A busca por novas patentes com a biodiversidade Amazônica é o segundo desafio do novo Polo de Medicamentos que deu os primeiros passos ontem, com a inauguração da fábrica Novamed, empresa do grupo NC controlador da EMS, líder do mercado farmacêutico brasileiro. No projeto, o grupo desembolsou R$ 385 milhões e foi atraído à ZFM (Zona Franca de Manaus), entre outros motivos, para minimizar os custos com a carga tributária brasileira (o custo brasil).
A nova unidade fabril possui instalação de 35 mil metros quadrados de área construída no km 22 da Rodovia AM 10 (Manaus-Itacoatiara) e tem capacidade para produzir 1,5 bilhão de comprimidos por mês, irá gerar 500 postos de trabalho diretos e cerca de 2.000 empregos indiretos em até 18 meses.
No ato da inauguração, o presidente do Conselho de administração do Grupo Controlador, Carlos Sanchez, disse que a empresa inicialmente irá desenvolver pesquisas de drogas químicas em Manaus sem usar o potencial da floresta. “Mas também vamos desenvolver pesquisas dentro de um ano, um ano e meio usando a biodiversidade amazônica”, garantiu. Ele garante que a maior motivação em instalar a fábrica em Manaus foi reduzir o custo Brasil praticado com valor excessivamente alto. “A nossa grande vinda pra cá é para tirar o custo Brasil. A maioria das multinacionais não produzem no Brasil pelo alto custo de se produzir neste país”, frisou.
Sanchez informou que as grandes empresas do setor farmacêutico estão produzindo na Irlanda, em Porto Rico e em outros países com um custo logístico menor. “E nós como somos um grupo brasileiro vimos a possibilidade de nos tornar competitivo novamente, aqui com os incentivos da prorrogação da ZFM. A nossa máquina de compressão produz 1 milhão de comprimidos por hora, na fábrica de Manaus são 24 máquinas que vão produzir 1,5 bilhão por mês, nossa meta para daqui três anos”, revelou.
Sanchez acredita que com o infinito potencial da biodiversidade Amazônica serão desenvolvidas pesquisas nesta nova planta fabril em parceria com os especialistas da região, a exemplo do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia), CBA (Centro de Biotecnologia da Amazônia), Ufam (Universidade Federal do Amazonas) e UEA (Universidade do Estado do Amazonas). “Nós já temos nosso comitê científico que já fez vários encontros com essas empresas e com esses centros e estão em processo adiantando de conhecimento mútuo para que possamos fazer alianças”, informou.
Atualmente as empresas do Grupo NC produzem medicamentos de marca e genéricos. Os genéricos chegam a custar 40% a menos que os de marca, segundo Sanchez. “Quando eu lanço um produto genérico ele já é 35% em média mais barato do que o produto no mercado em referência, mais os descontos que se encontram no mercado, chega a uma média de 40% de redução para a população brasileira dos medicamentos produzidos pelo nosso grupo”, explicou.
Inovação
Para o ministro da Saúde, Arthur Chioro, que participou da inauguração da fábrica, a implantação da primeira indústria farmacêutica no PIM (Polo Industrial de Manaus) é um avanço, não apenas para produzir medicamentos, mas também, para conseguir novas patentes por meio de pesquisa com recursos provenientes de parcerias público-privadas. “Particularmente no campo da biotecnologia para ocupar o espaço que o Brasil pode, e vai ocupar, é preciso juntar esforços e investimentos tanto da área pública como privada. E olhar as muitas possibilidades como oportunidades dessa biodiversidade fantástica que a Amazônia nos proporciona”, disse.
Segundo Chioro, o governo federal não mede esforços para disponibilizar recursos para investir na pesquisa, desenvolvimento, inovação e tecnologia e ampliar o número de patentes no Brasil. “Através das plataformas de conhecimento juntando o Ministério Ciência e Tecnologia, Ministério da Saúde, Finep, CNPq, BNDES, todo o esforço de disponibilizar recursos para ser investido”, relacionou
O ministro da Saúde acredita que o Brasil poderá liderar a indústria farmacêutica no mundo. Chioro também reconheceu o esforço das empresas, como o Grupo NC, que investem no avanço das pesquisas no setor farmacêutico. “Claro que as empresas privadas colocam muitos recursos próprios, que hoje é um diferencial. A indústria farmacêutica é um dos setores que mais investe em inovação hoje no país e o governo federal também”, concluiu.
Segundo o ministro da Saúde, Arthur Chioro, a implantação dessa fábrica fortemente apoiada pelo governo federal através do BNDES, representa a possibilidade do Brasil produzir cada vez mais medicamentos e essa oferta tende naturalmente a diminuir o preço e garantir mais acesso à população. “E mais do que isso tem acúmulo de conhecimento, inovação, capacidade de autonomia que é fundamental para qualquer país diminuir a dependência da produção de medicamentos feita no exterior”, disse.
“É muito bem vista (a instalação da fábrica) porque gera mais conhecimento e gera mais capacidade de produção e concretiza um desejo de desenvolvimento do complexo industrial da saúde, que é fundamental para que o sistema público e o próprio sistema privado possam funcionar melhor”, concluiu.
O projeto contou com o financiamento de R$ 260 milhões do BNDES Profarma (Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Complexo Industrial da Saúde).
ZFM atrai gigante farmacêutica
Em: 26 de agosto de 2014
Grupo instala primeira grande fábrica de medicamentos na ZFM para minimizar “custo Brasil”
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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