Ano novo com otimismo cauteloso

Em: 2 de janeiro de 2009
A crise econômica global, iniciada com o estouro da bolha do mercado imobi­liário nos EUA e a quebra de várias instituições financeiras daquele país, se alastrou rapidamente pelo planeta
A crise econômica global, iniciada com o estouro da bolha do mercado imobi­liário nos EUA e a quebra de várias instituições financeiras daquele país, se alastrou rapidamente pelo planeta

O ano de 2009 começa com grande expectativa e apreensão para os principais setores e agentes econômicos do Estado. Encerrada a corrida às lojas para as festas de dezembro, governos, empresas e famílias começam a planejar com muito cuidado os investimentos para o Ano Novo, diante do atual panorama econômico que se espraiou pelo globo a partir de setembro.
A crise econômica global, iniciada com o estouro da bolha do mercado imobi­liário nos EUA e a quebra de várias instituições financeiras daquele país, se alastrou rapidamente pelo planeta. Em um mundo globalizado e conectado em tempo real, o vírus não demorou a derrubar fronteiras, atingindo primeiramente os países do chamado mundo desenvolvido e, em seguida, os emergentes.
O efeito mais visível da derrubada das principais ­bolsas do planeta e da ­disparada do dólar foi uma crise de desconfiança que estancou a oferta de crédito, ferindo de morte o fator que havia marcado 2008 como um período de crescimento acelerado do consumo e da geração de empregos.
Neste início de ano novo, todos os olhos e corações do Amazonas estão voltados especialmente para o Distrito Industrial, que abriga o primeiro setor do Estado a sentir os reflexos da atual crise. O corte de 2.663 postos de trabalho na indústria de transformação em novembro, como apontam os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), acendeu um sinal amarelo na economia regional e adiou investimentos.
Por atuar em uma economia ainda relativamente fechada como a brasileira, o PIM (Pólo Industrial de Manaus), constituído majoritariamente por multinacionais, acabou sendo involuntariamente a porta de entrada da crise em nossa região.
A expectativa dos demais setores agora é saber qual será a dinâmica adotada pelo pólo, o principal motor de desenvolvimento do Amazonas. De sua parte, as empresas ins­taladas no Distrito também aguardam para saber quais as decisões dos governos e o comportamento do consumidor, particularmente neste primeiro trimestre.
Mas, independentemente do grau de cautela e otimismo de cada setor, em um ponto todas as pessoas ouvidas pelo Jornal do Commercio para a realização deste especial de aniversário de 105 anos concordam: apesar de desacelerar o desenvolvimento do Estado, a crise não deve causar estagnação ou retração na atividade produtiva, nem deve causar ressaca à economia amazonense em 2009.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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