Crises, concorrência e sobrevivência do modelo Zona Franca de Manaus

Em: 4 de junho de 2008
A luta pela sobrevivência sempre foi desigual, seja no âmbito da economia e da política doméstica ou na disputa com os mercados emergentes de outros continentes.
A luta pela sobrevivência sempre foi desigual, seja no âmbito da economia e da política doméstica ou na disputa com os mercados emergentes de outros continentes.

A luta pela sobrevivência sempre foi desigual, seja no âmbito da economia e da política doméstica ou na disputa com os mercados emergentes de outros continentes, as pressões são constantes e intensas. O fato é que a Zona Franca de Manaus é uma sobrevivente de uma época em que o modelo se espalhou pelo mundo como alternativa para a multinacionalização dos negócios, hoje rebatizada de globalização da economia.
Desde a época dos controles de cotas de bagagem, passando pelos pacotes econômicos, Constituinte de 88, planos econômicos – Plano Cruzado, Plano Collor, Plano Verão, Plano Bresser, Plano Real – Lei de Informática, mini reforma tributária, enfim, em cada mexida na economia, a ZFM fica em pânico e a classe política amazonense se desdobra para manter as conquistas do modelo.
Mal saímos da “guerra fiscal” e já enfrentamos a “guerra do set-top box”, uma palavra esquisita que passou a fazer parte do já extenso vocabulário de crises da indústria amazonense. Agora se anuncia que os eletroeletrônicos produzidos no Pólo Industrial de Manaus estão perdendo a guerra contra os importados, principalmente nas linhas de áudio e vídeo.
Estranhamente, uma coisa que parece boa para o Brasil, a queda no preço do dólar, está na raiz do problema. De acordo com o Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), a depreciação do câmbio, combinada ao crédito facilitado, torna os importados mais baratos para o consumidor em comparação aos produtos nacionais.
Os números não deixam dúvidas. Os indicadores da Suframa refe­rentes ao primeiro trimestre do ano apontam quedas significativas no segmento: aparelhos de DVD (26,19%), aparelhos de som (26,68%), home theaters (32,21%), fornos de microondas (19,09%) e condicionadores de ar (19,52%).
São números que anunciam uma fase crítica. Felizmente o modelo tem demonstrado capacidade de se ajustar a cada mudança de rumo.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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