Balanço de pagamento está superavitário em US$ 8.2 bi

Em: 7 de maio de 2008
No acumulado do primeiro trimestre , a conta financeira, que registra o fluxo líquido de capitais para o país, re­gistrou um saldo expressivo de +US$ 20.5 bilhões.
No acumulado do primeiro trimestre , a conta financeira, que registra o fluxo líquido de capitais para o país, re­gistrou um saldo expressivo de +US$ 20.5 bilhões.

No primeiro trimestre do corrente ano, o balanço de pagamentos brasileiro foi superavitário em US$ 8.2 bilhões, cifra 64% inferior à registrada no mesmo período de 2007 (US$ 23.4 bilhões).
O principal determinante desta forte deterioração das contas externas foi a reversão do resultado em transações correntes, que passou de uma posição de virtual equilíbrio (US$ 241 milhões) para um déficit de US$ 10.7 bilhões no acumulado de janeiro a março de 2008. Os determinantes deste resultado já foram detalhados na Análise Iedi do dia 28 de abril. O objetivo desta análise é examinar a evolução dos fluxos de capitais nesse período.
No acumulado dos três primeiros meses do ano, a conta financeira, que registra o fluxo líquido de capitais para o país, registrou um saldo expressivo de +US$ 20.5 bilhões que, apesar de menor que o obtido em igual período de 2007 (+US$ 24.5 bilhões), foi bem superior ao déficit em transações correntes e, assim, garantiu o resultado superavitário do balanço de pagamentos. Este saldo, por sua vez, foi viabilizado pelo ingresso líquido de capitais externos no valor de US$ 28.2 bilhões no período analisado, cifra ligeiramente superior à registrada no mesmo período de 2007 (a diferença entre esse ingresso e o saldo da conta financeira refere-se à saída de capitais brasileiros para o exterior).
A performance favorável deste ingresso, a despeito do contexto financeiro internacional adverso, ancorou-se nas três principais modalidades de capital estrangeiro, com destaque para os outros investimentos estrangeiros (que somaram US$ 13.2 bilhões), seguidos pelos Investimentos diretos externos –IDE (US$ 8.8 bilhões) e pelos investimentos estrangeiros de portfólio (US$ 6.2 bilhões).
Alguns fatores internos contribuíram para sustentar o ingresso de recursos externos ao longo do primeiro trimestre. No caso dos Outros investimentos estrangeiros, a entrada líquida de divisas explica-se, fundamentalmente, pelo crescimento das operações de crédito comercial –antecipação das receitas em dólares pelos exportadores e financiamento de importações– estimuladas pelo aumento do diferencial entre os juros internos e externos após as reduções sucessivas da taxa de juros básica nos Estados Unidos num contexto de manutenção da taxa de juros básica num patamar elevado.
Os fluxos de investimento de portfólio tiveram um resultado positivo em função das aplicações em títulos de renda fixa, também induzidas por esse diferencial. Já os fluxos de IDE, que são pró-cíclicos, são explicados pelo dinamismo do mercado interno, que se manteve no período analisado.
Ao longo dos três primeiros meses do ano, todavia, o ingresso de recursos externos não seguiu uma trajetória contínua de expansão. Sua evolução refletiu, em parte, as “ondas” de turbulência externa, associadas às tensões de iliquidez no mercado financeiro internacional, que teve efeitos, principalmente, sobre os investimentos de portfólio em ações.

Crise
financeira
Assim, a economia brasileira sentiu os impactos negativos da crise financeira internacional, principalmente, no segundo semestre de 2007. No primeiro trimestre do corrente ano, a ampliação do diferencial entre os juros internos e externos estimulou tanto operações de crédito vinculadas ao comércio exterior, como a entrada de fluxos de hot money, ávidos por ganhos de curto prazo para cobrir as perdas com as hipotecas subprime, ao mesmo tempo em que o maior crescimento econômico continuou atraindo os fluxos de IDE.
Finalmente, vale mencionar que a obtenção do grau de investimento certamente atuará no sentido de manter ou mesmo aumentar os fluxos de capitais para o Brasil, contribuindo para manter a economia brasileira relativamente “imune” ao eventual agravamento da crise financeira externa (desde que este não seja muito forte). Neste contexto, as pressões em prol da apreciação do real se intensificarão, com efeitos negativos sobre as transações correntes. Ou seja, o tão esperado investment grade pode se revelar uma “faca

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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