Em sintonia com disparada no preço da carne, o Amazonas encerrou o terceiro trimestre deste ano com um novo desempenho negativo na pecuária de corte bovino, acompanhando a média nacional – que amargou nova baixa recorde. A atividade leiteira, desta vez, mostrou resultados melhores. Da mesma forma, a suinocultura e a avicultura de postura voltaram a apresentar performances positivas, em que pese a perda de velocidade nesta última. É o que mostram as Estatísticas da Produção Pecuária do IBGE, compostas por três pesquisas.
De julho a setembro de 2021, foram abatidos 32.999 bovinos no Estado, 20,13% a menos do que em igual intervalo de 2020 (41.317 de cabeças) e um virtual empate (-0,22%) com o registro dos três meses anteriores (33.072). julho teve o melhor número (12.080) e setembro (9.916), o pior. O Estado seguiu em sintonia com a média nacional (6,94 milhões), que recuou 10,7% na primeira comparação, e encolheu 2%, na segunda. Foi o patamar mais baixo para o período, desde 2004. Segundo o órgão de pesquisa, “manteve-se a tendência iniciada em 2020, com a retenção de fêmeas por conta do elevado preço do bezerro”.
O terceiro trimestre de 2021 foi melhor para o abate de suínos (2.748), que teve acréscimo de 5,41% em relação ao acumulado de abril a junho de 2021 (2.607) e escalou 63,57% no confronto com o mesmo período de 2020 (1.680) – em que pese o enfraquecimento da base de comparação pelos efeitos da primeira onda da pandemia. O Estado, que contou novamente com três informantes, apresentou ganhos proporcionais acima da média brasileira, nesse quesito. O Brasil registrou abate de 13,72 milhões de cabeças de suínos, em um novo recorde na série histórica iniciada em 1997. Foram apresentadas altas respectivas de 4,5% e de 7,8%.
Dinâmica ligeiramente diferente se deu na análise pelo peso das carcaças. Os bovinos (7,93 mil toneladas) cresceram 6,02% em relação aos três meses anteriores (7,48 mil toneladas) e caíram 21,09% na comparação com o mesmo período do exercício anterior (10,05 mil toneladas). No caso dos suínos (185,45 toneladas) foram registradas elevação de 8,44% ante o acumulado de abril a junho deste ano (171,01 toneladas) e expansão de 82,31% no confronto com o terceiro trimestre de 2020 (101,72 toneladas).
Ovos e leite
A produção amazonense de ovos de galinha subiu 1,37%, na comparação do intervalo que vai de abril a junho deste ano (14.505 mil dúzias) com o segundo trimestre de 2021 (14.309 mil dúzias), além de ficar 2,25% acima do mesmo acumulado do ano passado (14.839 mil dúzias). Na média brasileira, a produção alcançou a marca de 1 bilhão de dúzias, o que correspondeu a uma alta de 1,5% e uma queda de 1,8%, nas respectivas comparações. Conforme o IBGE, foi a segunda maior produção da série histórica da pesquisa, iniciada em 1987.
A quantidade de galinhas poedeiras registradas no Amazonas, entretanto, sofreu oscilação. Houve decréscimo de 1,03% entre o segundo (1,939 milhão) e o terceiro (1,937 milhão) e trimestres de 2021, enquanto o confronto com o dado do mesmo acumulado do ano passado (2,022 milhões) rendeu retração de 4,39%. O desempenho seguiu em sintonia com a média nacional (174,526 milhões), que foi 0,16% melhor no primeiro caso (174.240 milhões), e 2,04% pior, no segundo (178,164 milhões).
A aquisição de leite cru, por sua vez, foi de 2.240 milhão de litros, sendo 10,89% superior à quantidade registrada no segundo trimestre deste ano (de 2.020 milhão de litros) e 8,05% acima do patamar apresentado no terceiro trimestre de 2020 (2.073 milhão de litros). Em todo o país, a aquisição totalizou 6,19 bilhões, o que equivale a um aumento de 6,1%, na variação trimestral, e a um decréscimo de 4,9%, no comparativo anual.
Cheia e custos
O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, aponta que a redução no abate de bovinos também acontece em várias regiões do país. Lembra ainda que, com a classificação amazonense do status de “livre de aftosa sem vacinação”, o pecuarista do Sul do Estado está podendo vender e abater animais em frigoríficos do Acre e de Rondônia, conforme melhor condição de negociação. Mas, também não exclui a eventualidade de impactos advindos da cheia recorde deste ano.
“A pesquisa do IBGE mostra a manutenção em um bom patamar da produção de ovos, mostrando a competitividade do polo granjeiro amazonense, apesar de o segmento já vir enfrentando alta nos custos de produção, há vários meses. É importante também o dado do crescimento da produção de leite, que é uma atividade em que os produtores vêm investindo em melhoramento genético e há grande mercado consumidor de lácteos”, frisou.
‘Efeito substituição’
O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, considera que a quantidade de leite cru produzido no Amazonas tem se mantido “dentro de um padrão” e ressalva que os números de 2020 e de 2021 ainda são preliminares, em virtude da dificuldade de coleta imposta pela pandemia. Para o pesquisador, o abate de bovinos foi afetado principalmente pelo fator preço. “Por outro lado, a carne suína, que não teve aumento equivalente, continuou em ascendência. E, possivelmente foi potencializada pela fuga do consumidor de carne bovina”, conjecturou.
Adjalma Nogueira Jaques observa, por outro lado, que a demanda do mercado local pelos ovos de galinha foi impulsionada pela necessidade de alimento reforçado a preços mais acessíveis, durante a pandemia. “O número de informantes segue inalterado desde o quarto trimestre de 2018 e a quantidade de poedeiras tem se mantido dentro da faixa, para os estabelecimentos com 10.000 ou mais poedeiras. Mas, mesmo ainda em se tratando de resultados preliminares, a produção teve incremento considerado”, ponderou.
Em texto postado na Agência de Notícias IBGE, o gerente da pesquisa Bernardo Viscardi, observa que o leite apresentou uma queda na comparação anual, refletindo a alta dos custos. Informa ainda que o fato de os produtores estarem retendo mais fêmeas para criar bezerros, assim como as restrições de exportação à China, contribuíram para reduzir o abate. “Os frigoríficos que atendem ao mercado interno estavam trabalhando com margens baixas ou até negativas e isso também desestimula o abate”, complementou.
O pesquisador explica que o resultado recorde das exportações de carne suína in natura colaborou para o novo recorde. Já no mercado interno, a melhor contribuição teria vindo do ‘efeito substituição’. “Suínos e frangos tiveram alta por serem proteínas mais acessíveis que a carne bovina, para a população que está com a renda reduzida. Boa parte da população também acaba demandando mais ovos, por ser mais barato que a carne”, encerrou.







