A queda do dólar e a prolongada greve dos auditores fiscais da Receita Federal –iniciada em 18 de março – ainda não foram suficientes para reduzir a corrente de comércio exterior do Amazonas no primeiro trimestre de 2008, segundo apontam os números do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). Somadas as exportações e importações, o salto da balança comercial foi de 44,85% –US$ 2.39 bilhões (2008) contra US$ 1.65 bilhões (2007).
As importações ganharam fôlego adicional de 47,59% –US$ 2.14 bilhões (2008) contra US$ 1.45 milhões (2007). Insumos para a indústria eletroeletrônica, como componentes de radiodifusão (US$ 281.73 milhões) e dispositivos de cristal líquido (US$ 154.64 milhões) lideraram a lista de produtos que vieram principalmente da China (US$ 668.73 milhões).
As vendas externas também registraram desempenho positivo, com 25,73% de crescimento, passando de US$ 199.39 milhões (2007) para US$ 250.70 milhões (2008). Os telefones celulares mantiveram a liderança, com incremento de 183.34% –US$ 71.26 milhões (2008) contra o valor de US$ 25.15 milhões (2007). O principal destino dos produtos foi a Argentina (US$ 101.05 milhões).
Expectativa
negativa
Apesar de considerarem os números positivos para o PIM (Pólo Industrial do Amazonas), as lideranças da indústria ainda mantêm expectativa negativa em relação aos próximos meses.
“O resultado da balança comercial pode cair em função desses fatores negativos. Infelizmente, a greve dos auditores da Receita está engessando a economia”, lamentou o diretor-executivo da Aceam (Associação do Comércio Exterior da Amazônia), Moacyr Bittencourt.
“A greve pegou a indústria em um momento em que ainda trabalhava com estoques. Como os efeitos só começaram a ser sentidos a partir do 25º dia do movimento, não tenho dúvida de que a repercussão deve trazer os números para baixo nos próximos meses”, emendou o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro.
Fatores
estruturais
O diretor-executivo da Aceam destaca ainda que fatores estruturais vêm a se somar à paralisação para inibir o potencial do Estado do Amazonas. “O que segura as exportações é a lamentável condição da infra-estrutura portuária e de transporte de cargas na região. No caso das importações, o que realmente segura a desnacionalização de nossos produtos é o PPB (Processo Produtivo Básico). Não há como aumentar a produção de componentes da noite para o dia”, ressaltou Bittencourt.
Setor de bebidas puxa exportações da ZFM
Do lado das exportações, a novidade foi a vice-liderança das preparações para elaboração de bebidas na pauta nos três primeiros meses de 2008, com alta de 18,56% e faturamento de US$ 39.16 milhões. “Além de inflacionar os preços, a crescente demanda por alimentos no mundo está pressionando também o consumo de bebidas. Este segmento deve ficar entre os maiores exportadores até o fim do ano, beneficiando as grandes empresas instaladas no pólo”, avaliou Maurício Loureiro.
Principais
destinos
Já a vice-liderança da Venezuela na lista dos principais destinos dos produtos da ZFM (Zona Franca de Manaus), com US$ 29.82 milhões em compras, seria fruto do desabastecimento interno e das decisões políticas daquele país.
“A Venezuela importa a maior parte do que consume: alimentos da Colômbia e eletroeletrônicos do Brasil, por exemplo. É um fator que contribui para que a liderança da Argentina na lista de clientes do Pólo Industrial de Manaus oscile constantemente”, informou Moacyr Bittencourt.
Benefícios
apontados
“A política de boa vizinhança com o Brasil e o bloqueio aos produtos norte-americanos está beneficiando o Brasil e principalmente o Amazonas, que está mais próximo. A situação poderia ser melhor ainda se a relação aduaneira fosse melhor trabalhada em uma conversa com os dois países para reduzir a burocracia”, concluiu o presidente do Cieam.






