Volume não exportado pressiona cotações

Em: 18 de fevereiro de 2011
Agentes colaboradores do Cepea estimam que as fortes quedas nas últimas semanas ainda refletem a suspensão por parte da Rússia da compra de carne suína de alguns frigoríficos do Sul do Brasil
Agentes colaboradores do Cepea estimam que as fortes quedas nas últimas semanas ainda refletem a suspensão por parte da Rússia da compra de carne suína de alguns frigoríficos do Sul do Brasil

Agentes colaboradores do Cepea estimam que as fortes quedas nas últimas semanas ainda refletem a suspensão por parte da Rússia da compra de carne suína de alguns frigoríficos do Sul do Brasil. O volume então provisionado para a exportação continuaria chegando “em excesso” ao atacado nacional.
As exportações parecem mesmo ter sua parcela de responsabilidade sobre a desvalorização do vivo e da carne no mercado nacional. Comparações do volume embarcado num mês com a quantidade de igual mês do ano anterior – o objetivo é dar uniformidade sazonal – revelam quedas ao longo dos últimos 12 meses (de fev/10 a jan/11) com uma única exceção em agosto, quando os embarques superaram em 5% os de agosto de 2009. É importante observar ainda que, em 2009, a economia sentia com muito mais intensidade os reflexos da crise financeira internacional que ao longo de 2010.
A explicação para as fortes desvalorizações baseada no aumento da oferta é respaldada também pelo ritmo da economia nacional, que sinaliza consumo (geral) aquecido. Vale notar ainda que a carne suína está “muito barata” em relação à bovina no atacado. Na primeira semana de fevereiro, o preço médio da carcaça casada bovina no atacado da Grande SP era 63% maior que o da carcaça comum suína. Na primeira semana de fevereiro de 2004 a 2010, a vantagem do boi era em média de 14,5% – foram analisadas especificamente a primeira semana de fevereiro de cada ano.
Conforme colaboradores do Cepea, muitas indústrias estariam com estoques em níveis relativamente altos, o que as levaria a diminuir as aquisições de animais. Alguns frigoríficos passaram também a negociar a carcaça inteira, ao invés dos cortes, na tentativa de reduzir custos.
Com isso, o preço do suíno vivo caiu em praticamente todas e as praças acompanhadas pelo Cepea no acumulado de fevereiro. Entre 31 de janeiro e 16 de fevereiro, o suíno vivo negociado na região SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba) desvalorizou expressivos 15,3%, comercializado a R$ 2,27/kg, em média, nessa quarta-feira, 16. No Sul do País, as quedas em algumas regiões também foram muito significativas. Em Cascavel (PR), por exemplo, a baixa chegou a 13%, com média de R$ 2,00/kg na quarta.
No mercado atacadista da Grande São Paulo, o preço médio da carcaça especial recuou 10,7% no acumulado deste mês, a R$ 3,80/kg na quarta. A carcaça comum desvalorizou 11,6% no mesmo período, comercializada a R$ 3,57/kg.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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