A Conab manteve suas projeções para a safra de grãos 2021/2022 do Amazonas, em sua revisão de janeiro. A estimativa ainda é de 55,2 mil toneladas, 0,9% a mais do que o obtido na safra de 2020/2021 (54,7 mil toneladas). Duas das quatro culturas sondadas no Estado seguem com estimativas negativas, enquanto apenas uma mantém expansão e a outra pontua estabilidade. O mesmo crescimento foi mantido para a área de plantio (+4,6%), embora a produtividade (-3,5%) ainda esteja no campo negativo.
De acordo com o levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento para a nova safra, o Estado caiu do 22º para o 24º e último lugar do ranking nacional de maiores altas proporcionais – após encerrar a temporada 2020/2021 na terceira colocação. Os desempenhos aguardados para o Brasil (de +15,1% para +12,5%) e região Norte (de +6,3% para +6,2%), no entanto, foram corrigidos para baixo e relação ao prognostico anterior. Os melhores índices de expansão ainda são aguardados de Sergipe (+30,1%) e Mato Grosso do Sul (+26,2%).
Para o Amazonas, o panorama segue invertido em relação ao desempenho das últimas duas safras, quando a elevação foi puxada pelas altas exponenciais do arroz e da soja, em detrimento do feijão, e com declínio gradual do milho. A maior retração aguardada para 2021/2022, ainda vem do arroz, campeão absoluto de produção no ano passado, com expansão de três dígitos (+200%). No cálculo da Conab, a safra do arroz deve ficar 22,2% menor, totalizando 12,6 mil toneladas, contra as 16,2 mil toneladas de 2020/2021.
O segundo pior número da produção de grãos do Estado, conforme a análise da estatal, deve vir da soja, vice-campeã da safra anterior. A queda estimada é de 10,1%, passando de 12,9 mil (2020/2021) para 11,6 mil toneladas (2021/2022). Produto com o pior desempenho na safra mais recente, o milho sinaliza alta de 23,4% para 2021/2022 (28,5 mil toneladas). O feijão (2.500 toneladas), que atravessou pelo menos três anos seguidos de queda aparece com projeção de estabilidade, em desempenho melhor do que o confirmado no período anterior (-3,8%).
Área e produtividade
A projeção para a área de plantio ainda é de 22,7 mil hectares – contra os 12,7 mil hectares do levantamento anterior. Caso confirmado, será 4,6% superior ao da safra de 2020/2021 (21,7 mil hectares). O melhor desempenho vem do milho (+23,6% e 11 mil hectares), seguido de longe pela soja (+4,7% e 4.500 hectares). A projeção para o feijão (2.700 hectares) ainda é de estabilidade. A pior estimativa é a do arroz (4.500 hectares), que sinaliza ficar 22,4% aquém do número anterior (5.800 hectares).
Mantidos os números de área e produção, a produtividade continuou no campo negativo. A estimativa da Conab ainda é de recuo de 3,5%, passando de 2.521 kg/ha (de 2020/2021) para 2.432 kg/ha (2021/2022). Duas das quatro culturas listadas no Amazonas aparecem com desempenho menor do que o registrado na safra precedente. A soja aparece com a maior retração (-14,4% e 2.567 kg/ha), seguida pelo milho (-0,3% e 2.591 kg/ha). Na análise da estatal, arroz (2.800 kg/ha) e feijão (923 kg/ha) sinalizam repetir os mesmos desempenhos da safra anterior.
Em matérias anteriores com a reportagem do Jornal do Commercio, a Conab informou que a produção de milho do Amazonas se concentra principalmente em Manacapuru e Boca do Acre, onde está o maior plantel animal, já que entre 60% e 70% da produção é destinada à ração. A soja vem de Humaitá (a 591 quilômetros de Manaus), na Fazenda Santa Rita. O arroz tem destaque nos municípios do rio Juruá, principalmente Eirunepé e Envira. O feijão, por outro lado, é cultivado na calha do rio Purus – em especial, Lábrea e Boca do Acre.
Clima e insumos
O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, ressaltou à reportagem do Jornal do Commercio comemorou o fato de que os números apontados pela Conab para o Amazonas seguem positivos em relação ao milho e disse aguardar uma confirmação do prognostico, nos próximos meses. Mas, não deixou de admitir que, em ano de expectativa para uma nova cheia recorde, chegada da variante ômicron ao Estado, e piora nos indicadores macroeconômicos,
“Esperamos que a produção de grãos cresça no Amazonas, mas isso dependerá principalmente das questões climáticas e de custo de insumos para a produção. Além disso, essa evolução dependerá da aceleração da regularização fundiária e ambiental, principalmente no Sul do Estado. O milho tem perspectiva de aumento de produção em todo o Brasil e esperamos que isso se confirme, para que se tenha mais oferta no mercado nacional”, resumiu.
Em entrevista anterior à reportagem do Jornal do Commercio, o dirigente não descartou a possibilidade de que a inversão nas apostas dos produtores rurais esteja ocorrendo em função de uma rotação de culturas, o que explicaria o aumento do milho e o declínio do arroz e da soja. Ele ressaltou que há “uma disparada” nos preços de adubos e fertilizantes, em razão de um desequilíbrio mundial entre oferta e demanda de adubos no mundo, em decorrência da pandemia e de problemas geopolíticos na China e na Bielo Rússia, dois dos maiores fornecedores globais.
O presidente da Faea salientou também que a expectativa da entidade é que a projeção de queda na produção de soja acabe sendo revertida, nos próximos meses. Segundo Muni Lourenço, em Humaitá, principal município produtor da cultura no Amazonas, haveria intenção de alguns produtores de ampliação de investimentos na cultura. O dirigente, no entanto, preferiu não entrar em detalhes sobre os números da Conab para o desempenho aguardado das safras de arroz e feijão.







