O setor de alimentação fora do lar não conseguiu recuperar em 2021 as perdas causadas pela pandemia. Duramente castigados com as medidas restritivas impostas pelos decretos, o balanço do segmento permanece aquém do esperado. A Abrasel-AM fechou com um saldo 30% menor nas vendas em relação a 2019.
Embora tenham esperança que este ano o setor consiga retomar à “normalidade” e seja melhor para recuperar os prejuízos, o cenário atual preocupa o setor, dado que governos e prefeituras em todo país estão retroagindo com anúncio de novas medidas de restrições devido o surto da Influenza e o avanço da variante ômicron.
Não bastasse, o segmento ainda se depara com o aumento de custos dos insumos, além do aumento do protocolo que eleva os custos de operação. Conforme o presidente da entidade, Fábio Cunha, ao longo de 2021 as bebidas tiveram preço reajustado em 45% e os alimentos ficaram 18% mais caros.
“Estamos apreensivos para este ano, já que perdemos muitas empresas e empregos ao longo da pandemia. Estamos confiantes para uma retomada, mas o que estamos vendo são mais restrições e com alguns segmentos sendo fechados. Isso desmotiva o empresário do setor”.
Para completar, Cunha informa também que o segmento está entre aqueles que têm afastado profissionais que trabalham nesses estabelecimentos em razão das síndromes gripais e Covid. Movimento que ocorre em várias capitais. “Apesar de que a letalidade dessa doença diminuiu muito, mas temos que por obrigação afastá-los”, diz Cunha.
Levantamento da ANR (Associação Nacional de Restaurantes) com mais de cem empresas concentradas no eixo Rio-São Paulo indicou que 85% delas estão com pessoal afastado atualmente. Os funcionários em licença médica constituem cerca de 20% da força de trabalho desses estabelecimentos.
Gargalos
Levantamento da Abrasel, indica que empresários do setor afirmam que um dos principais entraves enfrentados pelo segmento atualmente é tentar garantir a frequência dos clientes em meio ao momento de redução no poder de compra do consumidor decorrente do alto índice de desemprego.
Durante todo o ano a frequência da população amazonense aos bares e restaurantes reduziu em 51% em relação a 2019, ano considerado de normalidade no fluxo comercial.
Ainda conforme o levantamento, as empresas perderam 62% do quadro laboral em 2021, em relação ao quantitativo de trabalhadores contabilizado em 2019. Na tentativa de segurar a mão de obra, as empresas aderiram ao programa emergencial criado pelo governo federal, além de utilizar capital próprio.
De acordo com o presidente da Abrasel-AM, o setor precisa de mais incentivo para que a economia possa retomar e prosperar com empregos de carteira assinada e o empreendedor se reafirmar no mercado.
Nacional
A Abrasel Nacional estima crescimento de 4% do setor em 2022, apesar de receio dos impactos que a alta na inflação, queda no poder aquisitivo e incerteza da eleição podem trazer ao setor nos próximos meses. “Com a resiliência adquirida em 19 meses enfrentando a Covid, o setor está se saindo bem e seguiremos oferecendo um bom serviço”, diz Percival Maricato, presidente da entidade.
Segundo ele, as atenções do setor estão voltadas agora para a rejeição pela Câmara
do presidente Jair Bolsonaro ao novo Refis. “Para o nosso setor, pode ser uma tragédia igual ou pior veto da pandemia”







