Crise pode gerar oportunidade de bons negócios a médio prazo

Em: 27 de outubro de 2008
Acreditando que, mesmo diante do quadro de crise econômica, o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro, avaliou que o momento está propício para novos investimentos
Acreditando que, mesmo diante do quadro de crise econômica, o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro, avaliou que o momento está propício para novos investimentos

Jornal do Commercio – Quais os reflexos da crise na economia brasileira e na mundial?

Maurício Loureiro – A nosso ver, os reflexos dessa crise internacional já estão existindo. Haja vista as decisões tomadas por grupos multinacionais de reduzirem seus ritmos de trabalho, seja no Brasil e ou no exterior. Tudo isso reflete a crise. Existem questões que não estão colocadas e que com toda certeza poderão influenciar ainda mais todo este contexto de incertezas.

JC -Que incertezas são essas?

Loureiro – Ninguém sabe qual o tamanho desta crise em termos de volatilidade dos recursos financeiros? Quanto recurso será necessário dispor para que se estabilize os efeitos da crise? Por quanto tempo os seus efeitos impactarão os sistemas econômicos? Os EUA, a Europa, a Ásia e demais países no contexto global sabem precisar que regulamentações serão necessárias para que todo esforço empreendido hoje não seja perdido amanhã?

JC – Diante desse cenário, o que vai sobrar para o PIM?

Loureiro – Não nos parece que essa crise que aparentemente chegou ao Brasil, seja de vulto tenebroso para nós. Poderemos ter problemas sim. Porém, serão amenos e muito provavelmente pontuais, pois há segmentos que poderão sofrer maiores impactos que outros. Isto, em função da redução do crédito, do aumento do juros, do controle da inflação e de uma prevenção natural que o próprio consumidor possa fazer apostando num futuro de curto prazo meio incerto.

JC – Cite os pontos positivos e negativos da oscilação cambial?

Loureiro – Os positivos são que contribuem para o aumento das exportações, caso o mercado internacional não se submeta a crise internacional e haja recessão. O negativo é o aumento dos custos em real que, neste momento, não poderão ser repassados para o mercado interno.

JC – Há quem diga que as empresas do PIM estão preparadas para esse tipo de crise. O que o senhor tem a dizer a respeito do assunto?

Loureiro – Acreditamos que uma boa parte delas esteja sim. Pois, ao longo dos últimos anos, puderam se capitalizar e criaram um colchão financeiro relativamente bom, reduziram seu endividamento, ficaram mais eficientes e passaram a administrar com mais proficiência seus negócios. Portanto, passar por mais uma crise não será tão difícil, mas há que se ter cautela, mesmo estando bem sem seus negócios.

JC – O momento está propício para novos investimentos?

Loureiro – Acreditamos que possa ser uma boa oportunidade, desde que se tenha a absoluta certeza de que o investimento previsto poderá alavancar bons resultados a curto e médio prazo, pois a longo prazo e sem conhecer de perto os efeitos temporal da desaceleração global é bom se ter prudência.

JC – Há riscos de fuga de capital do PIM? Porque?

Loureiro – Não acreditamos que haja fuga em massa ou coisa equivalente. O que poderá ocorrer, dependendo do tamanho da crise internacional, é a redução dos investimentos de longo prazo. Justamente porque não se tem hoje uma visão mais otimista do tempo que a tal crise global poderá levar. Alguns dizem que essa turbulência econômica deve durar 12 meses, outros falam em 18 meses. E há os que são céticos e não estimam tempo.

JC – O senhor acredita que as projeções da Suframa vão ser alcançadas com relação ao faturarmento em torno de US$ 25 bilhões este ano?

Loureiro – A projeção que o Cieam fez no início do ano de 2008, ficava entre US$ 28 e US$ 29 bilhões. A Suframa, pelo que ouvimos dizer faz projeção de US$ 30 bilhões.

JC – Arrisca projeções 2009?

Loureiro – Podemos dizer que em 2009, se a crise econômica não nos atingir de forma mais contundente, poderemos ficar com uma projeção entre US$ 25 e 28 bilhões em faturamento.

JC – Como representante do Cieam, qual sentimento tem observado nas empresas associadas diante do quadro de crise internacional?

Loureiro – Inicialmente de precaução e preocupação, porém estamos percebendo que a cautela para 2009 será a tônica nos negócios.

JC -O que fazer para driblar o atual quadro econômico?

Loureiro – Acreditar que temos capacidade criativa, que podemos superar obstáculos, assim como já o fizemos no passado. É preciso que sejamos astutos o suficiente para driblar a crise. Por outro lado, seria muito interessante que o governo federal e demais pudessem colaborar reduzindo drasticamente a burocracia e os percalços empresarias para que, de alguma forma, pudéssemos ganhar mais competitividade interna e externa. Se o momento é de crise, nada melhor do que dar exemplos positivos e mostrar que é possível superar obstáculos vencendo barreiras internas.

JC – Qual o impacto da crise no mercado de trabalho?

Loureiro – Não há dúvida de que haverá impacto e isso nós já estamos presenciando. Seja através da não contratação de trabalhadores temporários – como anteriormente estava previsto-, seja através da redução destes em várias fábricas do Pólo Industrial de Manaus, ou ainda, na concessão de férias intempestivas no setor de duas rodas e outros. Vide ainda, as férias concedidas em São Paulo ao pessoal da área automobilística. E como exemplo externo os Estados Unidos, onde a General Motors anunciou o fechamento de fábricas e a demissão de milhares de empregados.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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