O descarte de pneus em lixões, valas e córregos tem causado preocupação entre ambientalistas, em especial pela demora na decomposição do material, que permite a proliferação de insetos e até a emissão de gases tóxicos, no processo de queima da borracha a céu aberto.
De acordo com a Reciclanip, entidade que trata de coleta e destinação de pneus no Brasil, apesar do processo ainda ser pouco conhecido pela população, somente em 2007, cerca de 70% do total de pneus sem vida útil coletados foram eliminados em fornos de cimento. Ou seja, aproximadamente 32 milhões de pneus foram co-processados. Tal volume equivale a uma substituição energética de aproximadamente 5% do percentual utilizado pela indústria brasileira, estimada em 154 mil toneladas de combustível fóssil.
Atualmente, a capacidade potencial de co-processamento da indústria cimenteira é de 120 milhões de pneus (600 mil ton/ano), o que mostra claramente o alto potencial da indústria para trabalhar esta técnica, pois apenas 27% dos pneus inservíveis são co-processados no Brasil.
A destinação dos pneus velhos para os fornos de cimento inclui inúmeras vantagens, como a destruição definitiva de grandes volumes de borracha, que por sua vez, permite melhor manutenção de aterros e a preservação de recursos naturais.
O meio ambiente é privilegiado duas vezes com o co-processamento. Na indústria cimenteira, por exemplo, os pneus podem ser utilizados como combustível alternativo ao coque de petróleo, poupando recursos naturais. Esse procedimento é adotado desde a década de 70 no Japão, Europa e América do Norte. Por outro lado, fabricantes de pneus resolvem o grave problema de destinação para pneus velhos, pois os fornos são uma maneira eficaz de se livrar de resíduos e materiais inservíveis prejudiciais ao ambiente.
Além disso, todo o material é aproveitado no co-processamento, tanto na alimentação da chama dos fornos quanto na incorporação de matéria-prima do clínquer (composto do cimento), fato que não interfere na qualidade do insumo e ainda possibilita seu na construção civil.
O tema, diretamente ligado à destinação de resíduos, será alvo do Concrete Show, que além de novas tecnologias abordará conceitos de sustentabilidade.
Sobre a ABCP
A ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland)é uma entidade sem fins lucrativos que há mais de 70 anos promove estudos sobre o cimento e suas aplicações. Reconhecida nacional e internacionalmente como centro de referência em pesquisas sobre o cimento, a ABCP também atua no desenvolvimento de tecnologias sobre o concreto e mantém uma equipe de profissionais graduados à disposição do mercado, para consultoria e suporte a grandes obras da engenharia brasileira. Visite www.abcp.org.br.






