Inflação pelo IGP-DI fecha 2008 com maior taxa desde 2004

Em: 8 de janeiro de 2009
O resultado não impediu, porém, que o índice fechasse o ano passado na mais alta taxa desde 2004, com variação de 9,10%
O resultado não impediu, porém, que o índice fechasse o ano passado na mais alta taxa desde 2004, com variação de 9,10%

Após a forte pressão dos primeiros meses do ano, o IGP-DI (Índice de Preços ao Consumidor – Disponibilidade Interna) encerrou 2008 com deflação de 0,44% em dezembro – menor marca desde março de 2006 (-0,45%) e abaixo da retração de 0,17% de novembro.
O resultado não impediu, porém, que o índice fechasse o ano passado na mais alta taxa desde 2004, com variação de 9,10%.
Diante do cenário de desaquecimento da economia mundial e brasileira – reforçado ontem pela queda recorde da produção da indústria -, especialistas já esperam uma inflação mais moderada neste ano, especialmente no primeiro trimestre, o que abre espaço para a queda dos juros.

Divisor de águas

Segundo Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas da FGV (Fundação Getúlio Vargas), a crise internacional foi um divisor de águas no cenário inflacionário no Brasil em 2008.
Até o mês de julho, houve um intenso repique provocado pela alta das commodities, especialmente do petróleo. No período, as taxas mensais encostaram em 2% num cenário de forte aquecimento da economia global.
Desde agosto, a contração da economia mundial detonada pela crise – que se agravou a partir do mês de setembro – derrubou os preços das commodities agrícolas e industriais e promoveu a desaceleração do IGP-DI, apesar da pressão do câmbio.

Queda das commodities

“A elevação da divisa norte-americana foi plenamente compensada pela queda das commodities – principalmente o petróleo -, que já acumulam nos últimos meses uma retração média de 50%.
Em outros períodos de intensa desvalorização cambial, como em 1999 e 2002, isso não ocorreu e a inflação subiu com força”.
Em dezembro, o recuo das commodities assegurou a deflação de 0,88% do IPA (Índice de Preços por Atacado) – que, apesar da descompressão, fechou 2008 com alta de 9,80%, também a maior desde 2004.
Ainda de acordo com levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas, caíram com força em dezembro tanto os preços agrícolas ao produtor (-1,30%) como os industriais (-0,73%).
Para o coordenador da FGV, Salomão Quadros, já existem sinais de que o recuo dos preços no atacado chegará com mais intensidade ao varejo em 2009. Em dezembro, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) subiu 0,52%. Em 2008, o índice registrou alta de 6,07%.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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