Ministro Miguel Jorge afirma que elevação na taxa de juros é ‘necessária’

Em: 22 de julho de 2008
Caso o BC suba os juros, será a terceira alteração seguida para cima. Em cada uma das duas últimas reuniões do Copom, realizadas em abril e junho, a Selic foi elevada em 0,5 ponto percentual.
Caso o BC suba os juros, será a terceira alteração seguida para cima. Em cada uma das duas últimas reuniões do Copom, realizadas em abril e junho, a Selic foi elevada em 0,5 ponto percentual.

Um novo aumento dos juros, pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, é “absolutamente necessário”, disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, na Associação Comercial do Estado de São Paulo.
“Entre ter juros e inflação, prefiro juros. Mesmo depois de dois aumentos, investimentos de empresas que estão produzindo, vendendo e reinvestindo no país continuam fortes”.
O ministro acrescentou que “até a Fiesp” (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) concordou que uma elevação é “aceitável” para controlar a inflação.
Questionado sobre como o empresário pode resistir à valorização do real, a alta da inflação e ao aumento dos juros, ele disse: “Desde 1986, o empresário brasileiro passou por seis moedas e oito planos econômicos heterodoxos. Ele vai sobreviver a qualquer tempestade”. Para o ministro, a aceleração da inflação é passageira, efeito de fenômenos mundiais com reflexos no Brasil, como a alta dos preços dos alimentos e do petróleo.
O BC se reúne nesta semana para decidir sobre a nova Selic. O mercado financeiro aposta que deverá se manter o ritmo da correção dos juros e elevará a taxa em 0,5 ponto, de 12,25% ao ano para 12,75% ao ano.

Aperto maior não é descartado

O mercado financeiro aposta que o Banco Central deverá manter o ritmo da correção dos juros e elevará a taxa Selic em 0,5 ponto percentual na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Econômica), que começa ontem e se encerra na quarta-feira. Com isso, a Selic passaria de 12,25% ao ano para 12,75% ao ano.
Porém, a previsão cada vez maior para o IPCA, o índice que baliza a meta de inflação do governo federal, faz com que o mercado não descarte a possibilidade da Selic subir em um ritmo ainda maior, a 0,75 ponto percentual.
Caso o BC suba os juros, será a terceira alteração seguida para cima. Em cada uma das duas últimas reuniões do Copom, realizadas em abril e junho, a Selic foi elevada em 0,5 ponto percentual. A Selic tem impacto sobre o custos dos empréstimos para consumidores e empresas. Quando o governo está preocupado com a inflação, tende a elevar os juros para desestimular consumo e investimentos, de modo a “esfriar” a atividade econômica.
Segundo a pesquisa semanal Focus, realizada pelo próprio BC junto às 100 principais instituições financeiras do país, a alta será de 0,5 ponto percentual. Também apostam que, ao final do ano, a Selic estará em 14,25% -ou seja, deverá subir, além do 0,5 ponto hoje, mais 1,5 ponto nas reuniões que restam em 2008. Serão mais três: 9 e 10 de setembro, 28 e 29 de outubro e 9 e 10 de dezembro.
“Esperamos que o BC mantenha o ritmo de alta na taxa Selic em 0,5 ponto, elevando a taxa Selic para 12,75%, mas mantendo a sinalização de que o ciclo de aperto monetário pode ser mais longo, em função da piora no cenário prospectivo para a inflação”, disse o economista-chefe da corretora Concórdia, Elson Teles.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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