Pesquisa mensal do comercio no Amazonas

Em: 2 de fevereiro de 2022

Embalado pela Black Friday, o varejo do Amazonas acelerou as vendas em novembro, pelo segundo mês seguido. O desempenho, contudo, veio abaixo do registrado um ano antes – período ainda marcado por restrições a promoções com potencial de gerar aglomeração humana. Também não foi suficiente para evitar que os acumulados ficassem no vermelho, nem para se equiparar à média nacional. A mesma inflação que limitou vendas voltou a mostrar descolamento na receita nominal. É o que revela a PMC (Pesquisa Mensal do Comércio), divulgada pelo IBGE nesta sexta (14).

O comércio amazonense avançou 1,8%, na variação mensal, em medida mais forte do que a de outubro (+0,8%), mas insuficiente para repor as perdas de junho (-3,7%), julho (-2,8%), agosto (-1,6%) e setembro (-0,6%). Em relação a novembro de 2020, o decréscimo se manteve em 4,7%. O acumulado do ano ainda encolheu 1,2%, enquanto o aglutinado de 12 meses (-0,2%) entrou no campo negativo. Com isso, o Estado só bateu a média nacional (+0,6%, -4,7%, -1,2% e -0,2%) na variação mês a mês.

A Black Friday não foi suficiente para impedir que 14 das 27 unidades federativas brasileiras recuassem na variação mensal. Com o acréscimo de 1,8%, o Estado conseguiu avançar do 12º para o 7º lugar do ranking. Os melhores números vieram de Roraima (+3,7%), Rio de Janeiro (+2,8% ) e Distrito Federal (+2,7%), enquanto Paraíba (-3,1%), Piauí (-3%) e Bahia (-2,8%) ficaram no rodapé. Em 11 meses, o Estado (-1,2%) ainda subiu da 22ª para a 21ª posição, sendo um dos resultados negativos de uma lista liderada pelo Piauí (+11,7%) e encerrada por Tocantins (-8,3%). 

Vitaminada pela inflação, a receita nominal do setor foi novamente melhor em todas as comparações com 2020. Em relação a outubro de 2021, a alta foi de 1,5%, em resultado melhor do que o da sondagem anterior (+0,9%). No confronto com novembro de 2020, o varejo do Amazonas conseguiu crescer 5,6%. O saldo dos 11 primeiros meses do ano (+11,4%) também seguiu no azul, assim como o do aglutinado dos 12 meses (+12%). As respectivas médias nacionais também foram todas positivas: +1,3%, +8,8%, +14,5% e +14%.

Com variação mensal positiva em 1,5%, o Amazonas escalou da 14ª para a sexta posição, empatando com São Paulo e Rondônia, e sendo uma das 18 unidades federativas a avançar nesse tipo de comparação. Roraima (+4,1%), Rio de Janeiro (+3,2%) e Espírito Santo (+2,5%) dividiram o pódio, ao mesmo tempo em que Paraíba (-2,2%), Piauí, Bahia (os dois com -2%) e Tocantins (-1,8%) amargavam os piores números. No ano, o Estado ainda subiu da 21ª para a 20ª colocação. Piauí (+24,7%), Amapá (+23,7%), e Mato Grosso do Sul (+20,8%) encabeçaram a lista. Em contraste, Tocantins (+0,9%), Distrito Federal (+7,6%) e Paraíba (+8,3%) ficaram nos últimos lugares. 

Veículos e construção

Na média nacional, cinco das oito atividades pesquisadas tiveram taxas negativas em novembro: móveis e eletrodomésticos (-2,3%), tecidos, vestuário e calçados (-1,9%), combustíveis e lubrificantes (-1,4%) , livros, jornais, revistas e papelaria (-1,4%), e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-0,1%). Mesmo assim, o varejo brasileiro avançou, sendo puxado por hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (+0,9%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (+1,2%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (+2,2%).

Em razão do tamanho da amostragem, o IBGE ainda não segmenta o desempenho do comércio no Amazonas. Sabe-se que o varejo ampliado local – que inclui veículos e suas partes e peças, bem como material de construção – só foi não melhor do que a média do setor no Estado, no confronto com novembro de 2020. O volume de vendas cresceu 1,9%, no confronto com outubro de 2021, e caiu 6,7% em relação a novembro de 2020. A atividade entro no terreno negativo nos 11 meses iniciais do ano (-0,1%), mas se manteve no azul no acumulado dos 12 meses (+1,2%). Em todo o país, as respectivas variações foram +0,5%, -2,9%, +5,3% e +5,1%. 

Já a receita nominal do varejo ampliado do Amazonas ficou positiva em 2,3%, na variação mensal, e cresceu 4,1%, na comparação anual. Os resultados em valores correntes do caixa dos lojistas locais avançaram 12,6% no acumulado de janeiro a novembro de 2021 e foram 13,4% superiores, na variação anualizada dos 12 meses. Na média brasileira os números foram +0,8%, +11,1%, +18,9% e +18,2%, na ordem. 

Inflação e perfil

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, assinalou que a tendência é de melhora, mas também de atenção para o setor. “O comércio amazonense não conseguiu superar o desempenho de 2020. Principalmente na comparação com os meses iniciais daquele ano, quando não havia a influência da pandemia. Foram diversas quedas mensais registradas ao longo do ano. A média móvel trimestral está positiva, indicando uma boa tendência de crescimento para dezembro. Por outro lado, é importante que haja também um bom desempenho em relação ao ano anterior”, frisou.

Em texto postado na Agência de Notícias IBGE, o gerente da pesquisa, Cristiano Santos destaca que a Black Friday deste ano foi “muito menos intensa” do que a de 2020 – período que teria sido melhor principalmente para as maiores cadeias do varejo. “Isso se deve, em parte, pela inflação, mas também por uma mudança no perfil de consumo, já que algumas compras foram realizadas em outubro, ou até mesmo no primeiro semestre, quando houve maior disponibilidade de crédito e o fenômeno dos descontos. Isso adiantou, de certa forma, a Black Friday para algumas cadeias”, avaliou.

Cautela e ômicron

Em entrevistas anteriores à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente da assembleia geral da ACA (Associação Comercial do Estado do Amazonas), Ataliba David Antonio Filho, destacou que o varejo vem enfrentando obstáculos significativos mês a mês, nos juros e inflação. Como resultado, o consumidor vem sofrendo redução no poder de compra e aumentando a cautela com o endividamento. Ainda assim, o dirigente mostra otimismo para os próximos meses.

“O comércio do Amazonas inicia o ano abastecido e a terceira dose já é uma realidade, com 70% da população protegida. Alguns fatores nos permitem olhar para um horizonte de melhorias para a atividade de varejo. Embora a nova variante ômicron seja um fator que preocupa o setor, vemos uma diferença considerável em relação ao que vivemos na segunda, ocorrida em janeiro de fevereiro de 2021. Ela é menos letal, embora a contaminação seja mais rápida”, amenizou. “Esperamos que as políticas públicas deem conta de atenuar os efeitos da inflação e da escalada do dólar, apesar de 2022 ser ano de eleições”, arrematou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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