O aumento dos investimentos estrangeiros no setor produtivo e no mercado de ações estão entre os principais responsáveis pela redução da vulnerabilidade externa do Brasil.
Segundo um relatório especial do Banco Central sobre “Evolução de Sustentabilidade Externa’’, os investimentos estrangeiros diretos (no setor produtivo) cresceram 225% de 2001 para 2007, de US$ 101 bilhões para US$ 328 bilhões. No mercado de ações, esse volume subiu dez vezes e chegou a US$ 364 bilhões.
Com esses resultados, os investimentos se tornaram um passivo maior que a dívida externa brasileira nesse perío-do, que passou de US$ 210 bilhões para US$ 193 bilhões, uma queda de 8%.
De acordo com o BC, essa mudança foi importante para reduzir a vulnerabilidade externa, já que o crescimento do país está sendo financiado hoje mais pelos investimentos do que por dívida externa.
O BC destaca que investimentos são remunerados por remessas de lucros, ou seja, pelo bom desempenho da economia do país. Já os empréstimos com dívida exigem sempre pagamento de juros, independentemente de o país ter ou não dinheiro para isso.
“O financiamento sob a forma de dívida externa se traduz em compromissos cuja data de exigência é definida, e seu custo está diretamente atrelado às taxas de juros internacionais. Já o financiamento a partir de passivos como IED (investimento estrangeiro direto) e investimento em carteira, na modalidade ações, tem seu custo diretamente ligado ao desempenho da atividade doméstica e dos ciclos econômicos internos’’, diz o BC.
Segundo o BC, o capital que entra no país como investimento direto “é uma alternativa saudável de financiamento e tem garantido ingressos líquidos superiores às remessas de lucros e dividendos’’.
Em relação às ações compradas na bolsa por estrangeiros, segundo o BC, boa parte do crescimento deve-se à valorização dos papéis. Em valores nominais, e em moeda nacional, o Ibovespa subiu 467% entre o final de 2002 e o final de 2007, enquanto, em dólares, a variação alcançou 1.031%. “O valor em dólares do investimento em ações no país tende a subir em conjunturas favoráveis e cair em momentos menos favoráveis’’, diz o Banco Central.
O BC diz que essa mudança no perfil do dinheiro que o Brasil recebe do exterior para financiar seu crescimento será importante para as contas externas em um momento em que o país voltará a registrar déficit nessa área.
Em 2008, o Brasil voltará a registrar déficit em suas transações correntes com o exterior, após inéditos cinco anos seguidos de superávits. As transações correntes incluem as transações comerciais e de rendas do país com o exterior. O déficit, que até 2002 era provocado pelo pagamento de juros da dívida externa, será produzido pelo aumento das remessas de lucros e dividendos das multinacionais instaladas no país.
Investimento estrangeiro cresce 225% e deixa país menos vulnerável
Em: 12 de agosto de 2008
O Banco Central destaca que investimentos são remunerados por remessas de lucros, ou seja, pelo bom desempenho da economia do país
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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