Navais e gráficos comemoram investimentos

Em: 13 de maio de 2008
Representantes desses segmentos no Amazonas esperam uma expansão mínima de 15% a partir da aplicação dos recursos federais no Estado anunciadas pelo governo.
Representantes desses segmentos no Amazonas esperam uma expansão mínima de 15% a partir da aplicação dos recursos federais no Estado anunciadas pelo governo.

A criação do fundo fiduciário de amparo e a renúncia fiscal nas linhas de produção previstas na regionalização da política industrial lançada pelo governo federal no início da semana, deverão ser pontos-chaves para os setores naval e gráfico. Pelo menos esse foi o entendimento dos representantes desses segmentos no Amazonas que esperam uma expansão mínima de 15% a partir da aplicação dos recursos federais no Estado.
O presidente do Sindnaval (Sindicato da Indústria da Construção, Reparos e Manutenção Naval do Amazonas), Jaime Pereira, analisou a promessa de investimentos, afirmando que o governo percebeu, enfim, a necessidade de injetar mais recursos na indústria naval das regiões onde o transporte aquático representa o principal meio de escoamento da produção industrial, como é o caso do Amazonas.
Pereira ressaltou que a expectativa das 19 empresas do pólo naval se volta para a aplicação em três anos de um volume superior a R$ 400 milhões destinado ao aumento da produção nos estaleiros locais. Segundo o executivo, o setor teve assegurada a redução dos custos de industrialização a partir da suspensão da cobrança do PIS e Cofins incidentes sobre peças navais. “Isso trará muitos benefícios para as empresas que vinham sendo assoberbadas com as tributações. Com menos impostos, as indústrias navais poderão ampliar a oferta de trabalho principalmente no interior do Estado”, acrescentou o empresário.
Já o vice-presidente do Sinaval (Sindicato da Indústria da Construção Naval de Manaus), Ivan Salmito, explicou que a criação do fundo fiduciário é a grande proposta da nova política industrial para os estaleiros amazonenses. No entendimento do empresário, o crescimento das empresas locais é emperrado pelo fato de não haver linhas de crédito específicas para a região amazônica e pela burocratização no financiamento da construção dos navios. “Hoje, para obtermos um financiamento de R$ 20 milhões, por exemplo, é preciso dar como garantia 130% do valor do financiamento e batalhar de seis a oito meses na lista de espera do BNDES para não perder o contrato de negócios”, disse.
Salmito considerou também a simplificação dos processos de financiamento e a liberação total do recurso financiado como alguns dos gargalos da indústria local. Segundo o dirigente, o BNDES financia apenas 70% do valor dos bens e exige que os empresários injetem os 30% restantes como contrapartida. “Por isso, consideramos que a criação do fundo fiduciário é a grande expectativa para a expansão do setor no Amazonas, que amarga, há alguns anos, repetidas quedas no desempenho da produção”, asseverou.

Abigraf elogia pacote

Para a indústria gráfica do PIM, a nova política industrial traz como aspectos mais relevantes a renúncia fiscal de R$ 21,4 bilhões, que compensará a alta carga tributária e o câmbio sobrevalorizado, que retirou a competitividade dos impressos nacionais no comércio exterior. Na análise do presidente da Abigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica), Mário César de Camargo, as medidas anunciadas somente terão efeito prático se realizadas com agilidade e acompanhadas de uma política cambial menos cruel com os exportadores e juros mais baixos.
Camargo explicou que o câmbio sobrevalorizado foi o grande responsável pela transformação do superávit comercial em um preocupante déficit no qual a indústria gráfica mergulhou nos últimos anos. “O saldo da balança comercial do setor encerrou o primeiro trimestre de 2008 com déficit de US$ 17,6 milhões. O valor é 302% maior do que o verificado em igual período de 2007”, lamentou.
Em relação às medidas da política industrial, Camargo afirmou que a iniciativa pode suscitar a retomada do crescimento do setor gráfico, que costuma reagir rapidamente às oscilações do nível de atividades. “Se as medidas resultarem em crescimento de 4% nos termoplásticos, por exemplo, o setor terá expansão de 10%”, asseverou.
Na indústria gráfica local, dentre as 814 empresas, 89,8% têm no máximo 19 funcionários e 96%,

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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