Japoneses pedem mais oferta de energia no PIM

Em: 14 de setembro de 2008
Executivos questionaram a qualidade e insuficiência de energia elétrica na cidade, apontando que há fortes indícios de não atender à demanda industrial
Executivos questionaram a qualidade e insuficiência de energia elétrica na cidade, apontando que há fortes indícios de não atender à demanda industrial

As empresas japonesas, especialmente as do setor de duas rodas, resolveram bater o pé e exigir melhorias na oferta de energia e avanço na aplicabilidade das políticas de preservação ambiental, apontados como fatores essenciais para a instalação de novos projetos industriais no PIM (Pólo Industrial de Manaus).
O primeiro aviso foi dado pela Kaigisho (Câmara de Comércio e Indústria Nipo-Brasileira no Amazonas) com o aval da Associação Nipo-brasileira para o Meio Ambiente no último fim de semana durante o seminário sobre as perspectivas e vínculos do capital nikkei no desenvolvimento regional, ocorrido durante a 4ª Fiam (Feira Internacional da Amazônia).
O consultor de meio ambiente e economia da Apanb (Associação Pan-Amazônia Nipo-Brasileira), Sadao Mae­da, questionou a qualidade da oferta de energia na capital, asseverando que há fortes indícios de não ser suficiente para atender à demanda fabril nos próximos dois anos.

Fator de investimento

De acordo com o especialista, existe atualmente uma política difundida entre as empresas nipônicas de aliar os investimentos promissores à produção politicamente correta, fator no qual o Brasil leva vantagem sobre a maioria dos outros países emergentes. “Atualmente, Manaus está abastecida de energia suficiente. Agora se essa energia é de boa qualidade ou não e se vai permanecer em níveis estáveis, são questões delicadas que não estão sendo tratadas a contento com as indústrias interessadas em vir para o PIM”, instigou.
Maeda assegurou que não há como evitar o questionamento da matriz energética de uma região fabril, onde é flagrante as quedas de voltagem e a venda de grupos geradores a diesel é um negócio dos mais rentáveis. O uso da energia térmica, na opinião do especialista, vai de encontro às ressalvas japonesas de produzir com agressão ao meio ambiente. “Queremos nos certificar de que o Amazonas continuará sendo um bom local para se investir e não apenas uma região de incentivos fiscais”, reclamou.
Dados da Kaigisho apontam que 10% das empresas do PIM têm capital japonês, quantidade cuja representatividade na participação de mercado supera 33%. Além disso, segundo a mesma entidade, as empresas japonesas respondem por 25% de todo o faturamento do PIM, percentual relevante em relação às cerca de 470 empresas atuando na região.

Investimentos concentrados

O ex-presidente da Kaigisho e consultor empresarial, Teruaki Yamagishi, avaliou que os investimentos nipônicos concentrados principalmente no pólo de duas rodas devem alcançar mais de US$ 3.5 bilhões este ano, volume financeiro suficiente para alavancar subsetores como usinagem, metalurgia e estamparia.
Entretanto, apesar dos bons números, o executivo afirmou que a Câmara vê com preocupação a chegada de novas empresas sem o devido respaldo de uma política que coíba aspectos industriais predatórios.
“As empresas japonesas já deram o exemplo de produção fabril aliada à questão ambiental. Seria interessante que todos os segmentos se adaptassem a uma preocupação ecológica”, asseverou.

Estado apresenta boa reserva energética, aponta superintendente

Mas o superintendente adjunto de projetos da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), Oldemar Ianck, negou que a região tenha carência de energia. Conforme o executivo, a cidade pode se gabar de uma boa reserva energética advinda principalmente da hidroeletricidade gerada por Balbina, no município de Presidente Figueiredo.
“Estamos passando por uma questão emergencial por conta da mudança da matriz energética de diesel para gás natural, mas em curto prazo essa condição será modificada”, assegurou.
Segundo dados da Suframa, através da Coordenadoria-Geral de Informações Sócio-Econômicas, as 34 empresas de capital japonês continuam sendo as que mais investem no Amazonas, ampliando de 38% para 39,24% suas aplicações na região, cujo volume alcançou US$ 1.90 bilhão até junho. Durante o evento, Yamagishi afirmou ainda que em virtude da estabilidade econômica da região, o investimento das empresas japonesas tende a ser intensificado ainda mais nos próximos dois anos com a chegada de três novas indústrias de componentes. Embora não tenha revelado nomes, o consultor disse que estão previstos investimentos na ordem de US$ 21 milhões com a chegada das empresas. “Nas relações comerciais, o volume de negócios entre Brasil e Japão está aumentando, com um crescimento pequeno das exportações brasileiras e um estrondoso aumento das importações japonesas. Na balança comercial, o Japão registra recordes de superávit, puxados pela importação de autopeças para suprir o aquecimento do mercado brasileiro”, ressaltou.
Os empresários japoneses presentes na reunião mostraram-se interessados em investir na Amazônia, principalmente na área de energia a partir do etanol, com a possibilidade da chegada de uma indústria de hélices para aviões e barcos e no pólo de cosméticos.
No Japão, empresas brasileiras já atuam em negócios de ações e a Petrobras e a Embraer participam cada vez mais do mercado japonês.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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