Jornal do Commercio – Muitas entidades acreditam que o atual contexto econômico não deve causar grandes impactos na economia local e no PIM ainda neste ano. Qual a posição da Aficam em relação à atual situação em que o mundo se encontra?
Cristóvão Marques – A crise é violenta e o Brasil não tem como ser imunizado desta situação. O PIM será um dos mais afetados, e atual situação já está comprometendo a produção de algumas indústrias, que já reduziram suas atividades.
JC – Até que ponto a crise compromete a produção?
Marques – A valorização do dólar desfavorece as importações, e grande parte das indústrias instaladas no DI (Distrito Industrial) utilizam materiais importados, chegando a utilizar até 80% de componentes em seus produtos. Produções de televisores, notebooks, entre outros equipamentos estão comprometidas.
JC – Além da crise mundial, outro grande golpe nas indústrias foi o reajuste de 15% na taxa de energia elétrica. Quais são os reflexos deste reajuste na economia local?
Marques – As empresas estão enxugando as despesas para segurar seus funcionários e o governo vem com esse reajuste. Esse acréscimo veio em uma difícil hora, e o nosso receio é que, com essa elevação de custos, venha a influenciar na competitividade das indústrias locais. Uma empresa que paga R$ 380 mil de energia, terá seus custos elevados em R$ 148 mil com energia elétrica, o que poderia ser destinado contratação de mão-de-obra.
JC – Falando em empregos, várias entidades também acreditam que o quadro de colaboradores das empresas locais não deverá ser comprometido, ou deverá sofrer impacto apenas se a crise persistir. O que o senhor pensa a respeito?
Marques – Já está comprometendo. As indústrias deixaram de contratar em outubro e demissões já ocorreram. Na próxima semana uma indústria, que eu não posso revelar o nome, estará demitindo 2.500 trabalhadores e ainda neste mês, outras deram férias coletivas aos seus colaboradores.
JC – O senhor acredita que as empresas que adotaram férias coletivas podem vir a demitir?
Marques – Sim, pois as vendas vão cair e isso influenciará na produção. A Moto Honda deixou de produzir 40.000 motocicletas em dez dias, o que impacta também nas indústrias que fornecem componentes para o veículo, como geradores e retrovisores.
JC – O senhor aposta uma estimativa de quanto tempo os problemas econômicos devem durar?
Marques – Não será menos que oito meses, mas pode durar até três anos com muitas dificuldades.
JC – Há uma medida em curto prazo, ou alguma medida emergencial que possa ser adotada para diminuir tais impactos como o desemprego?
Marques – As empresas ainda enfrentam muitas dificuldades quando vem se instalar no Amazonas. Acredito que, com menos burocracia e maior agilidade por parte de repartições públicas na aprovação de projetos, o número de empregos deveria ser bem maior e não sentiria tanto diante de problemas como este.
JC – A crise pode ocasionar o fechamento de indústrias no PIM?
Marques – Pode sim. Não podemos descartar essa possibilidade principalmente em relação às empresas terceirizadas e de pequeno porte.
JC – Quais são os maiores prejuízos que a crise econômica mundial pode causar no Amazonas?
Marques – O maior prejuízo com certeza seria o desemprego, já que a população gastaria menos principalmente no comércio.
JC – Que conselhos o senhor daria ao consumidor amazonense diante dessa situação?
Marques – ão se endividar, ter cautela nas compras e esperar o momento adequado realizá-las. Em fevereiro os produtos deverão estar mais baratos, e economizando terão dinheiro para eventuais despesas.







