A semana que passou esteve recheada de notícias sobre questões ambientais na Amazônia, sendo a mais grave aquela relacionada ao problema da Reserva Raposa Serra do Sol que entremeia atitudes bizarras, declarações bisonhas e denúncias muito sérias. No âmbito estadual a tormenta ficou por conta do artigo do senador Arthur Virgílio Neto publicado em jornal local onde o parlamentar acusa o governador Eduardo Braga de exercer atividade pecuarista (3.374 cabeças de gado), uma denúncia que, se for verdadeira, revela um distanciamento entre a prática e o discurso ambientalista. Tenho restrições à política ambiental do senhor governador por considerá-la mal formulada e mal conduzida e minhas opiniões acabam de receber o reforço de uma acusação muito grave que fere os princípios mais básicos da ética ambiental.
O início da semana
Minhas restrições se alicerçam na falta de base conceitual de projetos amazonenses e na falta de fundamentos regionais na formação dos condutores de idéias ecológica e ambientalmente pobres, como foi o Terceiro Ciclo e como é a Zona Franca Verde. Estou convicto de que esses projetos capengas provocam danos à natureza amazônica com esses prejuízos devendo ser debitados na conta social de gente sem compromisso com o futuro, sem escolaridade ou com escolaridade deficiente (apesar dos diplomas). No Brasil de hoje, parece que o único valor festejado é a economia que cresce para pagar melhores salários que resultam em maior volume de contribuição sindical. O país está perdendo o humus ético e isso é grave porque, como disse Junas Marcolinom, um líder indígena: “se não houver valores que unam alguns outros valores vão predominar”.
Raposa Serra do Sol
Não quero, neste texto, dar palpite pessoal sobre a Reserva Raposa Serra do Sol embora tenha opinião formada sobre o tema “Terras Indígenas e soberania nacional”. Por isso, hoje vou me limitar a comentar textos de pessoas que estão ou estiveram no cerne dessa questão de extrema gravidade.
Dois alertas graves
Tomo como primeiro alerta as declarações do Comandante Militar da Amazônia –General Augusto Heleno– que considerou a política indigenista do governo Lula da Silva como “lamentável para não dizer caótica”, uma frase forte que foi incansavelmente repetida pela mídia, não com o propósito de provocar uma reflexão sobre o tema, mas com a finalidade quase explícita de incitar uma punição.
O segundo alerta veio de um artigo publicado na Tribuna de Imprensa do dia 11-12/04/2008 assinado pelo general Luiz Gonzaga Shroeder Lessa, cujo título “Soberania em risco” traz além do alerta deste militar que foi Comandante Militar da Amazônia, a representatividade do pensamento de parte considerável da sociedade brasileira.
Lula da Silva erra novamente ao colocar Tarso Genro e Marina Silva para mediar a questao entre o Poder Executivo e Judiciário, pois a presença desses dois é a garantia absoluta de que todos vão perder.
Aliás Tarso Genro, domingo passado, deu uma entrevista à uma emissora de televisão onde disse que o governo vai tolher a ação de ONGs estrangeiras na Amazônia, uma declaração recheada de promessas que não vão ser cumpridas, já que não há como separar os organismos estrangeiros daqueles organizações brasileiras que recebem enorme quantidade de dinheiro do exterior, via caixa dois, para cumprir as determinações da fonte financiadora, pois em economia manda quem tem o talão de cheque. Devo lembrar aos que não têm boa memória que Tarso Genro, como ministro e membro de um partido político, sabe como é difícil identificar a origem e o destino de dinheiro “não contabilizado”.
O artigo do General Lessa considera a balcanização da Amazônia como resultante de “uma omissão criminosa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva” e alerta sobre a idéia de transformar a “Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas” em “Convenção”, um novo (velho) documento que, se for aprovado em dois turnos por três quintos do Congresso Nacional, adqui







