A Samsung promete diversificar sua linha de eletroeletrônicos em 2009, mas não deve investir em novos produtos até que a demanda de consumo volte aquecer. A idéia é atualizar o mix de mais de 50 itens da unidade instalada no PIM (Polo Industrial de Manaus), com lançamentos de novos modelos nas linhas de áudio, vídeo e informática.
A grande aposta continuará sendo nas TVs de tela com LCD – artigo no qual a companhia lidera as vendas domésticas há dois anos seguidos –, embora a fábrica pretenda continuar reforçando sua linha de plasma. A unidade deve continuar produzindo fortemente monitores de computador além de oferecer ao consumidor discos rígidos portáteis
Capitalizar investimentos realizados em 2008 também faz parte da receita para atravessar a ressaca de mercado nos próximos meses. Câmeras fotográficas digitais – cuja produção foi iniciada no polo em setembro – e mini systens – que começaram a ser fabricados pela unidade no mês seguinte devem ganhar atenção especial.
Por motivos estratégicos, a corporação não divulga sua meta para 2009, mas garante que pretende crescer significativamente em relação a 2008. No ano passado, a coreana faturou US$ 1.35 bilhão (2008) contra US$ 1 bilhão (2007), um crescimento de 35%. O resultado, segundo o vice-presidente de Novos Negócios da Samsung do Brasil, Benjamin Sicsú, estava dentro da meta empresarial esperada.
“O desempenho foi bom, mas devemos nos esforçar para crescer cada vez mais. Para 2009, planejamos crescer muito em reais e em dólares também, se a moeda americana permanecer parada. Por isso, temos de colocar a maior parte de modelos e linhas à medida que haja maior flexibilidade para o consumidor”, declarou.
Automatização
Na avaliação do executivo, diante de um cenário de crise econômica, uma empresa deve ser realista e fazer todos os ajustes possíveis para atender às necessidades do consumidor. “Fizemos alguns ajustes e talvez a efetivação dos temporários no final de 2008 tenha sido um pouco inferior a outros anos, mas já começamos a contratar mais pessoas depois dessa época”, ressaltou.
A empresa está em Manaus desde 1997 e trabalha hoje com 1.400 empregados diretos. O contingente é o mesmo de julho e agosto, mas 20% maior do que o de 12 meses atrás. De acordo com Benjamin Sicsú, os números não são apenas produto da retração de mercado, mas também da tendência de automatização e aumento de produtividade do segmento eletroeletrônico.
“Em 40 anos no mundo e desde que veio ao Brasil, a Samsung Eletronics já passou por várias crises e acumulou bastante experiência. A atual é de grande porte, mas a empresa agiu rápido em nível mundial, compactando suas divisões de quatro para duas e enxugando sua alta administração. O que se deve fazer agora é manter os custos no nível mais baixo possível para oferecer preços mais atraentes, mesmo sacrificando margens”, ponderou Sicsu.
Cotas da Argentina limitam exportações
A perspectiva é que, apesar de tornar o produto nacional mais atraente no estrangeiro, o câmbio não ajude a empresa nas vendas para o exterior. No ano passado, a marca foi uma das maiores exportadoras de TVs do polo, principalmente para Venezuela, Colômbia e Argentina. A imposição de cotas de importação por parte deste último país, contudo, contribuiu para que o volume fosse abaixo do desejado.
De acordo com o executivo, a mudança tecnológica também contribui para comprometer a atuação da unidade no exterior. “Um produto que exportávamos bem em Manaus eram os tubos de TV, que já estão fora de linha. Quando isso acontece, é necessário trabalhar novamente na competitividade do produto que substitui o antigo”, explicou.
Por outro lado, a Samsung não escapou dos efeitos negativos do mercado financeiro, que aumentou o custo dos insumos atrelados ao dólar. O dirigente destacou que, embora busque verticalizar seus processos, a empresa segue a tendência do segmento eletroeletrônico, tradicionalmente um grande importador de componentes.
“Em alguns casos, será impossível verticalizar, como no caso dos displays para TVs com tela de LCD, que compõem 70% do aparelho e são fabricados apenas na China, Coréia e Japão. É uma regra geral da indústria que a mudança tecnológica leva a uma diminuição na agregação de valores”, sentenciou.







