setembro, Masetti ministrará workshop gratuito por meio da sua plataforma online, Vendanta.Life. Serão cinco aulas, sendo a última ao vivo, onde os alunos poderão tirar suas dúvidas e interagir com o mestre.

Jornal do Commercio: Vedanta tem a ver com ioga, meditação?
Jonas Masetti: Vedanta é um conhecimento milenar, de origem indiana, que tem por objetivo ajudar a pessoa a encontrar paz e felicidade além do mundo exterior. Enquanto atividade, ele é composto principalmente de aulas sistemáticas com um mestre que conduz ao questionamento interior do aluno e ao autoconhecimento, possuindo ainda um conjunto de disciplinas auxiliares como por exemplo a meditação e a ioga.

JC: Então, o Vedanta tenta mostrar ao homem o caminho da felicidade?
JM: Vedanta trata da jornada do ser humano na busca interior por paz e felicidade, independente dos meios externos. Porém, o Vedanta não se propõe a tornar uma pessoa feliz e sim, a ensinar essa pessoa o caminho para o autoquestionamento sobre o que a faz ser feliz. Desta forma, ele contribui com a pessoa que está em busca da sua felicidade, mas de forma diferente de outras propostas, como por exemplo as religiões. Ele não é uma proposta filosófica e sim um tema, um conhecimento, como matemática, física ou química.

JC: O mundo de hoje está cada vez mais caindo num abismo. O sr. vê dessa forma?
JM: Vivemos hoje em uma sociedade doente, onde pouco se sabe a respeito daquilo que realmente nos faz feliz. As distrações são tantas e tão fartas que pouco tempo nos sobra para pensar naquilo que realmente gostamos e menos ainda, para que possamos aprender a lidar com aquilo que não suportamos. A verdade é que por detrás dessa ideia de se divertir, se esquecer, se transformar em algo melhor, tem uma ignorância sobre si mesmo e uma insatisfação com a autoimagem que carregamos.
E se não sobrar tempo para as férias tão merecidas, uma bebidinha, um remedinho, uma droga, também cumprem esse papel, trazendo um falso sentimento de liberdade, onde a vida passa a fazer sentido enquanto a gente se esquece dela. No entanto, basta pisar no escritório depois de 15 dias de férias para que tudo volte ao normal. Lá estão eles, todos os problemas esquecidos e, obviamente, mais alguns. Já no caso das drogas é ainda pior, porque a volta vem acompanhada de uma ressaca física e moral.
Por estes e outros motivos, podemos sim afirmar: vivemos hoje em uma sociedade doente.

JC: Através do Vedanta, como podemos melhorar?
JM: O estudo do Vedanta posiciona-se neste ponto, com uma visão objetiva, racional e ampla. Apesar de fazer parte do legado espiritual da Índia, sua linguagem é universal e vale para qualquer cultura e qualquer povo. Ele trata de assuntos fundamentais relativos à nossa essência, e funciona para todos que desejam uma vida plena e feliz, estando dispostos a enfrentar seus preconceitos, crenças e explorar suas emoções. Um conhecimento milenar, tradicionalmente pautado na relação entre professor e aluno, que conduz o indivíduo em sua jornada de autoconhecimento e libertação das amarras impostas pela vida que nos acostumamos a viver.

JC: Quando as coisas não estão indo bem, devemos jogar tudo para o alto e seguir por um outro caminho?
JM: De jeito nenhum. Temos sim que parar e pensar do porque as coisas não estão indo como eu gostaria. Na minha opinião, este é o ponto fundamental. As pessoas tendem a resolver esta questão de uma maneira muito superficial: “se não está bom eu mudo. Se está bom, continuo”. A verdade é que quando as coisas não vão bem, existem várias razões por detrás deste fato que devem ser analisadas, pois se eu não resolvo o problema que está dentro de mim, de nada adianta a mudança, pois o problema vai comigo para onde quer que eu vá.
Quando as coisas não vão bem, o melhor a fazer é parar para pensar e pedir ajuda. Essa seria a recomendação sensata por parte de um mestre.

A essência dos Vedas

A palavra ‘Vedanta’ significa a culminação ou essência dos Vedas, as escrituras sagradas mais antigas da Índia. Essas escrituras sagradas são o registro das experiências espirituais de muitos sábios da Índia, em sua busca por Deus e pela Realidade Última. Os princípios básicos da Vedanta podem ser experimentados e testados por todos os aspirantes espirituais, sejam eles de quaisquer religiões, filosofias, raças ou crenças.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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