A Amazônia, ou melhor, o perigo de que a maior floresta tropical do planeta venha a ser devastada, continua a motivar ‘cuidados’ pela sua conservação nos locais mais díspares como a Europa ou os Estados Unidos. Desta vez foi um encontro de autoridades brasileiras do Legislativo, Executivo e mesmo uma das partes mais interessadas na problemática amazônica, um representante indígena, presente ao encontro mantido no palácio do príncipe Charles, herdeiro da coroa britânica, no final de abril, na Inglaterra.
A finalidade do encontro, marcado por iniciativa do príncipe inglês, era debater a situação atual da floresta e as perspectivas de como mantê-la, no futuro, em face das discussões sobre novas informações que dão conta de um acirramento nas queimadas que supostamente estariam ocorrendo na região, com maior incidência no Estado do Mato Grosso.
Entretanto, enquanto senadores e governadores se dão ao trabalho de ir à Europa ouvir o que o príncipe tem a dizer sobre a conservação desta parte do Brasil, o pronunciamento do general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia, sobre a incoerência da política indigenista e das normas sobre a demarcação das áreas indígenas parecem cair no vazio, a não ser pela possível, embora pendente, punição ao militar.
Por outro lado, o encontro ocorrido na Inglaterra tem o mérito de ter levado pessoas da região Norte para um debate do qual estas sempre estiveram ausentes não por opção, mas por falta de oportunidades de expor o ponto de vista do nativo, daquele que aqui vive e conhece as agruras do que é viver na maior floresta tropical do mundo, onde as ações do governo, em quaisquer das três esferas, são rarefeitas, quase inexistentes, se não pela falta de vontade política, mas pela imensidão do território onde está situada a floresta.
Com inclusão destes novos atores, que antes eram apenas pacientes nos debates, é possível que a voz do amazônida concorra para torná-lo um agente ativo nas decisões a ser tomadas envolvendo a sustentabilidade da floresta.
Amazônida esquecido
É um fato inegável, por exemplo, que a preocupação alienígena com a Amazônia, desde muito tempo, pouco tem se importado com aqueles que aqui vivem e, bem ou mal, têm conseguido manter em pé a floresta à custa de muitos sacrifícios, sem nada receber em troca, principalmente no Estado do Amazonas, onde a floresta se mantém intacta numa proporção superior a 90%.
É importante que a discussão ocorra neste período da semana do meio ambiente, quando os olhos do mundo se voltam para a Amazônia com maior intensidade, mesmo que causada pela esdrúxula declaração do magnata sueco Johan Eliash, proprietário de 160 mil hectares de terras amazônicas às margens do Madeira, de que o território amazônico poderia ser comprado pela bagatela de US$ 50 bilhões.
Como se vê, a partir deste tipo de ‘preocupação’, está longe da mente estrangeira um pensamento voltado para o bem-estar daqueles que vivem na Amazônia. A tradução desta apreensão está mais voltada para os prejuízos que eles terão, caso a catástrofe ambiental decorrente do fim das florestas tropicais venha realmente a ocorrer. Quer dizer, este ‘cuidado’ com a nossa floresta (dos brasileiros, sem nenhuma dúvida) se traduz em valores monetários para a mente que ainda reflete com os resquícios dos tempos da colonização das terras americanas.
O lado positivo do debate em curso parece ser a hipótese de que as nações ricas também devem ser responsáveis, em termos financeiros, já que este é o argumento com o qual elas melhor se expressam, pela manutenção da floresta em pé.
Assim, é muito bom saber da disposição da Comunidade Britânica de investir, nos próximos dez anos, o valor de dez bilhões de libras esterlinas (cerca de R$ 50 bilhões) para remunerar os serviços ambientais prestados pelas florestas ao redor do mundo, embora se saiba que estes serviços têm muito mais valor do que este arbitrado por aqueles países. De qualquer forma, já é um começo. Com isto, caso o investimento venha a






