Trigo deve subir de valor mas preço do pão não aumenta

Em: 24 de abril de 2008

A pressão da Argentina, que suspendeu as exportações de trigo para o Brasil, ameaça causar uma crise no mercado brasileiro de panificação. Como em toda crise dessa natureza, onde a primeira repercussão é o aumento dos preços, a preocupação maior é sempre do consumidor final, sobre quem recai o repasse dos aumentos. Até ontem, felizmente, não havia esse perigo para a população amazonense.
A indústria da panificação amazonense começa a sentir o impacto da decisão da Secretaria de Agricultura da Argentina, que na última quarta-feira suspendeu os registros de exportações de trigo em grão e farinha do país para o Brasil. A medida vai causar aumento de custos para a indústria e conseqüentemente, novos aumentos ao consumidor.
A interrupção do fornecimento complica a situação da indústria brasileira, que mesmo tendo um estoque confortável da matéria-prima, será obrigada a comprar o trigo dos Estados Unidos e do Canadá, caso a suspensão persista. Só que esse trigo é mais caro, a tonelada gira em torno de US$ 460, e o valor do frete encarece ainda mais o produto.
Faltando trigo para o Brasil, faltará também para o Amazonas. Mas embora o preço da saca do trigo tenha subido de R$ 67 no mês de fevereiro para R$ 102 neste mês de abril, com 52,23% de aumento, os panificadores amazonenses decidiram manter os preços atuais do pão. Os dirigentes empresariais argumentam que o pão tem peso importante no orçamento familiar e um aumento causaria prejuízos sociais.
No entanto, eles esperam um realinhamento de preços nos demais produtos derivados do trigo, como as massas e biscoitos. Esses aumentos são considerados inevitáveis pelos panificadores, até para segurar o preço atual do pão.
Uma medida louvável dos sindicatos da categoria, haja vista que o pão francês se constitui um alimento base no sustento das famílias de baixa renda e o preço atual já consome uma parcela significativa do orçamento doméstico.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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