Pequenos e médios puxam vendas on-line com retorno das aulas

Em: 5 de fevereiro de 2022

Segundo Oshiro, a maioria das livrarias, com um forte atendimento presencial no país,  fecharam. Entre elas a Saraiva, Livraria Cultura, que estão, inclusive, em recuperação judicial. “Os grandes estão perdendo espaço presencial, desta forma,  abre oportunidades para todos. A Amazon tem avançado muito com prazos acessíveis e valores mais baixos. A minha esposa comprou todos os livros por lá. É mais fácil, mais cômodo, você percebe que essa é a realidade do momento”, frisou.

“Desde o início da pandemia, o e-commerce teve um salto de crescimento gigantesco devido ao isolamento social. Só no ano passado, as PMEs do ramo de papelaria que vendem online faturaram mais de R$13 milhões, o que representa um aumento de 44% em relação à 2020, quando o montante foi de R$9 milhões. Nesse momento de volta às aulas, as compras pela internet se mostram mais vantajosas para os consumidores, que podem evitar lojas lotadas. Afinal, com a alta demanda em janeiro, as papelarias acabam ficando cheias e com filas, ampliando a preocupação com possíveis aglomerações”

Guilherme Pedroso, country manager da Nuvemshop no Brasil.

O ticket médio dos pedidos foi de R$231, número 38% mais alto em relação ao mesmo período de 2021. Por outro lado, o volume de pedidos teve uma queda de 11%, passando de 2,8 mil para 2,5 mil. Ou seja, os pedidos estão mais caros devido à alta da inflação. Apesar dessa diminuição, a quantidade de produtos por pedido aumentou de 4 para 6, e o total de produtos vendidos cresceu 33%, saltando de 12 mil para quase 16 mil.

Não é apenas o varejo físico que comemora a turbinada do aumento no volume de vendas puxado pelo período de voltas às aulas. Com o retorno presencial das aulas, o valor médio gasto em papelarias online sobe 38%. Os números são baseados no banco de dados da Nuvemshop, plataforma de e-commerce que atende mais de 90 mil lojas online, em sua maioria de pequenos e médios empreendedores.

De acordo com o estudo, somente nas primeiras duas semanas de janeiro, as pequenas e médias empresas do setor faturaram quase R$600 mil com as vendas desses itens no ambiente online. Isso significa que houve um aumento de 25% em relação ao mesmo período do ano passado, no qual o faturamento foi de R$480 mil. 

Não é novidade que o e-commerce vem ditando regras e a tendência é cada vez mais alavancar. “Independente se a pandemia acabar ou não, as pessoas que tinham um pouco de aversão ao comércio experimentaram e viram que é prático e, principalmente seguro”, analisa o consultor de empreendedorismo, Carlos Oshiro. 

Nesse universo de pequenos negócios que vem se popularizando, o microempresário Giovane Matos, só tem a comemorar. Com uma loja de itens variados no ramo de papelaria, há pouco mais de sete anos,  ele diz que as vendas engrenaram em 2022, comprando no ano passado.  “As compras direto na nossa loja cresceram em relação a 2021, em média, 8% a 10%. Mas quando falamos de vendas online, essa movimentação é muito maior. Eu precisei contratar um funcionário para garantir que esse processo avançasse com qualidade, buscando dar todo o suporte ao cliente que prefere comprar pela internte”. 

Para ele, a pandemia exigiu que os pequenos negócios se adaptassem ao novo formato, transformando um caminho sem volta. “Eu precisei me reinventar se quisesse manter a minha empresa ativa. A grande sacada foi apostar no comércio eletrônico, momento que eu virei a chave. Tem dado certo”, garantiu ele. 

O dinamismo das empresas grandes também fortalecem essa adesão às compras. 

Por dentro

Com preços mais atrativos, promoções constantes e formas facilitadas de pagamento, o hábito de realizar compras online vem se intensificando no Brasil. No último bimestre de 2021, o varejo online faturou mais de R$ 46,4 bilhões e totalizou 101 milhões de pedidos, uma alta de 19,8% em comparação com o ano anterior, segundo dados da Neotrust.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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