Encerraram ontem (4), as inscrições do concurso para entrar no Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, com provas que acontecerão no dia 12 em Manaus, Humaitá, Parintins e Tabatinga. Quase 50 mil interessados se inscreveram para disputar 453 vagas: 400 para soldado e 53 para 2º tenente. O salário é bom, mas um algo mais move as pessoas que desejam se tornar bombeiros. Serem considerados heróis e viajar dentro daqueles caminhões vermelhos com uma sirene em cima chamando a atenção de todos.
“Sim, somos considerados heróis pela sociedade, porque em grande parte das ações que realizamos há riscos da própria vida, mas isso não nos impede de atuar, cumprindo a nossa missão de salvar vidas, patrimônio e o meio ambiente”, falou a 2º tenente Maely Salvador, assessora de comunicação da instituição.
Atualmente, entre homens e mulheres, o efetivo do Corpo de Bombeiros do Amazonas é de 1081 militares distribuídos em quartéis, além de Manaus, nas cidades de Itacoatiara, Manacapuru, Parintins, Iranduba, Tabatinga, Humaitá, Presidente Figueiredo, Novo Airão, Rio Preto da Eva e Tefé.
Quando se fala em Bombeiros, imaginamos logo eles apagando incêndios, mas são tantos os serviços e ações de sua responsabilidade que existe até a Lei Delegada, nº 89, de 18 de maio de 2007, listando-os, tais como atuar no socorro médico de emergência pré-hospitalar; compondo a Força Nacional de Segurança Pública; no caso de guerra externa ou na prevenção à grave perturbação da ordem pública; no armazenamento, estocagem e transporte de cargas e produtos perigosos; entre várias outras situações.
Medo de altura
O Bombeiro precisa estar preparado para atuar na terra, no ar e na água, inclusive nas profundezas.
“No que consiste em Salvamento Terrestre, o Bombeiro atua no combate a incêndio urbano e florestal e ainda, salvamento veicular, e busca em área de selva. No ar, ele atua no Salvamento em Altura, inclusive com o uso de aeronaves. E na água, realiza Salvamento Aquático e mergulho. Também exerce atividades de Defesa Civil e na fiscalização de edificações, conforme a legislação que regula o Sistema de Segurança Contra Incêndio e Pânico”, informou.
Muitas das ações dos Bombeiros são nas alturas. Será que dos quase 50 mil inscritos para o concurso, nenhum tem medo de altura?
“O candidato a Bombeiro pode ter medo de altura sim, mas essa dificuldade é superada por meio de conhecimento e domínio de técnicas de Salvamento em Altura, treinamento e adaptação”, revelou Maely.
Para a tenente, a grande maioria das ocorrências atendidas pelos Bombeiros são perigosas, ou em locais inóspitos.
“Mas normalmente as ocorrências envolvendo sinistros com aeronaves são as mais perigosas. O histórico de ocorrências com queda de aeronave mostra que toda a tripulação e os passageiros vão a óbito e certamente essa é uma ocorrência que nós não desejamos que ocorra”, disse.
Porém, entre as ações mais perigosas realizadas pelos militares está o mergulho nas águas amazônicas, principalmente as barrentas, quando há algum afundamento de embarcação. Atualmente o efetivo de mergulhadores está dividido na capital e interior, com base em Manaus, Manacapuru e Parintins, mas que atendem todo o Estado. Há ainda mergulhadores à disposição da Secretaria de Segurança Pública, na Base Arpão, no município de Coari.
“A importância do Corpo de Bombeiros é expressiva porque somos o braço do Estado que socorre a população. Também trabalhamos na formação da Brigada Comunitária, capacitando a comunidade através do curso de formação de brigada de incêndio, e formamos Bombeiros Mirins, quando trazemos crianças de oito a doze anos para dentro dos quartéis e fomentamos a disciplina, o conhecimento técnico, o respeito à família, aos valores morais e cívicos para que se tornem cidadãs de bem e de valor. A sociedade pode contar com nossos serviços 24h e, embora não tenhamos presença física em todos os municípios, atendemos a todo o Estado”, concluiu o coronel Orleilson Ximenes Muniz, comandante geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas.
Um pouco de história
No século passado, o serviço de extinção de incêndio, em Manaus, era realizado pela Companhia de Bombeiros e seu primeiro comandante foi o coronel de Engenharia Joaquim Leovegildo de Souza Coelho, em 1874.
A Companhia de Bombeiros foi oficialmente criada em 11 de julho de 1876. Com a Proclamação da República, em 1889, o então governador, coronel Gregório Thaumaturgo de Azevedo, propôs a substituição do Batalhão Militar de Polícia (atual Polícia Militar) por uma Guarda Republicana destacando que a ‘Companhia de Bombeiros deverá ter organização especial, separada da Guarda Republicana’.
Em 1972 já como Corpo de Bombeiros, o grupamento passou a ser subordinado à Polícia Militar só ganhando autonomia em 26 de novembro de 1998, quando ganhou a denominação de Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Amazonas, gozando de total autonomia administrativa, financeira e orçamentária, tendo como primeiro comandante geral o coronel Nilson Pereira da Silva.







