Manaus apresentou alta de 7,8% no valor médio da cesta de consumo básica de alimentos de dezembro em relação ao mês anterior. O percentual é considerado o segundo maior aumento, depois de Brasília 14,9%. Por outro lado, o valor que chegou a R$ 675,63 foi o menor em relação a outras capitais. As oito capitais são analisadas mensalmente pela plataforma Cesta de Consumo HORUS/FGV IBRE, recém-lançada.
Os grupos de produtos que apresentaram aumento de preço mais expressivo em Manaus foram os legumes 12,5%, seguindo a trajetória recente de aumento, pressionados pela tendência de alta no preço da batata e da cebola influenciada, principalmente, por fatores climáticos que prejudicaram a colheita. O açúcar e as frutas 4,4%, representadas por banana, maçã e laranja), os itens são presença firme na mesa do brasileiro no verão e, em especial no Natal, o que acaba por elevar os preços, devido à alta na demanda. O destaque da alta é para o café em pó 28,8%. A farinha de mandioca recuou -02%.
A redução do preço de bovinos e da carne bovina -1,7% verificada no atacado refletiu no varejo, apesar da demanda aquecida para as festas de fim de ano. Itens como arroz-0,2%, feijão -1,4%, linguiça -0,6%, também apresentaram queda. O leite está na lista dos produtos que tiveram aumento de 0,8%.
Os altos níveis dos preços do feijão e do arroz têm impactado na demanda, forçando o preço para baixo. Além disso, o retorno das chuvas, quebrando o longo período de seca, vem contribuindo para o aumento da oferta desses produtos e para a melhoria das pastagens, o que refletiu também na maior oferta de leite.
Conforme o levantamento, os problemas climáticos também têm sido o principal motivo de aumento de açúcar e café, devido à quebra de safras e consequente redução da oferta no mercado. Além disso, o aumento dos preços internacionais e a valorização do dólar têm sido um incentivo para exportação, empurrando ainda mais para cima os preços no mercado interno.
Quando se considera a cesta de consumo ampliada, que inclui bebidas e produtos de higiene e limpeza, além de alimentos, houve um aumento no valor médio em cinco das oito capitais analisadas, em relação ao mês anterior. Manaus apresentou uma das maiores altas 3,9%.
Dados da Amase (Associação Amazonense de Supermercados) revelam que os itens que compõem a tradicional cesta natalina ficaram até 15% maiores em dezembro se comparado à comercialização de 2020.
Mudança na lista de supermercado
Vale lembrar que a tendência do Natal passado foi a ceia da substituição. Vários representantes do setor e economistas ouvidos pelo Jornal do Commercio, indicavam tal comportamento nos lares brasileiros.
A substituição do tradicional bacalhau, por peixes regionais, por exemplo, seria a aposta, assim como a troca do Peru por uma outra ave. “Se utilizando das substituições, pesquisas de preços e comprando com antecedência, o consumidor poderá fazer as compras dos itens com uma melhor economia . Evitar ao máximo a compra nas vésperas das festas pois além de pagar mais caro, corre-se o risco de encontrar o produto com o valor bem mais alto”, considerou o presidente do Sindecon-AM (Sindicato dos Economistas do Estado do Amazonas), Marcus Evangelista.
De um modo geral , todos os produtos aumentaram, mas aqueles tradicionais da época tendem aumentar mais ainda em função do aumento da demanda. O empresário aproveita a procura para aumentar a sua margem de lucro nesses itens.A grande saída para a carne bovina é a carne suína ou até mesmo o ovo”, apontou.
Ralph Assayag, vice-presidente da Amase, reforçou o comportamento. “A ceia deste ano é regida pela lei da substituição de produtos.O cliente está se renovando trocando marcas de produtos para conseguir comprar mais barato. Os supermercados também estão seguindo essa tendência de adquirir itens de marcas com custos mais baixos, mas mesmo assim os preços já subiram no âmbito geral. Perdemos produtos com valor agregado maior, mais simples e muita gente vai acabar diminuindo voltado ao básico como arroz e feijão para realizar a sua ceia com mínimo possivle”, avalia Assayag.
Classes C e D as mais afetadas
Para Assayag, as classes C e D foram as mais impactadas pelos reajustes nos preços dos alimentos. Alguns produtos devem entrar e outros saírem “O que representou uma tendência mudança no cardápio de Natal do consumidor”







