Bares e restaurantes ainda em crise

Em: 15 de dezembro de 2021
O segmento de alimentação fora do lar ainda não alcançou as receitas em níveis pré-pandemia, registrando piora no ritmo de recuperação em outubro.

O segmento de alimentação fora do lar ainda não alcançou as receitas em níveis pré-pandemia, registrando piora no ritmo de recuperação em outubro. A pesquisa   realizada pela Abrasel (Associação de Bares e Restaurantes), revela que a situação econômica do setor é motivada pela constante alta na inflação e por dívidas em aberto como impostos e outras despesas.

Segundo a pesquisa, 35% das empresas apresentaram faturamento menor em relação ao mês de setembro. O recuo também afeta a expectativa do movimento esperado para o mês de dezembro. O percentual de 79% dos entrevistados que demonstravam otimismo em faturar mais no fim de ano,  caiu para 70% em outubro. 

Ainda conforme a pesquisa, há também insegurança com a demora na aprovação do novo Refis. Cerca de 46% dos estabelecimentos estão em atraso com os pagamentos. Ao mesmo tempo os negócios do setor estão performando cada vez melhor, para 63% as entregas representam somente 20% do faturamento. 

O presidente da Abrasel, Paulo Solmucci afirma que apesar dos desafios, o setor, segue contratando e nota-se um retorno crescente dos clientes, com salões mais cheios e menor dependência do delivery. 

A pesquisa revela ainda que entre os 73% das empresas que recorreram a empréstimos, a maioria (59%) solicitou o Pronamp. Em relação às empresas que solicitaram dinheiro emprestado, 22% estão com os pagamentos em atraso. 

Quanto ao tempo de atraso dos débitos, 51% acumula dívidas há mais de 60 dias. Para 37% esse acumulado chega a três meses. 

O conselheiro da Abrasel-AM,  Rogério Cunha, considera que a situação do setor no Estado está em níveis de regular para bom. “Em alguns nichos dentro do mercado existe uma leve recuperação. Quem já atuava por meio de delivery,conseguiu atravessar o período com certa tranquilidade o que compensou um pouco minimizando o fechamento de alguns estebaleicmentos”. 

Na percepção do representante da entidade, o segmento no Amazonas já alcançou cerca de 85% do que consideram normal. “No máximo em dois anos a gente já consegue uma recuperação total do setor. Em 2021 ainda vamos ter muitas incertezas, mas para o primeiro semestre de 2023 a gente começa a ter novos investimentos”. 

O levantamento da Abrasel foi realizado com 1.315 empresários do segmento entre os dias 17 e 26 de novembro.

Outro estudo

Na mesma linha, um outro levantamento realizado pela ANR (Associação Nacional de Restaurantes), pela consultoria Galunion, especializada no mercado food service, e pelo IFB (Instituto Foodservice Brasil), 63% das empresas ainda não recuperaram as vendas em relação à pré-pandemia, na comparação de outubro de 2021 com outubro de 2019. 37% afirmaram que superaram a receita no mesmo período.

O nível de endividamento das empresas teve uma pequena melhora em relação a setembro. Na ocasião, 55% do setor se declarava endividado. Hoje, esse percentual caiu para 48%. A maior parte das dívidas, segundo 78% dos entrevistados, está nos bancos. 48% têm tributos em atraso. 48% afirmaram que levarão até 3 anos para pagar seus débitos, mesmo índice da pesquisa anterior.

Para Fernando Blower, diretor executivo da ANR, a pesquisa revela que a recuperação está apenas no início e o setor ainda tem um longo caminho a percorrer para um crescimento consistente. “A boa notícia é que temos uma pequena melhora de alguns indicadores, como o número de empresas endividadas. Mas o processo de recuperação será longo. E ainda vivemos momentos de muita apreensão com o aumento de casos de Covid-19 na Europa e a chegada dessa nova variante”, afirma Blower.

A respeito do faturamento total do ano, 53% das empresas afirmam que esperam terminar com aumento do lucro em relação a 2020. Outros 20% disseram que seguem em estabilidade e 17% com prejuízo. Em relação aos principais desafios para 2022 aparecem com destaque atrair novos clientes e crescer vendas (68%) e a inflação (64%). “O setor certamente terá que se equilibrar no ano que vem entre esses desafios de seguir a retomada, crescer e ainda ter que lidar com a inflação crescente. Seguiremos em um cenário de incertezas, tanto em relação à política como na macroeconomia. Mas há indicadores muito claros já sobre inflação e crescimento do país abaixo das expectativas em 2021 com o qual teremos que lidar”, afirma o diretor-executivo da ANR, Fernando Blower.

Para Paulo Camargo, presidente do IFB (Instituto Foodservice Brasil), a pesquisa mostra uma retomada gradual do setor, porém, algumas áreas ainda precisam de atenção para retornarem ao estágio da pré-pandemia. “Um ponto relevante é a consolidação dos canais de vendas digitais no foodservice. A pandemia acelerou essa tendência e agora os operadores devem estar mais atentos a esse novo desafio nos próximos anos” complementa o executivo.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
Pesquisar