Indústrias obtêm ganho com baixa no dólar

Em: 10 de abril de 2008
Desvalorização do dólar possibilita modernização do parque tecnológico local, aumento de produtividade e a conseqüente redução de preços das manufaturas no mercado nacional.
Desvalorização do dólar possibilita modernização do parque tecnológico local, aumento de produtividade e a conseqüente redução de preços das manufaturas no mercado nacional.

Os especialistas em comércio exterior apontam que a queda livre do dólar no mercado internacional está produzindo efeitos positivos para o PIM (Pólo Industrial de Manaus). Os principais benefícios são a possibilidade de modernização do parque tecnológico da indústria, o aumento de produtividade e a conseqüente redução de preços das manufaturas no mercado nacional.
O tombo da moeda norte-americana turbinou as importações do Estado no acumulado de fevereiro, que atingiram a marca de US$ 1.38 bilhão, um crescimento de 56,20% sobre o mesmo período do ano passado (US$ 883.50 milhões).
A informação foi fornecida pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), sendo que os componentes para a indústria eletroeletrônica voltaram a liderar a pauta.
Para ilustrar o argumento dos especialistas, tome-se como exemplo o segmento de celulares, que importou US$ 50.96 milhões (2008) no primeiro bimestre do ano contra US$ 3.95 milhões em igual período de 2007. O produto, líder da pauta de exportações do Estado, deu um salto de 302,16% nas vendas externas na mesma comparação, passando de US$ 13.87 milhões (2007) para US$ 55.78 milhões (2008).
“O câmbio favorece a importação de insumos máquinas e equipamentos, o que contribui para a modernização tecnológica dos produtos do Amazonas e o aumento da produtividade da indústria”, confirmou o economista e consultor empresarial, Assis Mourão.
“A desvalorização aumenta a vantagem competitiva do Pólo Industrial de Manaus ao reduzir o custo dos insumos e do produto final, atraindo mais fornecedores. É um fator que se acrescenta à economia de escala para tornar nossos produtos mais baratos”, acrescentou o economista e consultor empresarial Rodemark Castello Branco.

Exportações
crescem
Em tese, o fortalecimento do real prejudicaria os esforços para fazer da ZFM (Zona Franca de Manaus) um pólo exportador, ao tornar seus produtos mais caros em dólares. Mas, lembram os especialistas, como a moeda norte-americana também sofreu desvalorização frente a outras divisas, a perda de competitividade teria sido diluída. Vale ressaltar que as exportações do Amazonas cresceram 40,56% no primeiro bimestre deste ano, de US$ 123.27 milhões (2007) para US$ 173.27 milhões (2008).

Real em alta prejudica têxteis

“Os preços industriais vêm caindo no mundo. A valorização do real prejudica alguns segmentos que não estão instalados em Manaus e sofrem forte concorrência externa, principalmente da China, a exemplo de têxteis e calçados. O mesmo vale para produtos manufaturados aqui, mas que estão no final de seu ciclo de vida no mercado e contam com muita oferta no exterior, como os aparelhos de DVD”, analisou Rodemark Castello Branco.
O diretor-executivo da Aceam (Associação do Comércio Exterior da Amazônia), Moacyr Bittencourt, fez uma ressalva: “O crescimento das exportações é resultado dos esforços das empresas, que conseguiram aumentar a massa de negócios. O problema é que, com a desvalorização do dólar, o resultado da operação em reais caiu”, lamentou.

Moeda
Norte-americana
Só nos últimos seis meses, a moeda norte-americana registrou retração superior a 5,3%, fechando em R$ 1,683 para compra e R$ 1,685 para venda nesta quinta-feira, segundo informações do site do Banco Central.
Comenta-se entre os circuitos empresariais do pólo de Manaus que, para não perder dinheiro na hora de converter seus ganhos em reais, alguns exportadores estariam correndo para o euro, tradicionalmente uma moeda de reserva nos mercados globais.
Para Moacyr Bittencourt, essa estratégia esbarra em limitações. “Seria o ideal, mas vale apena para as vendas direcionadas à União Européia. Não se troca de divisa da noite para o dia, pois não há em todo o mundo moeda com estoque suficiente para ocupar o lugar do dólar. Isso só aconteceria se os EUA fossem à banca rota, o que não é o caso. Hoje, nossos principais mercados, como a Argentina, só fazem transações em dólares”, concluiu.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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