Com vendas recordes de combustíveis entre janeiro e outubro, a BR Distribuidora espera somente para o próximo ano os efeitos da crise financeira sobre o mercado em que atua no país. O presidente da companhia, José Eduardo Dutra, disse ontem que os primeiros impactos deverão ser sentidos neste mês, mas não serão significativos dentro do resultado total da empresa.
A BR projetou impacto negativo de 0,5% nas vendas em novembro somente com a menor demanda da Vale. A mineradora é a principal cliente da BR com uma demanda mensal de 170 milhões de litros –o correspondente a 5% do total vendido pela distribuidora. A BR estimou redução de 10% nas vendas para a Vale ao mês. “Parte do nosso mercado está vinculado diretamente ao crescimento da economia do Brasil. À medida em que o Brasil cresce menos, isso irá refletir no nosso mercado’’, disse Dutra.
A BR vem batendo sucessivos recordes de vendas ao longo deste semestre. O último dado referente a outubro indica um volume comercializado de 3,4 bilhões de litros. De janeiro a outubro, a estatal vendeu 31,5 bilhões de litros, bem próximo do 33,9 bilhões vendidos ao longo de 2007.
“Para este ano, os números mostram que há um recorde garantido de vendas, tanto da BR quanto do mercado de distribuição de derivados. Para o ano que vem, é provável que haja um crescimento menor. Não acredito que venha a ter redução das vendas”, observou Dutra, lembrando que as vendas de automóveis já caíram em outubro.
Terceiro trimestre
O volume recorde de vendas resultou no melhor desempenho financeiro da BR na história. Pela primeira vez, a estatal registrou em nove meses lucro líquido superior a R$ 1 bilhão –R$ 1,028 bilhão. O desempenho supera em 49,2% os R$ 689 milhões constatados de janeiro a setembro de 2007.
Os destaques nas vendas da estatal foram de álcool hidratado (mais 63,9% sobre janeiro a setembro de 2007) e de óleo diesel (16,1% acima dos nove primeiros meses de 2007).
Dutra ressaltou que o crescimento das vendas da BR no terceiro trimestre superou a média do mercado. O volume total negociado pelas distribuidoras de julho a setembro cresceu 10,2%, já o desempenho da BR subiu 13,2% neste período. Com isso, a BR ampliou em 0,9 ponto percentual sua participação no mercado. A estatal lidera o setor de distribuição com participação de 34,8% do mercado.
O presidente da BR comentou ainda que não vê espaço para grandes fusões ou aquisições no mercado de distribuição. Para ele, os grandes negócios foram fechados nos últimos anos. Só vê espaço para pequenas compras. Ele frisou que a BR não planeja adquirir outras empresas.







